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Manaus
SAÚDE

Ministério vai aumentar em 30% as cirurgias para crianças cardiopatas

Para o diretor do Hospital Universitário Francisca Mendes, Pedro Elias de Souza, a notícia é animadora e a instituição vai integrar como serviço público as novas medidas 12/07/2017 às 15:25 - Atualizado em 12/07/2017 às 15:57
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(Foto: Arquivo A Crítica)
Silane Souza Manaus (AM)

O atendimento de crianças com cardiopatia congênita – alteração na estrutura do coração presente antes mesmo do nascimento – no Sistema Único de Saúde (SUS) será ampliado ainda este ano. A iniciativa faz parte do Plano Nacional de Assistência à Criança com Cardiopatia Congênita, lançado ontem pelo Ministério da Saúde. Para o diretor do Hospital Universitário Francisca Mendes (HUFM), Pedro Elias de Souza, a notícia é animadora e a instituição vai integrar como serviço público as novas medidas.

Desde 2014, quando o serviço de cardiologia pediátrica começou a funcionar no Francisca Mendes, foram realizadas 231 cirurgias cardiopediátricas e 74 cateterismos. Nesse período, conforme Pedro Elias, o hospital universitário se tornou referência em atendimento de pacientes mais graves e agora busca ser reconhecido como uma instituição de excelência. “Queremos que seja facilitada essa transferência. Atendemos toda a Amazônia”, destacou.

Ainda em relação ao atendimento dessas crianças, o diretor do HUFM revelou que há uma discussão para melhorar o fluxo de operações. “São dois grupos que precisam ser operados: os recém-nascidos e as crianças maiores que estão em casa. Na segunda-feira, vamos nos reunir com representantes da Susam (Secretaria de Estado de Saúde) e das maternidades para definir esse novo fluxo e fazermos com que as crianças sejam operadas o mais precocemente”.

O Plano Nacional de Assistência à Criança com Cardiopatia Congênita pode contribuir com essa demanda, uma vez que destinará investimento de R$ 91,5 milhões para o diagnóstico, tratamento e à reabilitação de meninos e meninas com a doença. Esse montante representa crescimento de 75,2% do orçamento anual destinado às cirurgias cardíacas pediátricas. A meta inicial é ampliar em 30% o número de cirurgias realizadas na rede pública de saúde, de acordo com o Ministério da Saúde.

O maior impacto para o incremento é o reajuste de 49 procedimentos da tabela SUS relacionados a esse atendimento, os de maior demanda. A meta é realizar 3.400 procedimentos hospitalares a mais por ano, passando de 9,2 mil para 12,6 mil neste ano. Para o Ministério da Saúde, com o aumento de 30% do atendimento, o SUS terá capacidade de atender todas as crianças com cardiopatia congênita que precisam de intervenção no seu primeiro ano de vida.

A cardiopatia congênita é a terceira maior causa de mortes de bebês antes de completar 30 dias. De acordo com dados do Ministério da Saúde, no Brasil, 28,9 mil crianças nascem com a doença por ano (1% do total) e espera-se que 80% (23,8 mil) precisem ser operadas, sendo metade no 1º ano de vida.

Doença causa de 10% das mortes

As cardiopatias congênitas correspondem a cerca de 10% das causas dos óbitos infantis e a 20% a 40% dos óbitos decorrentes de malformações. O diagnóstico pode ser realizado durante o pré-natal ou neonatal.

A assistência cirúrgica é um dos pontos mais importantes da atenção a crianças com cardiopatias e visa, sempre que possível, à correção definitiva do problema, ao controle dos sintomas e à melhoria da qualidade de vida da criança, além da prevenção de futuros eventos.

Há também a assistência multidisciplinar, que abrange assistência médica, de enfermagem, nutricional, reabilitação, psicológica e social. Todas que o Plano Nacional busca aumentar a sua integração para se obter maior qualidade assistencial.

Metas

De acordo com o Ministério a Saúde, as diretrizes estabelecidas pelo Plano Nacional de Assistência à Criança com Cardiopatia Congênita abrangem também a formação e capacitação de profissionais da saúde. Este ano, o foco será a capacitação de ultrassonografistas.

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