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Ministério Público quer discutir segurança pública em Manaus

Audiência pública marcada para o dia 23 de outubro quer encontrar soluções para o problema da criminalidade em Manaus 23/09/2015 às 10:54
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Promotor de Justiça João Gaspar Rodrigues coordenará a audiência pública no auditório localizado na sede do MP-AM
Aristide Furtado ---

Passados dois meses da maior chacina do País em um único final de semana, este ano, com 37 assassinatos, crimes de pistolagem ocorrendo quase todos os dias, disputa por pontos de tráfico, escândalos em penitenciária e o total de 542 homicídios em sete meses, o Ministério Público Estadual (MP-AM) está convocando autoridades e a população para discutir os problemas da segurança em Manaus.

A iniciativa é da 61ª Promotori de Controle Externo da Atividade Policial, órgão coordenado pelo promotor de Justiça João Gaspar Rodrigues. A convocação da sociedade e as regras da audiência, marcada para o dia 23 de outubro, a partir das 9h, foram publicadas na edição de ontem do Diário Eletrônico do MP-AM. O evento ocorrerá no auditório Procurador de Justiça Carlos Alberto Bandeira de Araújo, na sede da Procuradoria Geral de Justiça do Amazonas, na estrada da Ponta Negra.

Qualquer cidadão ou cidadã poderá participar do encontro que será presidido pelo titular da 61ª Promotoria. A audiência servirá, segundo a portaria de convocação, para debater assuntos relativos à segurança pública em Manaus, no contexto do Estado do Amazonas, encontrar soluções plausíveis para os graves problemas enfrentados pela população manauara e realizar encaminhamentos junto ao Poder Público.

“A referida audiência pública será aberta a toda a sociedade, onde os participantes, devidamente inscritos, terão o direito de manifestação de viva voz, apresentando suas contribuições e sugestões a respeito da Segurança Pública no Estado do Amazonas”, diz um dos artigos da portaria. No evento, as autoridades que lidam com a área de segurança terão a oportunidade de prestar esclarecimentos à sociedade, por exemplo, sobre as investigações do fim de semana sangrento, entre os dias 17 e 19 de julho, no qual 37 pessoas foram executadas, das quais 20 sem passagem pela polícia. À época, o próprio secretário estadual de Segurança Sérgio Fontes, cogitou a participação de policiais militares nos crimes.

Para discutir esses e outros problemas, como o fato de Manaus, de janeiro a julho, ter superado São Paulo, maior megalopole da América Latina, em número de homicídios, o promotor João Rodrigues convidará presentantes dos poderes Executivo, Legislativo e Judiciário, além da Ordem dos Advogados do Brasil, seccional do Amazonas, comissões de direitos humanos. Chamará também os comandantes das policiais militar e civil, assim como dos órgãos técnicos esses órgãos.

Blog: Hamilton Leão Membro do Instituto Amazônico de Cidadania

“Vamos participar da audiência pública do MP. Já estamos discutindo esse problema nas comunidades. É louvável a iniciativa. Mas tem que ser um evento produtivo. Por isso é importante o debate com a sociedade. O cidadão faz parte desse processo. A autoridade policial também tem que sair da sua zona de conforto e discutir essa questão. Veja, em São Paulo houve uma chacina de 19 pessoas e a sociedade cobrou providências. Aqui mataram 37. Estamos banalizando o crime. Isso é perigoso para o conjunto da cidade. Não há estranhamento da violência. É ilusão pensar que estamos a salvos dos crimes da periferia. Não há divisão de classes para a criminalidade”.

Em números

542 foi o número de homicídios ocorridos em Manaus de janeiro a julho deste ano. A capital do Amazonas ficou à frente da cidade de São Paulo, a maior metrópole do País, que, no mesmo período registrou 530 assassinatos.

37 mortes foi o saldo da chacina ocorrida entre os dias 17 a 19 de julho. Do total de mortos, 20 não tinham passagem pela polícia. A SSP informou prendeu 20 suspeitos e identificou os autores de 12 crimes.

Para falar

As entidades podem cadastrar seus representantes para a audiência, ou qualquer pessoa interessado em participar das exposições, por meio do site www.mpam.mp.br, ou durante o credenciamento no dia da audiência. A presença como ouvinte não depende de inscrição.

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