Quinta-feira, 19 de Setembro de 2019
Manaus

Migrantes de outros estados são 40% dos acolhidos em programa no AM

Parte deles é usuária de drogas e o serviço de resgate precisa usar estratégias multidisciplinares



1.jpg Dados do Centro de Acolhimento mostram que boa parte dos moradores de rua trabalham, mesmo que informalmente
05/10/2013 às 08:58

Dados da Secretaria Municipal de Assistência Social e Direitos Humanos (Semasdh) revelam que 40% dos moradores de rua que passam pelo Serviço de Acolhimento Institucional (SAI) Amine Daou Lindoso são oriundos de outros Estados. A situação dos moradores de ruas foi assunto após uma agência bancária colocar pedras na calçada para evitar a presença deles durante a noite.

Aproximadamente 674 pessoas em situação de rua já passaram por algum atendimento, tanto no Centro de Referência de Assistência Social para População de Rua (Centro POP), a estimativa da Semasdh é de que o número de pessoas que moram na ruas é ainda maior.

“Não temos como contabilizar todas as pessoas porque nem todos aceitam a nossa ajuda, nossas equipes vão pelas ruas e informam sobre os nossos serviços, deixam um panfleto, informam o nosso endereço, e eles nos procuram voluntariamente, não os forçamos a nada”, destaca a diretora do Departamento de Proteção Social Especial (DPSE), Gecilda Albano.

Desse total de desabrigados, cerca de 80% são usuários de drogas, de acordo com informações colhidas pelas equipes da Semasdh. No entanto a diretora do DPSE, salienta que apesar desse quantitativo, existem pessoas que não têm nenhum tipo de vício, mas que não tem condições sociais para se manter. “São pessoas solteiras, que trabalham na feira, são carregadores e chegam no final de um dia de trabalho e por algum motivo não têm onde dormir, a população os vê como marginais, vagabundos, mas não sabe que existem ‘n’ fatores que fizeram aquela pessoa estar naquela condição”, frisa.

Durante o período de acolhimento no SAI, as equipes da Semasdh ajudam esses moradores a deixarem os vícios. “Temos que ser cautelosos, conquistar a confiança deles, oferecemos alimentação, higienização, atendimento médico e jurídico para os que precisam, providenciamos documentação para quem não tem e um abrigo provisório, nosso trabalho é de reestabelecer o convívio dessas pessoas com a família, temos que identificar quem são os parentes”, descreve Albano.

A maior concentração desses moradores de rua, pedintes e mendigos na faixa etária a partir de 18 anos, está no Centro da cidade. Em segundo lugar na concentração de moradores de rua, está a Feira da banana, na Bola do Produtor, Zona Leste de Manaus, de acordo com o mapeamento realizado pela secretaria.

Albano conta que a abordagem desse público é realizada a partir da 21 horas, com uma equipe de assistente social, psicólogo e administrativo. “Não podemos chegar de qualquer jeito, eles se sentem socialmente excluídos, a maioria não tem condições mínimas”, conta Gecilda Albano.

Mais de 340 atendidos neste ano

O Centro de Referência Especializado da Assistência Social para População de Rua (Centro POP), é o único existente no Amazonas e é coordenado pela Prefeitura de Manaus. Na unidade são atendidas 346 das 463 pessoas de diversas origens, inclusive estrangeiros, cadastradas.

Existem moradores que utilizam as calçadas de agências bancárias, lojas, praças e locais abandonados para passarem as noites, muitos, escolhem lugares fixos e só saem de lá quando são expulsos ou quando o local recebe alguma intervenção como no caso mostrado esta semana por A CRÍTICA, em que a agência do Bradesco do Parque Dez, Zona Centro-Sul, fixou pedras para afastar os sem-tetos.

Nos casos das crianças e adolescentes que moram nas ruas o atendimento é feito pelo Governo do Estado. De acordo com A coordenadora do Criança Cidadã, Francilene Nascimento, elas recebem serviços sócio-assistenciais, que proporcionam condições para o alcance da autonomia, estimulando a orientação e a participação social dessa população, com atividades sócio-educativas, visitas domiciliares e reuniões com as famílias. “Nos últimos cinco anos, foram cadastrados 245 crianças e adolescentes e 58 retomaram o convivio familiar’, disse.


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