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‘Meu lema é: agravou, cortou; agravou mais, cortou mais’, declara Artur Neto

Prefeito de Manaus assegura que, apesar das dificuldades econômicas, manterá investimentos em saúde e educação ao longo de 2016, não permitirá reajuste na tarifa de ônibus e não aumentará impostos 02/01/2016 às 13:39
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Artur Neto, prefeito de Manaus
Saadya Jezine ---

Candidato natural à reeleição neste ano, o prefeito de Manaus, Artur Neto, faz uma avaliação de seu mandato até agora e detalha as metas para o ano que começa. Mesmo diante das dificuldades econômicas que devem perdurar ao longo dos próximos meses, o prefeito garante que não promoverá aumento de impostos e que está tomando as medidas necessárias para evitar o aumento da tarifa de ônibus. Entre essas medidas estão as intervenções na mobilidade urbana da cidade - como as faixas azuis - que devem contribuir para a redução dos custos das empresas, uma vez que ocasionam mais rapidez nos trajetos e menor gasto com combustíveis.

Entre as prioridades para este ano está a manutenção do equilíbrio das contas públicas e investimentos em saúde e educação. 

Qual seria a prioridade para a prefeitura em 2016?

O objetivo principal é nos mantermos adimplentes com o salário de servidores e preservar os investimentos principais de infraestrutura da cidade, além de continuar investindo nas principais necessidades que são educação e saúde. O meu lema é:  agravou, cortou; agravou mais, cortou mais. Austeridade é a palavra de ordem. E manter os investimentos, também.

Quais as prioridades para investimentos?

Em 2015, fechamos bem o ano. Nós temos que investir em turismo, que é uma vocação nossa e pode ser feito em curto prazo. Já em médio prazo, teremos o Centro de Biotecnologia da Amazônia (CBA) que foi abandonado por esse governo que se encontra no poder. Poderíamos estar com a crise bem amenizada ou sem crise alguma se não tivessem nos abandonado. Estaríamos agora exportando fármacos para o mundo.

Que medidas tomadas na sua administração terão continuidade neste ano?

Ampliar a galeria dos Remédios e melhorar a galeria Espírito Santo. Com isso, fica praticamente resolvida a situação dos camelôs. A fim de desobstruir a parte central de Manaus, devemos finalizar as obras do Terminal 2. Pretendemos concluir as obras do centro da cidade que dependem de recursos federais. A Eduardo Ribeiro, com recurso próprio, será inaugurada a sua segunda etapa nesses três primeiros meses de 2016.

Quais são as metas para a educação?

Eu espero obter uma melhoria no ensino básico, colocando Manaus entre as 12 primeiras cidades em aproveitamento. Hoje Manaus está em as três últimas, infelizmente. Deveria ficar entre a sétima cidade em termos de educação. Tudo isso por uma conta bem simples: Manaus é o sétimo PIB do País.

E quanto ao planejamento para a saúde?

A minha ideia era fechar 2016 com 100% de atendimento básico na saúde. Atualmente, 30% pertencem aos planos de saúde. A prefeitura, que cobria 23%, passou para 53%. Faltaria, então, 17% o que não seria difícil realizar em dois anos. A crise em 2015 fez pessoas perderem seus empregos, perdendo seus planos de saúde e aumentando a demanda por serviço público. O objetivo agora é que cheguemos a 60% ou mais em atendimentos básico. 40% das demandas das UBS's estão em diabéticos  e hipertensos. Para isso estamos aumentando os medicamentos nesses locais e investindo nas academias ao ar livre.

Que compromissos de campanha não poderão ser concretizados até o final do seu mandato?

 Manaus tinha uma creche quando eu cheguei ao governo, eu já tenho 14 creches funcionando e deverei fechar 2016 com pelo menos mais 30. Eu acreditava que pudesse fazer mais de 100. Pago metade de cada creche e o governo federal metade. O custeio, que é o principal, eu pago 90% em cada uma, e o governo federal apenas 10%. Portanto, isso é uma meta que eu não consigo alcançar (sozinho). Uma das minhas vontades era ver Manaus livre dos aluguéis (de escolas), mas é impossível também porque as crianças não podem parar de estudar e não temos como construir escolas apenas com dinheiro da prefeitura.

 O fechamento das escolas gerou polêmica em 2015. O objetivo era justamente acabar com aluguéis e reduzir gastos. O que o senhor tem a dizer sobre isso?

Os alunos foram realocados para perto de suas casas. A prefeitura se livrou de seis aluguéis, economizando R$ 7 milhões/ano e nenhum aluno deixou de estudar. A mudança foi apenas uma  racionalização. Diminuímos em 20% os aluguéis e a locação de novos pontos estão congeladas desde 2013. Existem escolas precárias, não precisa ninguém me dizer pois eu sei disso, o que faltou foi dinheiro. Mas existem escolas medianas, e outras bem postas fisicamente. A gente tem trabalhado do melhor jeito para fazer todas elas funcionarem. Eu não tenho nada para questionar do Funbdeb, muito pelo contrário, eu aceitaria mais recurso dele.

E com relação à Cidade das luzes? Qual o seu posicionamento sobre o processo de reintegração de posse?

Eu faço aquilo que eu julgo justo. Acompanhei passo-a-passo com o delegado Sérgio Fontes a evacuação das pessoas da Cidade das Luzes e sei que, na verdade, aquele era um ambiente claro de tráfico de drogas que não podia perdurar. A minha voz já estava chata para o secretário, e ele fez no momento próprio com muita competência.

 O contribuinte vai gastar mais em 2016? Existe previsão de reajuste de tributos?

Não estamos planejando nada que signifique aumento de tributos. O nosso povo já paga tributos demais. A carga tributária do País coloca o povo brasileiro em desvantagem em relação aos seus competidores. São países com 16, 17% enquanto no Brasil tem 37% de carga tributária.

A tarifa de ônibus será mantida?

Mantém. Eu posso elencar subsídios que agora vão  funcionar para segurar a tarifa. Terminal 2 vem moderno. Terminal 6, que os empresários assumiram compromisso de fazer um provisório que servisse para o futuro BRT, que acredito que será implantado aqui. Alem disso tem o consórcio operacional que premia as empresas que fazem mais linhas. A biometria facial, mostrando quem é realmente o dono da carteirinha estudantil. Faixas azuis, que melhoraram muito a velocidade média dos ônibus, diminuindo consumo de combustível e o custo operação das empresas. Temos tomado todas as medidas possíveis para baixar os custos das empresas. Portanto, o aumento não está no meu horizonte para 2016.

Então o senhor acredita que o BRT será construído pelo Governo Federal?

Acredito que sim. Até 2018, creio que sim, mas é difícil dizer porque foi aberto um mar de incertezas no Brasil. A presidente Dilma disse ao então governador Omar Aziz e a mim que iria retirar a proposta do PAC da Copa e passar para o PAC da mobilidade urbana, porque o monotrilho estava emperrado e demoraria muito mais. Agora, não sei como Governo Federal está em relação a cumprir a solicitação de empréstimos, mas eu vou fazer o meu papel e pedir (verba para o BRT). Imagino que o governo se sensibilizará porque é algo importante para o próprio governo.

O senhor é a favor do impeachment?

Quanto custa para nós um impeachment? Quanto vai custar para economia brasileira? O impeachment custa muito em matéria de decréscimo econômico diante da agitação política. Quanto custa o não impeachment? Desespero, falta de emprego, suicídios, famílias se dissolvendo, uma porção de perversidade. Por questões partidárias, jamais participaria do governo Dilma ou Temer, mas não negaria participar de um projeto para o Brasil com a presidente Dilma ou com o seu vice, para planejar o desenvolvimento do Brasil. Inclusive, na possibilidade não haver o impeachment, ela vai ter que realizar algo como isso. E eu não sou contra ajudar.

O senhor votaria a favor da “pauta bomba?”

Não consigo me ver votando para derrubar esse projeto. Não consigo. E essa é uma crítica que eu faço ao PSDB, que ficou votando muito parecido com o PT. Tentei te dar uma resposta mais elaborada sobre o impeachment porque a resposta simples é “sim, todo mundo quer, o Brasil todo quer, 70% dos entrevistados dizem que querem”. Eu te digo que nesse ritmo ela (Dilma) não aguenta três anos. Ela pode não aguentar de duas formas: sofrendo impeachment ou renunciando. E o absurdo de tudo isso, é que tem gente que fala do impeachment como se tivesse comprando um picolé.

Reeleição passa pela sua cabeça? O senhor tem em mente algum vice?

Quem está no governo tem possibilidade de reeleição. É óbvio que tem que passar pela cabeça dele se reeleger, brigar pela reeleição. E vejo também uma questão ética, se você fez um bom governo e tem uma possibilidade de reeleição, é uma questão ética você disputar. Dar ao povo a chance de escolher se o que você fez durante os quatro anos dará continuidade ou não. Seria uma hipocrisia dizer que não passa pela minha cabeça, mas acontece que eu ainda não trabalhei a ideia. Não tratei disso por uma razão simples. É que seria irresponsável nessa hora que eu estou com tanta atribuição, tanto encargo e responsabilidade.

Está nos seus planos  pavimentar o caminho pra voltar retornar ao Senado Federal?

Nesse ponto eu sou muito compartimental. Primeiro vou tomar a decisão de disputar ou não disputar a reeleição. Vou tomar essa decisão com muita maturidade, sem que atrapalhe meu atual mandato. Se eu tomasse e compartilhasse essa decisão hoje eu estaria realizando um ato contra a minha atual administração. Senado, então, nem me passa pela cabeça. Sempre tive dificuldade de largar  meus mandatos pela metade eu nunca larguei. Se eu tiver que disputar uma reeleição e me reeleger, a minha ideia mesmo é ir até o final.

Como o senhor “assiste” o seu filho desempenhando, no parlamento, um papel pelo qual o senhor se destacou nacionalmente tempos atrás?

Eu estou muito orgulhoso de falar sobre o mandato dele (deputado federal Arthur Bisneto) porque, atualmente, ele ocupa a linha de frente de muitas discussões importantes para o partido. Ele exerce um mandato infinitamente melhor do que exercia antes, como vereador. O partido é o maior em termos de oposição e ele é verdadeiramente um dos líderes. Seu discurso é sempre muito coerente, assim como seu posicionamento.

Perfil Artur Virgílio Neto

Idade: 70

Cargo atual: Prefeito de Manaus

Formação: diplomata, iniciou carreira como conselheiro no Itamarati em 1976.

Experiência política:  Iniciou na vida política em 1978, sendo o segundo deputado federal mais votado na capital. Ex-senador , ocupa o cargo de prefeito de Manaus pela segunda vez.  


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