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Manaus
JUSTIÇA

Ministério Público recorre de absolvição dos envolvidos em chacina do Santa Etelvina

Promotor crê que jurados tenham ficado com medo de retaliações dos réus Rangel Silva de Araújo e o ex-policial militar Francisco Marques, o “Max Bombado. Em 2015, quatro pessoas foram assassinadas a tiros na chacina 10/05/2018 às 22:34 - Atualizado em 11/05/2018 às 08:57
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As quatro vítimas foram assassinas a tiros e ex-PM, segundo a polícia, seria o chefe da micília responsável pelo crime. Foto: Arquivo/AC
Joana Queiroz Manaus (AM)

O promotor de Justiça Rogério Marques recorreu da decisão do conselho de sentença da 3ª Vara do Tribunal do Júri, que no dia 2 deste mês, absolveu o ex-policial militar Francisco Marques, o “Max Bombado”, e Rangel Silva de Araújo, 28, pela chacina na comunidade Novo Milênio, no bairro Santa Etelvina, ocorrida em março de 2015, quando quatro pessoas foram assassinadas a tiros. 

De acordo com as investigações, o ex-policial foi apontado como o chefe de uma milícia e responsável por aproximadamente 40 homicídios na capital, entre elas Edney Souza dos Santos, Denilson Lobo Rodrigues, Ivan Teixeira Pessoa e Keitiane Nunes Galdino, vítimas da chacina. O crime teria sido motivado pela disputa por um terreno. 

Para Marques, a decisão dos jurados foi contrária às provas existentes nos autos processuais. Ele garante que os réus são extremamente perigosos e que os jurados se sentiram intimidados para condená-los. “Creio que a maioria (dos jurados) se sentiu intimadada. As provas eram seguras”, afirmou. 

Na opinião do promotor, a absolvição de Max e Rangel é um incentivo a impunidade e ao surgimento de mais milícias na cidade. Marques acredita que os jurados tenham ficado com medo de retaliações dos dois réus. “Durante o tempo todo do julgamento os réus ficaram cara a cara com os jurados”, disse Marques.

Rogério Marques também explicou que as testemunhas relataram, durante os depoimentos, terem sofrido ameaças de morte. Uma delas, Edvania Souza dos Santos, foi encontrada morta e em avançado estado de decomposição em uma área de mata na avenida das Flores, na Zona Norte, em fevereiro deste ano.

Edvania, que na época do crime tinha 17 anos, foi a única sobrevivente do crime. Ela foi arrolada como testemunha do Ministério Público do Estado do Amazonas (MP-AM) e deveria ter sido ouvida durante o julgamento do dia 2. Uma outra testemunha confidencial também teme ser morta. No final do julgamento, os jurados absolveram Max e Rangel por 4 a 3 votos.

Sem provas

Além do ex-PM e de Rangel, Anadú do Amaral de Souza, 28, e Elias de Souza Cândido Rodrigues Junior também chegaram a ser presos  pelo crime, no entanto, conforme o promotor, não foram encontradas provas de que os dois tivessem ligação com o quádruplo homicídio. Eles foram absolvidos.

'Afirmação é subjetiva', aponta juiz

O juiz titular da 3ª Vara do Tribunal do Júri, Mauro Antony, afirmou que não tinha nenhum elemento que lhe permitisse afirmar que houve intimidação dos jurados. De acordo com ele, na votação do Conselho de Sentença o resultado foi 4  a 3.

“Eu entendo que essa afirmação do promotor é subjetiva e não tenho como concordar ou refutar. O Ministério Público, como prevê a legislação, pode, em grau de recurso junto ao Tribunal de Justiça do Amazonas, fazer esta alegação”, explicou o magistrado. Quanto ao réu Francisco Marques, o “Max”, o juiz disse que durante o interrogatório ele se portou de forma tranqüila, mas que não se pode fazer um diagnóstico apenas baseado em um interrogatório.

“Recorrer. É só o que podemos fazer. E continuar apoiando e acompanhando o trabalho de investigação da Polícia Civil, pois são muitos homicídios atribuídos a Francisco Marques”, afirmou o promotor Rogério Marques.

Disputa por terreno

Max Bombado foi apontado como o chefe de uma milícia à época do crime. Conforme os autos, uma pessoa contratou os serviços dele para executar Ivan por causa de um terreno e o ex-PM chamou mais quatro pessoas para ajudar na execução. As vítimas foram encontradas algemadas e mortas no quintal de uma casa.

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