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Moradores da invasão Bom Pastor dizem que só sairão do local se houver uma reintegração de posse

Um grupo, que ocupou parte dos 300 mil metros quadrados do imóvel, teve os barracos derrubados, mas a maioria, pelo menos até ontem permanecia no local 15/08/2015 às 12:53
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Quem ficou diz que só sai se houver reintegração de posse
Nelson Brilhante Manaus (AM)

Depois de uma noite de forte confronto com a polícia, ontem o clima ainda era de tensão na invasão Bom Pastor, localizada na avenida Torquato Tapajós, no bairro Novo Israel, Zona Oeste.

Um grupo, que ocupou parte dos 300 mil metros quadrados do imóvel, teve os barracos derrubados, mas a maioria, pelo menos até ontem permanecia no local.

“Não vamos sair daqui enquanto não nos apresentarem o documento pedindo a reintegração de posse. Eles entraram aqui, distribuindo tiros para todos os lados, sem nada que comprovasse a ação”, disse o eletricista Elson Luiz Nascimento, 55, um dos líderes dos invasores.

Silvia Maia, 29, uma das pioneiras na invasão, reforça a tese. “O dono (João Marcos Pozzette) veio duas vezes aqui e falou que ia doar a terra. Já tinha bem mais que duzentas famílias. Depois disso ele marcou uma reunião na quarta-feira, mas quem veio foi a polícia militar, sem nenhum documento judicial e ontem repetiram a brutalidade”, informou a doméstica.

A reportagem tentou várias vezes, mas não conseguiu falar com o proprietário da área, empresário João Marcos Pozzette, pelo celular com terminação 1577. Segundo um funcionário da empresa de Pozzette, além de ter nascido um filho dele, o empresário passou o dia inteiro tentando conseguir uma liminar que determinasse a reintegração do imóvel. Antes ele havia aceitado doar parte do terreno para um grupo que estava no local há cerca de 40 dias, mas se irritou quando viu que número de invasores era três vezes maior.

Em nota, a Polícia Civil (PC) afirmou que a ação policial, quinta-feira, foi apenas para constatar a veracidade da denúncia de que os invasores tinham interditado a avenida Torquato Tapajós, com barricada de fogo, protestando contra a primeira investida da polícia de retirá-los do terreno, na noite de quarta-feira (12).

Na ocasião, a PC afirmou que os agentes conversaram com os invasores para que desocupassem a área. A nota não confirma a informação do delegado adjunto do 20º Distrito Integrado de Polícia (DIP), Claudomir Vito, de que a polícia teria ido local para resgatar um agente de polícia, identificado apenas como Paulo, que, supostamente teria sido seqüestrado pelos invasores enquanto entregava uma notificação.

“Isso é mentira. Ontem (quinta-feira), esse policial estava fazendo parte da operação. Essa informação não tem nada a ver”, garante o industriário Jaime Andrade, 47.

A ação de hoje teve apoio de seis viaturas terrestres, policiais do Grupo Força Especial de Resgate e Assalto (FERA) e até de um helicóptero.

Outros

Os ocupantes da área dizem que as máquinas que derrubaram os barracos pertencem a José Marques, da empresa J.M.Marques, que fica na entrada do terreno invadido e que teria interesse em permanecer na área. Marques não foi localizado para falar sobre o assunto. Segundo eles, outro empresário, cujo nome não foi revelado, também tem interesse em ocupar o espaço e teria ajudado a patrocinar a derrubada dos barracos. Entretanto, os ocupantes garantem que estão revoltados é com a ação policial.

“Não estamos brigando contra o dono, porque ele esteve aqui e conversou com a gente, mas contra a grosseria da polícia que chegou atirando. Disseram que a gente revidou com tiros, mas isso não é verdade. O que se usou foi foguete. Da nossa parte, se voltarem, não haverá violência”, disse Elson Luiz.

O autônomo João Avelino acrescentou detalhes à informação. “O proprietário só pediu que a gente não entrasse numa área ambiental que fica aqui ao lado. E todos respeitaram o pedido dele”, afirma.

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