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Ministério Público instaura inquérito para investigar morte de periquitos em Manaus

Necropsia feita pelo Ibama em seis periquitos, dos 200 encontrados mortos, aponta que eles sofreram hemorragia interna, mas não é conclusiva. Ação Civil Pública requisitada expede notificações para tomada de depoimentos e esclarecimentos, além de perícias e documentos sobre a morte em massa das aves 03/12/2014 às 15:47
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População se revolta contra morte dos periquitos que viviam nas palmeiras de um condomínio de luxo, em Manaus
Luana Carvalho Manaus (AM)

O Ministério Público do Estado do Amazonas (MPE-AM) instaurou um inquérito civil para investigar a morte de mais de 200 periquitos, encontrados na última quinta-feira (27), caídos em plena avenida Ephigênio Salles, na Zona Centro-Sul de Manaus. A Ação Civil Pública expede notificações para tomada de depoimentos e esclarecimentos, requisita informações, além de perícias e documentos sobre a morte em massa dos pássaros.

O processo de número 4596.2014 foi instaurado pela promotora de Justiça titular da 50ª Promotoria de Justiça Especializada na Proteção e Defesa do Meio Ambiente e Patrimônio Histórico (PRODEMAPH), Kátia Maria Araújo, depois da grande repercussão que o assunto teve na imprensa. 

No inquérito, ela considera que, de acordo com“os termos do artigo 225 da Constituição da República, o meio ambiente é bem de uso comum do povo, estabelecendo ainda que as condutas lesivas ao meio ambiente sujeitarão os infratores, pessoas físicas ou jurídicas, às sanções penais e administrativas, independente da obrigação de reparar os danos causados”. 

Necropsia 

A necropsia feita pelo Instituto Brasileiro do Meio Ambiente e dos Recursos Naturais Renováveis (Ibama) em seis periquitos, dos 200 encontrados mortos, aponta que eles sofreram hemorragia interna. Apesar do resultado inconclusivo, o médico veterinário do órgão, Diogo Lagroteria, trabalha com duas suspeitas: intoxicação por  agentes químicos ou trauma com algum veículo pesado. 

O exame foi realizado na última segunda-feira (1). Depois disso, as amostras foram enviadas para laboratórios de toxicologia nos Estados da Paraíba e Minas Gerais. “Só vamos ter o laudo técnico depois dos exames nos laboratórios. Normalmente o prazo é de 15 dias”, adiantou. 

O Instituto de Proteção Ambiental do Amazonas (Ipaam) recolheu 40 periquitos no mesmo dia em que as aves apareceram mortas.  Destes, alguns foram enviados para o Ibama e outros para o departamento de medicina veterinária da Escola Superior Batista do Amazonas (Esbam).  

“O que a gente consegue dizer é que macroscopicamente, todos tinham uma hemorragia intensa, levantando as nossas duas maiores suspeitas, que é tanto a intoxicação por algum agente químico, ou algum trauma com caminhão. As duas se enquadram no resultado preliminar”, comentou Diogo. 

De acordo com o veterinário, as investigações estão sendo feitas por duas instituições para não haver dúvidas no laudo. “O Ipaam também enviou as mostras para a faculdade de medicina veterinária da Esbam para termos uma prova e contraprova”. Ele esclareceu, ainda, que os periquitos foram enviados a outras cidades por falta de laboratórios de toxicologia veterinária no Amazonas. 

“Um laboratório de toxicologia não tem em qualquer lugar, então procuramos mandar para as universidades públicas para que os resultados sejam comprovados”.
A Clínica Veterinária da Escola Superior Batista do Amazonas (ESBAM) informou que o material ainda está em análise, sem previsão de data  para conclusão da necropsia.  

Revolta

No último sábado (29), aproximadamente 300 pessoas ocuparam a frente do condomínio de luxo Efigênio Sales, na avenida homônima do bairro Aleixo, na Zona Centro-Sul de Manaus, para protestar e pedir justiça pelos mais de 200 periquitos encontrados mortos na última quinta-feira (27). Apesar da causa das mortes ainda estar sendo investigada, os manifestantes acreditam que os animais foram envenenados. 

O protesto foi marcado pela Facebook e reuniu pessoas de diferentes idades e bairros da cidade, além de membros de Organizações Não-Governamentais (ONGs) de proteção animal. Apesar da lentidão que o ato causou ao tráfego de veículos no local, a manifestação recebeu apoio dos motoristas

 

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