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Manaus
PERIGO NO TRÂNSITO

Mesmo proibidos de trafegar, tratores e outros equipamentos circulam por vias

Artigo determina que o tráfego de máquinas pesadas só pode ser realizado com autorização do Detran-AM 30/09/2017 às 05:20 - Atualizado em 30/09/2017 às 12:09
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Maquinário transita entre os veículos de passeio pelas vias da capital, mesmo com a prática sendo proibida pelo CTB (Foto: Jander Robson)
Danilo Alves Manaus (AM)

A aposentada Francinete Barroso de Souza, 57, ainda não conseguiu esquecer o dia que perdeu o neto Gabriel de Souza Barbosa para a imprudência e a falta de fiscalização no trânsito. Na última segunda-feira, o adolescente de 16 anos e o amigo dele, Pedro Antonio Freitas, 26, morreram depois que a motocicleta em que eles estavam colidiu com um trator da empresa Etam, que trafegava no cruzamento da Avenida das Flores com o Igarapé do Passarinho, na Zona Norte de Manaus. O Código de Trânsito Brasileiro (CTB) proíbe maquinários como esse de trafegar nas ruas, uma vez que eles não possuem placas. 

“Ele pegou uma carona com o amigo para ir ao trabalho. O trator circulava na avenida Passarinho, como se fosse um carro de passeio. Quando a moto passava pelo retorno da avenida das Flores, os dois se bateram”, relatou. 

A aposentada culpa o motorista do trator como autor da morte do neto. O veículo é de responsabilidade da empresa Etam e prestava serviço para a Secretaria de Estado de Infraestrutura (Seinfra), conforme contrato de licitação feito para pavimentação e outros serviços realizados na avenida das Flores, segundo publicação do Diário oficial do Estado de janeiro deste ano. Francinete explicou que, se o trator não estivesse circulando nas ruas, o acidente jamais teria acontecido.

“Ele não tinha nada que estar ali naquela hora. Se não fosse a irresponsabilidade desse homem, meu neto estaria em casa. Nós perdemos um herói. Gabriel era muito importante para mim e toda a família. Ele ajudava na renda de casa”, lamentou. 

Flagrantes

A irregularidade que matou o neto de Francinete é rotina comum nas principais ruas e avenidas de Manaus, onde tratores e outras máquinas pesadas circulam a qualquer hora do dia.  Em outros pontos da cidade esse ‘hábito’, também é comum. Na avenida Torquato Tapajós, nossa equipe de reportagem flagrou um trator circulando por volta das 11h, horário considerado de fluxo intenso no local. 

Já na avenida Nossa Senhora de Fátima, Bairro Cidade de Deus, Zona Norte, flagramosum maquinário usado na construção civil, também em horário de pico, por volta de 17h30. 

Canteiro de obras

Segundo a aposentada, no entorno do canteiro de obras da avenida das Flores, onde Gabriel morreu, o tráfego de tratores é frequente. “Antes do acidente, não havia sinalização adequada por lá, nem sequer o acompanhamento dos órgãos de trânsito. Eu denunciei o caso no 15º Distrito Integrado de Polícia (Dip). Não desejo o mal de ningué, mas quero justiça”, disse. 

A assessoria de comunicação da Seinfra informou que o trator envolvido no acidente prestava serviço para a secretaria e que a empresa contratada se responsabilizou a ajudar a família das vítimas.

Prática é irregular

O artigo 4 do CTB determina que o tráfego de tratores e máquinas pesadas em vias públicas só pode ser realizado com autorização do Detran-AM, mas conforme o órgão essa prática é proibida, pois o veículo não possui placa para circulação e só pode trafegar em um raio de até 500 metros da obra.

Fiscalização parada há sete meses

Desde fevereiro, o Departamento Estadual de Trânsito (Detran-AM) não realiza operações específicas para o controle veículos de grande porte.  Segundo o diretor-presidente do Detran, Leonel Feitoza, a operação ‘Carga Pesada’, era responsável por identificar se havia tratores ou outra máquinas pesadas circulando pela cidade.

“Além de verificar a documentação de carretas e outros veículos, nós também já flagramos diversos tratores trafegando em ruas principais. Nos últimos seis meses, cerca de 30 máquinas foram apreendidas, por conta dessa operação”, explicou. 

Leonel informou que as fiscalizações eram constantes, mas que novas operações ‘Carga Pesada’ devem ser realizadas para conscientizar novamente os condutores desses veículos.

“Na época que os casos eram mais frequentes, nós fazíamos direto esse tipo de operação. Parece que não deu jeito ainda e vamos voltar a fazer esse tipo de trabalho. Uma pena”, concluiu.  

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