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Manaus
atendimento de saúde

Mesmo em regressão no Brasil, vírus Zika causa superlotação na FMT em Manaus

De janeiro até ontem, 2.417 casos de zika foram notificados no Amazonas, destes, 98% foram em Manaus. O infectologista Antônio Magela, do Departamento Clínico da Fundação, relata que muitos pacientes procuram exclusivamente o local quando sentem os sintomas do Zika 27/04/2016 às 08:51
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Como unidade de referência, hospital já atendeu até 400 pacientes em um dia (Foto: Divulgação/CMM)
Luana Carvalho Manaus (AM)

Embora a Organização Mundial da Saúde (OMS) tenha divulgado na última segunda-feira que o vírus zika está em regressão no Brasil, a Fundação de Medicina Tropical Doutor Heitor Vieira Dourado tem ficado superlotada de pessoas com os sintomas da doença. No início do ano, quando a epidemia começou, o hospital chegou a atender uma média de 400 pessoas em um único dia.

De janeiro até ontem, 2.417 casos de zika foram notificados no Amazonas, destes, 98% foram em Manaus. O infectologista Antônio Magela, do Departamento Clínico da Fundação, relata que muitos pacientes procuram exclusivamente o local quando sentem os sintomas do Zika. “Nós indicamos que o paciente procure assistência na unidade de saúde mais próxima, não precisa ser necessariamente na Fundação de Medicina Tropical, pois acabam sobrecarregando o número de atendimentos”.

Segundo ele, a maioria dos pacientes vão ao hospital em busca de um diagnóstico laboratorial. “Às vezes as pessoas já foram atendidas, mas acabam vindo novamente em busca de um exame, mas exame pra identificar o vírus Zika não existe. O diagnóstico é clínico e epidemiológico. Não existe nenhum exame de sangue especifíco, o que deixa inclusive os profissionais de saúde angustiados”, frisa.

Superlotação

Uma paciente que convive com o vírus HIV e que preferiu não ter o nome divulgado contou que foi infectada pelo vírus Zika há duas semanas. Ela ficou preocupada e temia que a imunidade dela  baixasse. “Minha infectologista explicou que, dependendo da carga viral, a doença pode ser mais agressiva. Mas graças a Deus eu fiz meu tratamento e estou ficando boa”.

Ela mora no bairro Morro da Liberdade, Zona Sul, e também reclama da superlotação do pronto atendimento. “Às vezes a gente chega aqui 6h da manhã e só é atendido depois de meio dia. E o pior é que por causa dos cortes, nem almoço eles fornecem para quem está aguardando”, relata.

Pacientes tensos

O infectologista Antonio Magela explica, também, que o vírus apontado como o responsável por casos de microcefalia em recém-nascidos cujas mães foram infectadas durante a gravidez, provoca uma tensão natural nos pacientes, principalmente quando se trata de gestantes.

“É importante dizer que é um vírus emergente, que apareceu agora em nossa realidade clínica social e as pesquisas foram iniciadas há pouco tempo. Existem muitas perguntas a respeito dele, e a nossa experiência em lidar com os casos é que irá nos trazer mais respostas”.

Em relação às gestantes, Magela afirma que elas terão atendimento diferenciado em qualquer unidade de saúde e que, em seguida, são encaminhadas para unidades referenciadas para o tratamento. “O tratamento muitas vezes é realizado nas maternidades, com um pré-natal mais cuidadoso. A criança também precisará de uma assistência especial após o nascimento, com um grande plano de acompanhamento”.

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