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Manaus
CHUVA

Moradores da Comunidade da Sharp contabilizam prejuízos após alagação

Aproveitando o sol, muitos colocaram colchões, sofá, roupas e móveis para secar para tentar evitar que os prejuízos sentidos com a chuva forte ficassem maiores 14/01/2017 às 15:11
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Moradores tentaram salvar bens domésticos (Foto: Antônio Menezes)
Isabelle Valois Manaus (AM)

Um dia após a comunidade da Sharp, localizado no Distrito Industrial, Zona Leste de Manaus, ficar embaixo d’água com a chuva que atingiu a cidade nesta sexta-feira (13), os moradores amanheceram neste sábado (14) no aguardo do sol para colocar os colchões, sofá, roupas e móveis para secar. Depois da alagação, o que não deu para salvar foi deportado ao entulho ou lixão da comunidade. 

Moradora há 12 anos da rua Caloi, a operadora de produção Elizangela Caitano de Barros, 32, afirmou que nunca tinha presenciado uma situação tão preocupante como a desta sexta-feira. “Quem olha para minha casa percebe pela marca que a alagação ultrapassou mais que a metade das paredes. Praticamente não temos mais nada, perdemos tudo”, disse.

Elizangela também contou que antes da forte chuva de sexta, no dia 27 de dezembro, foi a primeira vez que a água invadiu a casa dela. Nesse período, a operadora de produção se encontrava grávida de três meses. Quando viu a água ensopando o próprio colchão dos filhos, se desesperou e teve um sangramento. Encaminhada ao médico especialista, Elizangela recebeu a notícia de que havia abortado por causa das fortes emoções.

“Não há mais como investir dentro de casa. Nos últimos meses eu e meu marido nos dedicamos para conseguir colocar o azulejo na cozinha. Depois dessa última chuva, meu piso todo estourou. Só foi dinheiro jogado fora”, comentou a operadora de produção. 

O esposo de Elizangela, o microempresário Robson Oliveira de Barros, contou que nesta sexta-feira chegou a ligar várias vezes para a central de emergência da Defesa Civil do Município, por meio do 199, mas em nenhuma das ligações obteve algum tipo de resposta. “Parece que eles sabem que as pessoas vão ligar então deixam de atender e quando atendem dizem que não há uma equipe para vir atender ao chamado da Sharp, por isso que a população se revolta e tenta fechar a via. Todas as minhas máquinas que utilizava para fabricar móveis ficaram de baixo d água. Quando fui tentar ligar, nada funcionou. Este é um meio de renda da minha família. Como vou colocar comida pra dentro de casa? Isso é revoltante, pois nem ajuda estamos tendo”, desabafou Robson.

Quem visitou os atingidos depois da chuva de sexta-feira, pode presenciar muitos colchões pendurados nas portas das casas, roupas e até móveis. O que não prestava mais foi deixado na lixeira. No caso da família cabeleireira, Elaine Vinhote de Souza, 29, de dezembro para o início de janeiro, a família cortou alguns gastos para conseguir construir uma mureta bem na entrada principal da casa. 

Moradora da rua CCE da comunidade, Elaine contou que mesmo com a mureta a água quase entrou na casa. “Como sabemos que vamos ter que conviver com alagação nesse período chuvoso, resolvemos reduzir os gastos para fechar boa parte da entra de casa, mas pelo visto vamos precisar aumentar a mureta para evitar que a água continue a entrar em casa. É melhor investir desse jeito do que perder nossos bens que tivemos tanto sacrifício para conseguir comprar”, disse.

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