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Ministério Público do Trabalho investiga supostas fraudes no sistema rodoviário

Denúncia feita por empresário, de cobrança de propina para a não realização de greves, começou a ser apurada pelo MPT 01/03/2013 às 09:58
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Paralisação prejudicou milhares de trabalhadores logo durante a manhã
Florêncio Mesquita Manaus

O diretor financeiro do Sindicato das Empresas do Transporte Coletivo Urbano de Manaus (Sinetram), César Tadeu Teixeira, prestou depoimento na manhã de terça-feira, no Ministério Público do Trabalho (MPT), sobre a denúncia que ele fez de cobrança de propina e extorsão por parte do Sindicato dos Rodoviários, presidido por Josildo Oliveira. O início dos esclarecimentos à Justiça ocorreu 27 dias depois de Teixeira ter revelado que o Sindicato dos Rodoviários cobrava de R$ 40 mil a R$ 125 mil dos empresários do setor para não fazer greve no sistema de transporte coletivo de Manaus.

Nenhum dado do depoimento ao MPT pode ser informada porque a ação está sob segredo de justiça. No entanto, segundo informações obtidas por A CRÍTICA relatam que Teixeira apresentou argumentos e provas que sustentam a denúncia.

A procuradora chefe substituta do MPT, Alzira Melo Costa, oficializou uma representação que foi distribuída entre os procuradores do órgão. O procurador do trabalho Vitor Borges ficou responsável pelo caso. Ele abriu um inquérito civil público para investigar a denúncia. César Tadeu foi ouvido, mas os detalhes são sigilosos. Nem mesmo a data da próxima audiência pôde ser informada. O MPT não possui competência criminal e conduz a investigação embasada na suposta conduta anti-sindical dos rodoviários.

César Tadeu Teixeira fez as declarações no dia 1º fevereiro depois que os trabalhadores da empresa Líder, uma das dez que atuam no transporte público da capital, fizeram uma greve supostamente por influência do sindicato da categoria. A empresa pertence à Teixeira. Ele não resistiu ao discurso dos irmãos Josildo e Jaido Oliveira, presidente e diretor de negociação de greve do sindicato, respectivamente, na garagem da empresa e soltou, aos gritos, as acusações para todos os veículos de imprensa que estavam no local.

Na ocasião, o diretor declarou: “Para não parar a Eucatur, outro dia a empresa teve que ‘tocar R$ 40 mil conto neles’, senão, eles paravam a empresa. Eles vão lá pressionam e pegam com o tesoureiro na marra. Essa é a verdade. Eu não tenho medo”, disse. Ele ainda pediu que o Ministério Público Estadual (MPE) e a Polícia Federal (PF) investigassem a afirmação a fim de que a extorsão fosse comprovada.

O sindicato dos rodoviários rebateu a denúncia e classificou-a como infundadas. “Se ele dá dinheiro é para a turma dele e não para a nossa”, disse Givancir Oliveira, irmão de Jaido e Josildo. Para o prefeito de Manaus, Artur Neto, a relação de Tadeu com o Sindicato dos Rodoviários virou caso de polícia.

Revelação
César Tadeu afirma que os donos das empresas de transporte coletivo são obrigados a pagar os valores para a diretoria do sindicato, caso contrário, teriam suas empresas paralisadas dada a influência do sindicato com os rodoviários.

Investigação
O prefeito de Manaus, Artur Neto, estava presente na garagem da empresa Líder Transportes, quando o empresário César Tadeu Teixeira fez a denúncia de extorsão. Segundo Artur Neto, o Ministério Público tinha margem para agir ser sem ser provocado por uma das partes. O MPT deve ouvir os demais envolvidos para juntar fragmentos que fortaleçam ou enfraqueçam a denúncia.

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