Sábado, 20 de Abril de 2019
publicidade
IMG-20190203-WA0009__1__23BEE403-A69E-431D-BF94-37CF3EFCA81B.jpg
publicidade
publicidade

HISTÓRIA

Missas têm 'ressuscitado' a capela da Santa Casa de Misericórdia de Manaus

Fiéis católicos e voluntários têm cuidado do patrimônio desde setembro do ano passado, com aval da Justiça Federal


03/02/2019 às 21:18

Teto destelhado, um prédio em ruínas e muita fé. É assim que podemos resumir a revitalização da Capela da Santa Casa de Misericórdia, localizada na rua 10 de Julho, no Centro de Manaus, e, que desde o dia 23 de setembro de 2018, conta com a realização de missas dominicais a partir das 10h, como a realizada neste domingo (3).

A reabertura da capela ocorreu após uma decisão do Supremo Tribunal de Justiça (STJ), que aprovou a utilização do espaço pela Igreja Católica, após os embargos para o isolamento do prédio (apresentados pela Prefeitura de Manaus em 2016) serem negados de forma unânime pela 2ª Turma do colegiado.

Com a vitória na Justiça, o frei Aceme, que é responsável pela capela, diz que o objetivo da restauração é principalmente o de livrar o espaço de delinquentes e usuários de drogas, que estavam transformando o local  num verdadeiro “antro de perdições”.

“Não queremos criar confusão com ninguém e sim adentrar neste espaço que é a casa de Deus. Ministrar missas aqui é a realização de um sonho, pois, a Santa Casa sempre um lugar da misericórdia, deu a vida a muitas pessoas e infelizmente hoje é um lugar de morte, como ocorreu na semana passada, e, encontramos um corpo aqui ao lado da capela. Queremos mudar tudo isso”, disse o frei.

Sobre a questão da violência, o frei ainda afirma que já recorreu ao Poder Público por meio de requerimentos solicitando ao menos apoio policial na região da capela, mas que nunca obteve retorno. “Pretendo me reunir com o prefeito e o governador ainda neste mês para estar solicitando novamente este apoio. Acreditamos que nossas propostas serão aceitas”, completou.

’Minha mãe foi curada na Santa Casa’

Em paralelo aos trabalhos de líder religioso, o frei Aceme  revela que sua proximidade com a Santa Casa de Misericórdia vai mais além do plano espiritual por ter um grande elo familiar. Isto porque, segundo ele, em 1997, a mãe dele foi curada por médicos no antigo hospital, após apresentar um quadro crítico de apendicite.

“Lembro como se fosse hoje, quando viemos rezar nesta capela. A apendicite dela havia estourado e ela não estava nada bem, mas Deus e os médicos da Santa Casa a curaram. Desde lá, sempre que eu passava aqui pela frente, lembrava e via tudo abandonado antes da restauração, lembrava da importância desde local não só para mim, mas para muitas outras famílias que devem ter passado pelo mesmo tipo de situação”, explica o frei.

Trabalho em equipe

A realização das missas dominicais conta com o apoio de fiéis e colaboradores que ajudam no deslocamento de todo material que compõe a missa. Isto porque, em decorrência da falta de segurança no local, todos os utensílios utilizados na capela devem ser guardados num prédio localizado em frente à capela.

“Não podemos deixar nada aqui porque senão roubam. Em decorrência disto, viemos para cá aos sábados para realizar a limpeza e no dia seguinte trazemos tudo para cá, os santos, imagens, ventiladores, som e as cadeiras. Quando acaba a missa levamos tudo de volta”, explica seu João Domingues, que atua como colaborador da capela.


Local passou por uma grande limpeza antes de iniciarem as missas por lá e passa por manutenção constantemente. Foto: Divulgação

Apoio artístico

A reocupação do prédio histórico também sensibilizou artistas amazonenses, que por meio da Associação de Cultura do Amazonas (ACEAM), criou o projeto chamado “SOS Santa Casa”, no ano de 2016, que tem como objetivo cuidar do local atraindo olhares do poder público e populacional por meio de atividades culturais.

A presidente da ACEAM, Rosa dos Anjos, afirma que objetivo da mobilização é conseguir um plano emergencial através da Justiça Federal e imobilizar sociedade para que a ocupação do espaço possa ser revestida numa restauração por parte do Poder Público.

“Tudo é um processo onde responsável pela restauração é o Iphan (Instituto de Patrimônio Histórico e Artístico Nacional) que vai ter que contar com licitações para selecionar pessoas pessoas capacitadas e técnicas para essa restauração. Mas para isto, é preciso que a sociedade faça uma discussão por meio de audiência pública”, disse a presidente.

publicidade
publicidade
Celebrações religiosas marcam Sexta-feira da Paixão na Catedral de Manaus
MPF seleciona projetos para recuperação de prédio e capela da Santa Casa de Manaus
publicidade
publicidade
publicidade
publicidade

publicidade
publicidade

Sobre Portal A Crítica

No Portal A Crítica, você encontra as últimas notícias do Amazonas, colunistas exclusivos, esportes, entretenimento, interior, economia, política, cultura e mais.