Domingo, 19 de Maio de 2019
MASSACRE NO COMPAJ

‘Meu marido foi identificado, mas não encontraram a cabeça’, diz mulher de detento

Familiares lotaram a frente do IML de Manaus na esperança de terem identificados parentes mortos no massacre dos presídios



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Foto: Antônio Lima
05/01/2017 às 09:47

Familiares das vítimas do massacre no Complexo Penitenciário Anísio Jobim (Compaj) denunciam que o número de mortos pode ultrapassar o total divulgado pela Secretaria de Segurança Pública (SSP). “Eles estão escondendo muita coisa. Eu sei que há muito mais mortos, fora os que a polícia matou no meio do mato. Meu marido foi identificado, mas ainda não encontraram a cabeça dele”, denunciou a mulher de uma das vítimas, que não quis se identificar por medo de represálias da facção rival. 

Nesta quarta-feira (4) muitas pessoas lotaram a frente do Instituto Médico Legal (IML) na esperança de terem os parentes identificados. A aflição amenizou para a dona de casa Dejane de Oliveira, 48, que na última segunda-feira ainda tinha esperanças de que o filho estivesse vivo, conforme relatou para o portal ACRÍTICA. Nesta manhã, ela foi ao IML buscar os últimos documentos que faltavam para enterrar o filho, que ela preferiu não divulgar o nome. 

“Ontem  conseguiram identificá-lo mas ainda existem muitos parentes aqui nesta agonia querendo dar ao menos um enterro digno. O governo está ajudando com o funeral, mas sinceramente, depois de morto não adianta muita ajuda não. Tinham que ajudar na segurança deles quando eles estavam vivos”, lamentou. 

A dona de casa Janaína Silva, 32, ainda não pôde retirar o corpo do irmão, Willamys Silva Souza, 29, do IML. Ele ainda não foi identificado pela perícia, mas ela já tem certeza que ele está morto. “Eu o reconheci por uma das fotos, reconheci uma tatuagem na perna dele (um palhaço, um dos símbolos usados por facções nas cadeias). Nós não concordávamos com o que ele fazia, ninguém da família concordava. Mas era meu irmão, nunca demos as costas pra ele e estávamos pagando um advogado para ajudá-lo a sair de lá. Falávamos com ele sempre pelo telefone, mesmo da cadeia", comentou. 

Ela criticou o sistema e disse que o irmão estava bastante debilitado. “Ele tinha que se operar de uma hérnia, marcamos a cirurgia quatro vezes pra ele e o presídio não levou ele nenhuma das vezes. Temos tudo documentado”, reclamou. Ainda segundo informações dos parentes, 30 dos 38 corpos identificados foram decapitados.


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