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Manaus
COLÔNIA SANTO ANTÔNIO

Moradores da comunidade Bom Pastor reclamam da ausência de serviços básicos

Local na Zona Norte carece de infraestrutura urbana, e tem ruas esburacadas, ausência de vias para outros bairros, falta de transporte público e de abastecimento de água 27/02/2018 às 06:00 - Atualizado em 27/02/2018 às 09:03
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Moradores tentam se locomover com dificuldade na rua Penetração (Fotos: Jair Araújo)
Paulo André Nunes Manaus (AM)

As coisas não vão muito bem pelos lados da comunidade Bom Pastor, que está localizada no bairro Colônia Santo Antônio, Zona Norte. A área concentra vários problemas de infraestrutura urbana, como ruas esburacadas, ausência de vias para outros bairros, falta de transporte público e de abastecimento de água e sem falar na insegurança.

As mais de 500 famílias moradoras das nove ruas da comunidade clamam por melhorias aguardadas há cerca de 19 anos, que é o tempo de fundação daquela área da cidade.


Mãe conduz carrinho com bebê na rua 6, que também apresenta problemas de matagal

“Hoje nosso principal problema é a infra-estrutura das ruas, que como outras da cidade estão intrafegáveis. Há buracos, dificuldades de escoamento, meio-fio e calçada”, disse o industriário Jaderson Andrade, 43, um dos moradores que denunciaram a situação atual.

Ele completa que há um isolamento da Bom Pastor em relação a outras vias. “Estamos há 400 metros da avenida Torquato Tapajós, mas não há como ter acesso a essa via de grande fluxo porquê, por exemplo, a rua Ataulfo de Paiva não tem saída para a Torquato. Também não temos transporte público, ou seja, não passa nenhum ônibus. A linha 454 (Novo Israel-Centro) passa mais ou menos um quilômetro daqui da comunidade. Ou seja, dependemos de apenas uma linha de transporte, tendo que sair de madrugada, na chuva, e fica muito complicado por causa da distância e dos assaltos que estão ocorrendo na cidade”, diz o industriário.


A rua Ataulfo de Paiva poderia fazer conexão com a avenida Torquato Tapajós, dizem comunitários

A reportagem de A CRÍTICA percorreu algumas das ruas da comunidade, e encontrou problemas em todas elas. As rua 6 e 8, por exemplo, estão bastante esburacadas e comprometem a mobilidade de qualquer pessoa. Nem a via principal do local, a rua Penetração, escapa: ela tem buracos e, nos dias de chuva, e após, concentra um lamaçal que dificulta ainda mais a vida dos transeuntes.

De acordo com o autônomo Raimundo de Brito, 53, a falta de água é um complicador a mais. “Infelizmente a nossa água às vezes chega por volta das 2h, 3h, dia sim, outro não. É um problema constante”, explica ele.


A falta de água é outro problema que vem tirando a tranquilidade na Bom Pastor

A questão da insegurança é bem preocupante, disse ele. “É como praticamente toda a cidade se encontra. Hoje (sábado passado, dia 24) passaram duas viaturas em menos de cinco minutos aqui, e nós ficamos impressionados. Mas muitas vezes o policiamento fica dias sem aparecer. Estamos à mercê dos bandidos. Assaltos acontecem, e várias casas já foram invadidas porque os criminosos se aproveitam que as pessoas estão trabalhando”, ressaltou Raimundo Brito.

O próprio Jaderson já teve sua casa invadida: “Faz cerca de um mês. Graças a Deus não tinha ninguém na residência; entraram e levaram minha TV e o notebook”.

A costureita Suely Michilles, 60, também teve a casa invadida. só que duas vezes: em meio e junho do ano passado. “Eu estava na casa da minha filha e quebraram a porta de ferro e levaram mercadorias, eletrodomésticos e roupas. ‘Limparam’ a geladeira. Tudo é prejuízo pra nós que labutamos dia a dia, que não ganhamos nada roubado. Não tenho transporte e rodar isso aqui tudinho pra pegar o ônibus 454 na rua principal é uma luta muito grande. Tenho problemas de saúde, é horrível”, clama ela. 


O matagal cresce a cada dia em algumas vias, gerando preocupação na comunidade 

Uma das primeiras moradoras, a dona de casa Ioneide Araújo de Souza Brito, 51, conta ter sido vítima de malária há alguns anos, ao que ela credita ter sido “provocado pelo lixo, matagal das ruas e terrenos abandonados; não temos posto de saúde aqui”.

Em meio a tantos problemas, os moradores da Bom Pastor só têm uma coisa a “comemorar”: por ser formada em sua maioria por famílias evangélicas, por mais incrível que isso possa parecer o tráfico de drogas ainda não chegou até a comunidade. Pelo menos isso...

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