Terça-feira, 20 de Agosto de 2019
SAÚDE

Mesmo reconhecida e ofertada pelo SUS, hipnose é pouco difundida no AM

A técnica é eficaz no combate a transtornos alimentares e na luta contra a obesidade, mas no Estado precisa ser mais valorizada



agora_agorinha_t_cnina_E031B177-4085-4CDB-9D3D-724AF55E6A57.JPG Thiago Aguiar diz que técnica tem múltiplos benefícios à saúde humana. Foto: Euzivaldo Queiroz
13/07/2019 às 19:19

A hipnose ainda desperta a desconfiança de muita gente. Talvez pelo seu passado ligado a rituais ancestrais que datam de 1550 a.C., no antigo Egito, reforçado pelo estereótipo dos filmes hollywoodianos que mostram mágicos controlando pessoas com um pêndulo. Na realidade, a hipnoterapia é uma prática reconhecida (e regulamentada) no Brasil pelo Conselho Federal de Medicina como ferramenta de apoio ao tratamento médico desde 1999, e pelo Conselho Federal de Psicologia desde os anos 2000, e, desde 2018, está entre os 29 procedimentos de Práticas Integrativas e Complementares (PICS) oferecidas gratuitamente à população pelo Sistema Único de Saúde (SUS). A modalidade clínica, no entanto, ainda é pouco difundida no Amazonas.

De mística, a hipnose moderna não tem nada. Quem explica é o hipnoterapeuta Thiago Aguiar, formado pela Omni Hypnosis Trainning Center (OHTC), de São Paulo. “A hipnose nada mais é do que um mecanismo mental explicado pela ciência. Entrar em estado hipnótico é algo fisiológico, natural do organismo, que experimentamos várias vezes ao dia. Entramos e saímos toda hora de estados de hipnose, pois não conseguimos ficar focados em algo o tempo todo. A cada 1h30 ficamos, em média, de 8 a 15 minutos em transe”, explana.

 “Estamos de vez em quando em estado hipnótico e não percebemos. A hipnose não é um controle mental. É um transe caracterizado pelo extremo relaxamento, atenção e foco aumentado. É um estado alterado de consciência, mas que mantém a pessoa presente. Na realidade, é o paciente que deseja ser hipnotizado e tem o controle da situação. Eu apenas conduzo o processo. Se fosse perigoso, o SUS não ofereceria como prática complementar a um tratamento médico”, defende Aguiar.

Entre os benefícios da hipnose, ele cita o aumento do poder de concentração, a superação de medos, vícios, dores e diversas doenças mentais, como a depressão e crises de ansiedade. A técnica também pode ser eficaz no combate a transtornos alimentares e na luta contra a obesidade, por exemplo.

Para ilustrar bem como a hipnose pode ajudar alguém, o hipnoterapeuta Thiago Aguiar compara o nosso cérebro a um computador. “É como se o nosso cérebro fosse um HD e a nossa mente, o software. A gente só roda os programas que estão instalados. Se um desses programas do meu cérebro me diz que devo fumar para conseguir relaxar, por exemplo, é assim que vou agir sempre. A técnica hipnótica mostra ao paciente um novo caminho, ajudando-o a instalar um ‘novo programa’ na mente subconsciente. Ou seja, se o paciente estava programado a fumar pra desestressar, com esse novo ‘programa’ (instalado com o auxílio da hipnoterapia), ele focará mais nos malefícios do cigarro. Não quer dizer que o paciente vai esquecer o ‘programa antigo’, apenas passa a não fazer mais sentido pra ele”, ilustra.

Quando a hipnoterapia é usada como complemento à psicoterapia, em uma sessão que pode durar de dez minutos a quatro horas (dependendo de cada caso), o paciente pode ser estimulado a lembrar detalhes de histórias e emoções do passado que foram total ou parcialmente esquecidas (ou mesmo bloqueadas pela mente) – que é comumente chamado de regressão. Algumas dessas memórias podem ser a chave para resolver traumas, vícios (tabagismo, alcoolismo e afins) fobias e problemas que afetam a qualidade de vida do paciente.

“Nós temos todas as imagens da nossa vida gravadas na nossa mente. Elas ficam armazenadas na memória profunda. Eu posso induzi-lo a trazer de volta essas lembranças, revê-las, para ajudá-lo a entender o que se passa hoje. É descobrir, através da hipnose, o motivo daquele sintoma (seja gagueira, tabagismo etc.) e ressignificá-lo. Assim, o problema não tem mais motivo pra existir. Hipnose é ‘reprogramar’ a mente subconsciente”, resume Thiago.

UBS do Coroado oferece meditação

A hipnoterapia ainda não é ofertada nas unidades básicas de saúde (UBS) de Manaus, contudo, de todas as 29 PICS do SUS, a Secretaria Municipal de Saúde (Semsa) informou que são oferecidas algumas atividades de iniciativas individuais (não institucionalizadas ainda) nas unidades básicas ou em centros de atenção psicossocial como a terapia comunitária integrativa, a auriculoterapia, meditação, plantas medicinais, medicamentos fitoterápicos (espinheira santa, guaco, isoflavona e unha de gato), reiki e shantal.

Como exemplo, atividades de meditação são oferecidas a um grupo de atividade física da UBS Ivone Lima, no bairro Coroado, na Zona Leste.

 “A unidade mantém um grupo com a prática de meditação toda sexta-feira, com 18 a 20 pessoas, ajudando de forma coadjuvante no tratamento dos pacientes. São utilizadas várias técnicas de meditação, mas o foco é a respiração, permitindo que o indivíduo possa utilizar a técnica em casa ou em outros locais, de acordo com a rotina de cada um, ajudando a melhorar problemas como ansiedade, insônia e estresse”, ressaltou a fisioterapeuta Joselaine Dantas, que integra a equipe do Núcleo Ampliado de Saúde da Família.

Evento da Susam

Já na rede estadual de saúde, de acordo com a Secretaria de Estado de Saúde (Susam), oito instituições possuem Cadastro Nacional de Estabelecimentos de Saúde (CNES), ofertando serviços pontuais como a aplicação de auriculoterapia, reike, massagem terapêutica, terapia comunitária integrativa, além da hipnoterapia no FHemoam, entre outras.

A Susam informou que está em processo de capacitação dos profissionais para o fortalecimento das PICS na rede estadual de saúde. Inclusive, está sendo elaborada a programação do “I Congresso de Práticas Integrativas e Complementares”.

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Repórter do caderno de Cidades - Jornal A Crítica

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