MEDIDA DE PREVENÇÃO

Mesmo com decreto, uso obrigatório de máscaras encontra resistência em Manaus

Reportagem de A Crítica percorreu as ruas da capital e encontrou relatos de descumprimento das medidas

Daniel Amorim
13/05/2020 às 18:35.
Atualizado em 10/03/2022 às 08:36

(Foto: Junio Matos)

O Governo do Amazonas deve publicar esta semana o decreto que estende a suspensão de atividades não-essenciais até o dia 31 de maio. A nova versão da medida estabelece o uso obrigatório de máscaras pela população e multa a estabelecimentos que descumprirem a medida. 

“Após a publicação do decreto da Prefeitura (que torna obrigatória a proteção em comércio, ônibus e veículos), muitas pessoas passaram a usar as máscaras. Se alguma pessoa dentro do ônibus tiver o vírus, vai colocar os outros em risco, mesmo não apresentando os sintomas, porque há o período de incubação”, disse Josimar Souza, líder de equipe de uma universidade particular de Manaus. 

O motorista de linha 616, Vivaldo Batista, concorda que a prática foi ampliada após a decisão municipal. “Pouca gente está tentando entrar nos ônibus sem máscara. Algumas pessoas não querem colocar, então orientamos sobre a medida antes de entrar nos ônibus”, conta.

Um supermercado localizado no conjunto Vieiralves, Zona Centro-Sul, disponibilizou o produto para venda e uma cabine que dispara uma substância para higienização dos clientes. Na manhã de quarta-feira (13), o sistema ainda precisava de reparos técnicos para começar a funcionar. “A maioria está cumprindo a norma”, afirmou o gerente Paulo Souza.

Um músico de 67 anos, que não quis se identificar, foi orientado pelo funcionário do supermercado sobre o decreto da Prefeitura. “Isso é papo furado, não acredito em nada disso. Essa nova geração está desinformada. Descobri pelo Instagram que dois terços da população de Nova Iorque estão pegando o vírus em casa”, defendeu-se.

“Isso é armação política. Se eu pegar essa doença, tomo cloroquina, hidroxicloroquina e outro antibiótico vendido a R$ 12 nas drogarias”. Em sua defesa, ele alegou que o vírus é transmitido pela água da chuva e pelo ar. Ainda assim, não soube explicar porque deixou de utilizar a proteção facial.

 

“Ontem [terça-feira] enfrentei a resistência de um rapaz. Ele simplesmente me ignorou, não apresentou argumentos, deu as costas para mim e se dirigiu ao caixa”, relatou Tatiane Nunes, gerente de uma drogaria localizada na avenida João Valério, Zona Centro-Sul. “Como só temos funcionárias na loja no período da manhã, a situação fica difícil”. 

Os consumidores que não observam a norma são atendidos do lado de fora, no modelo do sistema drive-thru. Em março, quando o primeiro caso de Covid-19 foi diagnosticado no Amazonas, a medida de prevenção tornou-se obrigatória para os funcionários. “A mídia já está fazendo o trabalho de divulgação, é muita informação e só não é esclarecido quem não quer”, avalia Nunes.

Na terça-feira (12), o governador Wilson Lima anunciou a compra de 1 milhão de máscaras produzidas por uma clube de 200 costureiras capacitadas pelo Centro de Educação Tecnológica do Amazonas (Cetam). Os produtos serão distribuídos para instituições e pessoas em situação de vulnerabilidade social.

 “Vamos garantir a proteção das pessoas e garantir uma atividade econômica para muitas costureiras que estavam sem atividade econômica”, afirmou Lima, acrescentando que pretende ampliar a aquisição e a distribuição do produto.

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