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Manaus
Saúde pública

Moradores da Zona Norte passam por verdadeiro ‘martírio’ por atendimento médico

Equipe de reportagem flagrou a tentativa de moradores da Zona Norte por atendimento médico na Unidade Básica de Saúde PM Sálvio Belota 18/10/2016 às 08:40 - Atualizado em 18/10/2016 às 08:41
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Unidade Básica de Saúde PM Sálvio Belota, no bairro Santa Etelvina (Foto: Winnetou Almeida)
Alírio Lucas

Eram 4h quando Ariadla da Silva, 38, saiu de sua residência, no Conjunto João Paulo II, Zona Norte de Manaus, com seus três filhos, para tentar marcar uma consulta para eles na Unidade Básica de Saúde PM Sálvio Belota, no bairro Santa Etelvina. Após uma longa espera, duas notícias desagradaram a dona de casa. A primeira é que o atendimento só poderia ser realizado em um dos três, já que lhe foi entregue somente uma ficha. A segunda é que a espera se estenderia até as 16h. Horário que a médica pediatra da unidade iniciaria os atendimentos. Assim como ela, milhares de pessoas passam por isso em Manaus, todos os dias.

Sem ter como voltar pra casa para não gastar mais R$ 12 com passagem de ônibus, Ariadla reclamou da maneira como foi feita a distribuição de fichas e relatou ainda casos que já precisou  passar para consegui atendimento. “Tem vezes que meu marido vem e dorme aqui na frente da UBS para poder conseguir pegar ficha para sermos atendidos. Chegamos aqui de madrugada e infelizmente eu não posso voltar pra casa, já que o atendimento só vai acontecer as 16h. Seria um gasto de R$ 48 no final do dia só com ônibus. Pior de tudo isso é só conseguir atender um, ou seja, vou precisar vir mais duas vezes”.


Ariadla da Silva teve de escolher um filho e passar mais de 12 horas fora de casa para conseguir atendimento (Foto: Winnetou Almeida)

Há dois meses esperando para realizar três exames,  Adriele Anveres, 25, disse  que todas as vezes que vem até a unidade para saber se já existe uma previsão, nada é informado. “Antes eles ainda ligavam para avisar, hoje em dia nada”.

Quanto às denúncias de agendamento nas UBSs, a Semsa limitou-se a informar que as ações de saúde também objetivaram ampliar o acesso aos serviços através de agenda aberta, com marcação de consultas médicas e de enfermagem diariamente na atenção básica.

Fila do cão para marcar um retorno


                 Adriele precisa fazer exames e só recebe não como resposta do município (Foto: Winnetou Almeida)

Enquanto Adriele espera marcarem uma data para que sejam realizados seus exames, o vigilante Reinaldo dos Anjos, 52, que já tem em mãos seus exames prontos, depois de uma espera de cerca de três meses, precisou enfrentar na manhã de ontem (17) uma fila com cerca de 200 pessoas só para marcar seu retorno com o médico. A espera aconteceu na Unidade Básica de Saúde Áugias Gadelha, na Cidade Nova 1.

Com apenas uma pessoa atendendo no local, Reinaldo se diz humilhado com a saúde básica. “É uma humilhação. Nunca tem vaga. Demora a marcarem os exames. Demora pro resultado aprontar. E quando finalmente vamos voltar ao médico, ainda precisamos ficar aqui por horas, sem qualquer organização, esperando pra pegar uma ficha, que não será nem pra hoje o atendimento. Isso é o básico. É lei. Tá na Constituição. A saúde básica é um direito nosso”.

Atendimento ampliado

Conforme a Semsa, a cobertura populacional da Atenção Básica aumentou 12% em Manaus. Para a secretaria, a entrega de 51 unidades construídas ou ampliadas na atual gestão contribuiu para que a cobertura saísse de 47,49% para 59,7%.

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