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Manaus
CRISTO REDENTOR

Moradores cobram da Prefeitura de Manaus a revitalização do Igarapé do Mindu

As 2.012 famílias da Comunidade Cristo Redentor, no bairro Amazonino Mendes, estão desde 2007 tentando conseguir respostas sobre o projeto que até agora tem a 1ª faixa finalizada 24/04/2018 às 05:00
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Situação precária da área motivou moradores a cobrarem o poder público. Foto: Jair Araújo
Lívia Anselmo Manaus (AM)

A primeira dúvida sobre o futuro dos moradores da Comunidade Cristo Redentor, no bairro Amazonino Mendes, Zona Norte, surgiu em 2007, quando técnicos da Prefeitura Municipal de Manaus realizaram a 1ª visita no local e apontaram as casas que deveriam ser desapropriadas com a execução do “Projeto de Revitalização do Igarapé do Mindu”. Onze anos depois, as dúvidas continuam entre as 2.012 famílias da comunidade já que até agora somente a 1ª faixa do projeto, que corresponde à avenida Nathan Xavier de Albuquerque, que liga a Avenida das Torres à Rua João Câmara, no Novo Aleixo, foi finalizada.

Para buscar respostas, a comunidade recorreu à Defensoria Pública do Amazonas (DPE-AM) e reuniu, ontem, representantes da Secretaria Municipal de Infraestrutura (Seminf) e Procuradoria Geral do Município (PGM) em uma audiência pública. No encontro, os moradores foram informados de que estão diante de mais um capítulo da história da obra de revitalização que se arrasta há quase uma década desde que o projeto foi iniciado.

Quem fala pelas mais de duas mil famílias é o líder comunitário Jessé dos Santos, 60, que mora há 25 anos na comunidade. Eles querem saber quem serão as famílias que devem sair, quando e como serão feitas as indenizações. “Todo esse tempo a gente fica nessa dúvida sobre o que vai ser. Ninguém pode melhorar de vida, investir na casa, porque existe essa ameaça de saída que nunca ficou clara. Por isso estamos cobrando uma resposta”, disse.

Outro ponto que motivou a comunidade a cobrar respostas do poder público foram as situações precárias da área. “As coisas só foram piorando nesse tempo e hoje quando chove tudo alaga. As pontes de acesso estão desabando e com a justificativa de que vamos ser retirados, ninguém aparece para resolver o problema”, afirma Jessé.

Com a audiência ficou acertado que os moradores vão apresentar os cadastros e os dados à Seminf, que será responsável por analisar o que engloba a atualização do projeto. Assim, serão identificadas as casas que devem ser retiradas. Sobre as indenizações, cada caso será analisado conforme o posicionamento se está dentro de uma Área de Proteção Ambiental (APP) ou não e também pelo tipo de construção.

Seminf

A 1ª faixa foi entregue em 2015. No início de 2017, de acordo com a diretora da Unidade Gestora de Projetos da Seminf, Myriam Koifman, foram paralisadas as obras da segunda faixa que ainda passa longe da Comunidade Cristo Redentor e mantém a indefinição. “Desde o início nós temos enfrentado uma série de dificuldades que não tem nos permitido dar andamento acelerado à obra. Tivemos problemas com a construtora, o município teve que romper o contrato e nosso mais recente impasse é a liberação da verba por parte do Governo Federal para que possamos dar prosseguimento”, afirmou.

Sem prazo para retorno das obras

Segundo a gestora Myriam Koifman, não há data prevista para o retorno dos trabalhos que tiveram orçamento inicial de R$ 120 milhões: “Não estamos trabalhando com datas para retorno, mas a Seminf tem tratado diretamente com o Ministério das Cidades sobre o liberação dos recursos para continuar o projeto e assim poder definir quais serão as áreas atingidas e quem irá realmente precisar sair”. Com as mudanças no projeto ao longo dos anos, a expectativa é de quem nem todos os primeiros cadastrados sejam realmente retirados.

Desde 2011 as obras dão trabalho à defensoria. “Já foram judicializadas pelo menos 4 ações contra esse projeto só na 1ª etapa, único trecho finalizado. O que nos motivou a vir aqui com a audiência foi essa demanda que já conhecíamos. Na época das obras chegamos a paralisar os trabalhos por conta das irregularidades do município com as pessoas que moravam naquela área”, relembra o defensor Carlos Almeida.

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