Quarta-feira, 17 de Julho de 2019
AÇÃO

Ministério Público do AM deflagra operação contra ex-diretores de David Almeida

Coronel PM Nilson Cardoso e o advogado José Júlio César Corrêa foram diretores da Superintendência Estadual de Habitação (Suhab)



david_E05DFE36-BF7D-4725-A5F5-63DA94ECDE01.jpg Foto: Arquivo AC
18/06/2019 às 09:24

O Ministério Público do Estado (MP-AM) deflagrou, na manhã desta terça-feira (18), a Operação Bilhete Premiado, em Manaus. Mandados de busca e apreensão estão sendo realizados nas residências do coronel PM Nilson Cardoso e do advogado José Júlio César Corrêa.

Os dois foram diretores da Superintendência Estadual de Habitação (Suhab) durante o governo interino do ex-presidente da Assembleia Legislativa do Estado, David Almeida (Avante).

O MP-AM investiga as denúncias de irregularidades na contratação da empresa Ezo Soluções Interativas Ltda pela Suhab, desde o ano passado. Um balanço geral da ação deve ser divulgado ainda hoje.

Detalhes do negócio

Em julho do ano passado, A Crítica divulgou em uma reportagem que o ex-governador interino do Amazonas, David Almeida, sabia do negócio bilionário da Suhab com a empresa Ezo Soluções Interativas Ltda., que pretendia receber do governo estadual R$ 5 bilhões alegando ter recuperado R$ 27 bilhões de valores do Fundo de Compensação de Variações Salariais (FCVS) e pagar R$ 200 milhões de honorários ao advogado José Júlio César Corrêa, nomeado por David como número 2 da Suhab, à época.

De acordo com documentos obtidos pela reportagem, a proposta da Ezo foi encaminhada com o nome do então governador David Almeida ao gabinete particular dele, na Casa Civil, no dia 21 de junho do ano passado, e protocolado às 14h51.

O documento entregue pela Ezo diz: “Exmo. Sr. David Antônio Abisai Pereira de Almeida, Governador do Amazonas. Senhor Governador, alinhado ao propósito de prover as condições, necessárias, para que os objetivos do Estado do Amazonas se concretizem (...) vimos pela presente manifestar nosso interesse em implementar o projeto...”.

David Almeida chegou afirmar por diversas vezes que não sabia do negócio com a Ezo: “É um contrato que não tem participação alguma do governador. Não houve participação. O contrato é de total responsabilidade da superintendência e sua procuradoria”. Segundo David, a denúncia era eleitoreira e não podia ser chamada de golpe porque nenhum centavo saiu dos cofres do Estado.

Antes, ele já havia dito que não tinha qualquer participação nas negociações e que todo o processo era de inteira responsabilidade dos gestores da Suhab, à época, quase todos nomeados por ele e investigados pelo MP-AM: o próprio José Júlio César Correa, César Augusto Marques da Silva, Leandro Carlos Spener Xavier e Nilson Soares Cardoso Júnior, que era o superintendente.

Do gabinete pessoal de David Almeida, o projeto foi encaminhado em um despacho, dois dias depois, no dia 23 de junho de 2017, de acordo com os documentos, para a Suhab, tendo parecer favorável.

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