Quarta-feira, 20 de Outubro de 2021
Preconceito

“Meu filho foi alvejado por uma pessoa que não aceita o que ele é”, afirma mãe de jovem vítima de homofobia

Emanuel Medeiros Marinho de Almeida e Jonas Nogueira Júnior foram insultados e baleados por um homem ainda não identificado



bbbb_8BF3FD60-BCB7-4D4F-A9D0-49326FC86447.jpg Foto: Reprodução
13/09/2021 às 21:42

“Ele atirou pra matar o meu filho e o meu genro, ele não atirou pra fazer medo, atirou pra matar. O meu filho é a coisa mais importante que eu tenho na minha vida, a única coisa boa que eu fiz. O meu filho foi alvejado por uma pessoa simplesmente por ela não aceitar o que meu filho é”.

O desabafo é da autônoma Gilzelia Medeiros de Beito, 61, mãe de Emanuel Medeiros Marinho de Almeida, e sogra de Jonas Nogueira Júnior, ambos de 25 anos. O casal afirma ter sido vítima de homofobia no último sábado (11), na praça do conjunto Eldorado, no bairro Parque Dez de Novembro, Zona Centro-Sul de Manaus, quando foram insultados e baleados por um homem ainda não identificado.

De acordo com uma das vítimas, Jonas teve o pulmão perfurado por um dos tiros e segue internado, sem previsão de alta, porém, o quadro de saúde dele é estável. Emanuel, que foi atingido no ombro, recebeu alta médica e se recupera em casa. De acordo com o casal, eles estavam em uma moto e foram perseguidos pelo homem, que estaria acompanhado de, pelo menos, quatro pessoas em um carro.

Ao A CRÍTICA, Emanuel disse que espera que o responsável e quem foi conivente com ele sejam punidos pela forma da lei e que não tenham seus crimes atenuados. “É algo muito sério você ferir e tentar matar uma pessoa simplesmente pelo o que ela é. Isso é terrorismo”, disse a vítima.

“Infelizmente, o que aconteceu com a gente não é exceção, é regra. E o que eu espero é que o Estado tome providências para que essa realidade mude e que o nosso caso não seja mais um a ser arquivado, sem culpado, e que nada aconteça. Mas, que sirva de exemplo, e que traga à tona para as pessoas o quão grave a homofobia é, e o que ela pode levar. Muitos casos levam a morte”, alertou.

Emanuel afirma que, apesar de a polícia ter sido solícita com o caso, as estruturas burocráticas do sistema ainda dificultam a agilidade das ações em casos de homofobia. “Não tem verba investida, então, os órgãos acabam extremamente desatualizados, não tem um sistema integrado. Você tem que partir pra uma instância superior para ter um atendimento que você resolveria em uma delegacia”, contou.

Ao comentar sobre o caso, a mãe de Emanuel pediu respeito e confessa que o medo ainda atormenta. “A única coisa que queremos é respeito. O meu filho e o Júnior são casados, e ninguém tem nada a ver com isso, que as pessoas cuidem de cada um, porque devemos respeitar todas as formas de amor, essa frase já é bem antiga. Ele segue a vida dele respeitando e caminhando como um cidadão de bem, e acaba sendo alvejado por um cara que nunca viu na vida?”, lamentou.

“Hoje, eu vejo um no hospital e ele em casa. Graças a Deus que não foram a óbito. Mas nós, mães de homossexuais, quando a gente passa na rua com eles, todo dia a gente morre um pouco, e sabe que eles morrem também. Mas, a gente ressurge das cinzas e começa tudo de novo,” finalizou.




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