Quinta-feira, 27 de Junho de 2019
Manaus

Mobilidade é tema que nem entrou no Plano Diretor

Na última reportagem da série, A CRÍTICA mostra que o plano ainda não recebeu uma linha sobre mobilidade urbana



1.jpg Avenida Djalma Batista, um dos corredores do transporte público da cidade, é via de transtornos comuns todos os dias
17/09/2013 às 17:25

Pedalando do bairro Cidade Nova, Zona Norte, onde mora, até a Câmara Municipal de Manaus (CMM), no bairro Santo Agostinho, Zona Oeste, o estudante de Administração Mayk Renan da Silva Ferreira, 20, foi quem deu o exemplo de preocupação com a questão da mobilidade urbana na cidade. Os vereadores e representantes da Prefeitura que estiveram na primeira discussão do ciclo de reuniões temáticas refletiram debates vazios, falta de propostas e soluções.

Não por acaso, o projeto que contém as especificidades sobre a mobilidade urbana ainda não consta do Plano Diretor, que traz somente as diretrizes gerais a serem seguidas pelo poder público. De acordo com o diretor-presidente da Secretaria Municipal de Transportes Urbanos (SMTU), Pedro Carvalho, o planejamento da cidade será apresentado o quanto antes para a CMM. “Queremos que seja uma lei, para poder haver continuidade. Ele será um apêndice do Plano Diretor”, afirmou.

O documento ainda não é o Plano Nacional de Mobilidade Urbana, obrigatório para cidades com mais de 20 mil habitantes que quiserem obter recursos do Governo Federal. Este deve ser apresentado até 2015.

“Você pode fazer o melhor Plano Diretor, mas se ele não for cumprido não adianta nada. O transporte Público, que é o principal meio de locomoção de uma cidade, precisa ter os trabalhos continuados”, afirmou Pedro Carvalho. O projeto da SMTU foi feito na gestão passada e traz a proposta de expansão da rede atual de corredores, separação das caixas viárias e mais terminais de integração.

Uma novidade citada no Plano Diretor é quanto ao transporte fluvial. Segundo Pedro Carvalho, uma licitação será lançada para a contratação do estudo de viabilidade do modal. Ele acredita que haja possibilidade de se vincular a demanda à implantação da Cidade Universitária em Iranduba.

O diretor-presidente do Instituto Municipal de Engenharia e Fiscalização do Trânsito (Manaustrans), Paulo Henrique Martins, afirmou que a revisão do plano diretor traz o pedestre como prioridade, o que está diretamente relacionado com as calçadas que, segundo ele, deveriam ter 5 metro de largura. “É o ideal porque você coloca poste, planta uma árvore e tem que deixar um espaço bom para circulação”. O atual projeto prevê que o passeio público tenha 1,50m de largura livre para circulação de pessoas. “A Torquato Tapajós daqui uns 20 anos, vai precisar ter quatro pistas, além da pista lateral, ciclovia e da calçada ampla e livre. Por isso, deve-se pensar nessa problemática ao se autorizar novos empreendimentos”, disse.

‘Ônibus é um sistema atrasado’

“De nada vai adiantar se o que for previsto não for cumprido. Manaus padece nesse sentido”. Para o professor da Universidade Federal do Amazonas, Geraldo Alves, doutor em Engenharia de Transportes, essa é uma questão crucial e que vem desde o estabelecimento do Plano de Desenvolvimento Local Integrado de Manaus (PDLI), de 1975.

“Quantas vias expressas não foram projetadas por esse documento e que nunca chegaram a ser implementadas?”, disse.

Além disso, ele apontou uma alteração que considera equivocada no Plano Diretor: “A responsabilidade de fiscalizar a construção embaixo de linhas de alta tensão está sendo repassada à concessionária de energia, os locais podem servir, no futuro, para melhorar a circulação, segundo ele.

Para ele, deveria discutir-se outro sistema de transporte coletivo, mais moderno que o ônibus, para ser implantado a longo prazo. “Nós, classe media, não vamos deixar o carro pelo ônibus porque ele é pouco confiável. Não se sabe quanto tempo vai demorar, se vai quebrar, entre outras coisas”.

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