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Mingau é a herança do nordeste que ganhou as ruas, mercados e feiras de Manaus

Nos bairros da capital ainda é comum um vendedor passar pelas ruas todo fim de tarde, com um carrinho de mão e duas panelas de alumínio - normalmente bem areadas -, oferecendo a iguaria. E quem nunca correu atrás do vendedor de mingau? 23/10/2015 às 17:01
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O maranhense Adalberto conta, com orgulho, que sustentou a família e comprou a casa própria ‘vendendo mingau’
Luana Carvalho Manaus (AM)

Todo mundo já deve ter experimentado um delicioso mingau de milho verde - ou mungunzá,  como conhecemos – branquinho, com um pouco de leite condensado e uma pitada de canela por cima, tradicional nos bairros de Manaus. O prato, de origem nordestina, chegou ao Amazonas no período áureo da borracha, quando milhares de nordestinos desembarcaram para trabalhar nos seringais da região. 

Não deu outra.  Além do mingau de banana, com sabor e textura que só se encontra aqui, o mungunzá foi facilmente introduzido  na culinária local e continua sendo apreciado por muitos manauenses. 

Nos bairros da capital ainda é comum um vendedor passar pelas ruas todo fim de tarde, com um carrinho de mão e duas panelas de alumínio - normalmente bem areadas -, oferecendo a iguaria. E quem nunca correu atrás do vendedor de mingau?

Uma das “atrações” do tradicional Mercado Municipal Adolpho Lisboa, no Centro, o maranhense Adalberto Soares, 45, vende mingau há 25 anos na cidade e conta que já conquistou muitos clientes. A história dele, como a de muitos que migraram para a capital do Amazonas, começou do “zero”.

“Quando ainda era criança fui morar com minha família em Uruará, no interior do Pará. Era uma vida difícil, sem nenhuma perspectiva de emprego. Nem meus estudos consegui terminar”, lembra. 

Aos 20 anos de idade ele ouviu comentários de que muitos amigos estavam “se dando bem”  com a venda de mingau em Manaus. “Não deu outra. Juntei dinheiro e vim para cá”. Com muito mais sonhos do que roupas na bagagem, Adalberto foi morar no bairro Cachoeirinha, na Zona Sul, onde aprendeu a fazer mingau e também saiu às ruas com um carrinho de mão pela primeira vez. 

“Essa cidade representa tudo na minha vida. Chegando aqui consegui me estabelecer com a venda de mingau, de sol a sol. Terminei o ensino médio e conheci minha esposa, que hoje batalha junto comigo e também é responsável por tudo que conquistamos juntos”, conta.

Batalha e realização

 Até hoje, é ele mesmo quem prepara o delicioso mingau.“O de milho verde passa a noite inteira no fogão. Acordo às 4h para fazer o de banana e terminar os preparativos do mungunzá. Às 6h já estou no mercado”, conta, enquanto atende a três clientes de uma só vez no Mercado Municipal Adolpho Lisboa, onde faz sucesso. “Seja de manhã ou de tarde, sempre tenho clientes manauaras ou turistas querendo experimentar o mingau”. 

Com a herança da culinária nordestina, ele conseguiu fazer dinheiro e comprar uma casa e seu carro próprio. “Graças a Deus e ao diferencial do meu atendimento consegui conquistar, aos poucos, o que tenho hoje. Não tenho vergonha de dizer que sou vendedor de mingau, que comecei vendendo no carrinho de mão nas ruas da Cachoeirinha. Tenho muito orgulho do meu trabalho e dessa cidade, que me proporcionou tudo que tenho”. 



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