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Monumentos revelam história de Manaus

Para a especialista em História e Crítica da Arte, Maria Evany do Nascimento, ainda há pouco conhecimento por parte de muitos manauenses sobre acontecimentos ou figuras históricas da capital amazonense por falta de descrição desses monumentos ao alcance dos olhos desatentos da população 16/03/2013 às 10:08
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A Praça do Relógio é um dos monumentos que marcam a história de Manaus
Carolina Silva Manaus

Monumentos históricos levam um povo a conhecer não somente a riqueza patrimonial de sua região, mas também a sua história. Não se tratam somente de construções que se destacam pelo seu estilo arquitetônico e beleza. Foram erguidos em memória de determinados acontecimentos ou figuras.

Para a especialista em História e Crítica da Arte, Maria Evany do Nascimento, ainda há pouco conhecimento por parte de muitos manauenses sobre acontecimentos ou figuras históricas da capital amazonense por falta de descrição desses monumentos ao alcance dos olhos desatentos da população.

“Um monumento revela uma série de informações sobre a história daquele lugar onde ele está presente. E é importante que a descrição do monumento esteja visível para que as pessoas tenham conhecimento sobre essa história do acontecimento ou figura a que se remete. Em Manaus, percebi que em algumas praças onde muitas obras foram erguidas ou colocadas não há uma identificação, por isso, a população não sabe quem é, o que é, quem fez. Senti muita falta disso”, disse Maria Evany Nascimento.

Uma pesquisa de iniciação científica que ela começou ainda na graduação de Licenciatura em Educação Artística, da Universidade Federal do Amazonas (Ufam), resultou num inventário das obras presentes em praças e prédios públicos do Centro Histórico, a maioria, do período do ciclo da borracha, importadas da Europa, para o “embelezamento” da capital amazonense.

A exemplo de outras cidades brasileiras, como Rio de Janeiro e São Paulo, Manaus também ganhou um inventário dos monumentos públicos sob o olhar da especialista. O levantamento foi feito durante um ano, entre 1997 e 1998. O material resultou na edição do livro “Monumentos Públicos do Centro Histórico de Manaus”, que será lançado em breve. O roteiro que a autora apresenta é o mesmo que milhares de manauaenses fazem diariamente, mas sem perceber os detalhes que fazem parte da história da cidade. 

Com peças datadas de 1882 a 1995, a publicação apresenta, também, as mudanças estéticas presentes nas obras de arte da cidade. Ao todo, 76 peças ilustram o livro, junto com a descrição da obra e apreciação estética. Na maioria delas, Maria Evany percebeu a falta de informações sobre os monumentos públicos. “Fontes e coretos, como aquele da Praça da Polícia, são exemplos, pois só identificam a data de fundação”, revela a autora.

Outro exemplo apresentado no livro é o monumento do Relógio Municipal, situado na avenida Eduardo Ribeiro, no Centro de Manaus, que não tem uma identificação visível aos olhos de quem circula pelo local. “Poucos tem conhecimento de que ele é da década de 30, na época do ciclo da borracha. O maquinário foi todo trazido da Suíça, mas foi montado por relojoeiros da cidade e, quando montaram, um lado não estava funcionando”, ressaltou Maria Evany.

Inventário relata detalhes da história 

No inventário, Maria Evany do Nascimento revela que o período de 1882 a 1906, época em que a borracha financiou a importação de objetos artísticos, trouxe para Manaus objetos mais decorativos, como coretos e fontes.  Já de 1930 a 1995 surgem obras em homenagem a personalidades históricas, os bustos. Há ainda no livro o registro de dois monumentos comemorativos: o Obelisco (Monumento à Cidade de Manaus), situado na avenida Eduardo Ribeiro, e o Monumento à Nossa Senhora da Conceição, ambos da década de 1940.

No livro, segue uma descrição dos espaços: as dez praças onde ficam parte das obras catalogadas. Depois, a descrição das obras, informações históricas, apreciação estética e significado simbólico das peças.

 No dia 29 de setembro de 1998, o Jornal A CRÍTICA, no caderno Criação, publicou uma matéria sobre a pesquisa “Inventátio e Catalogação de Obras de Arte em Logradouros Públicos do Centro Histórico de Manaus” desenvolvida por Maria Evany do Nascimento, que resultou na publicação do livro.

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