Sexta-feira, 18 de Outubro de 2019
VIOLÊNCIA

Moradores da Zona Sul mudam rotina após guerra entre FDN E CV

Assustados com os tiroteios constantes, moradores dos bairros Morro da Liberdade, Betânia, Raiz e Crespo já pensam em vender as residências devido ao aumento da violência



1510781_E67013CA-A0DA-461D-8C6D-725ECDB09403.jpg Segundo a polícia, a Zona Sul é palco de uma disputa de território entre facções. Ataque em julho acirrou situação (Foto: Sandro Pereira/ Freelancer)
30/08/2019 às 12:04

A guerra entre facções criminosas pelo domínio da área nos bairros da Zona Sul começa a impor medo nos moradores e mudanças de comportamento. “Aqui sempre teve esse negócio de tráfico, mas não tinha tanto tiroteio como agora e a gente tem que ficar trancado em casa para não morrer por uma dessas balas”, disse a aposentada Ana Maria*, 65 anos moradora do bairro Morro da Liberdade.

Ana Maria afirma que sempre morou na rua Amazonas, um dos locais onde, atualmente estão acontecendo os confrontos com mais frequência. De acordo com ela, os tiroteios ocorrem a qualquer hora, e quando isso acontece, ela tranca as portas e ora. Sair às ruas, só se for mesmo preciso.



O medo da aposentada não é para menos, nessa disputa ela já viu alguns conhecidos sendo mortos, ou feridos. “Eu vi o meu sobrinho morrendo cravado de balas. Foi muito triste para mim”, disse Ana Maria.

De acordo com ela, o beco 1º de Maio é considerado um dos locais mais perigosos atualmente.

Moradores do bairro Santa Luzia vivem o mesmo clima de insegurança. Além dos tiroteios, eles denunciam a ação de assaltantes. Os assaltos a mão armada são constantes o que leva muitos a atender seus clientes por de trás das grades.

Na rua Leopoldo Neves, a aposentada Francisca Silva*, 65, conta que depois que os confrontos começaram a acontecer ela passou a evitar sair às ruas, reforçou as portas e janelas da casa onde mora e já está pensando em colocar o seu imóvel à venda e ir morar em um condomínio fechado.

De acordo com ela, muitas vezes durante a noite quando está dormindo, é acordada pelo barulho dos tiros. “Eu desligo o ar condicionado e fico escutando pra ver quando vai parar”, disse.

Conforme as mulheres, os tiroteios acontecem nas ruas principais dos bairros, mas principalmente nos becos onde estão localizadas a maioria das bocas de fumo.

Os confrontos armados acontecem nos bairros Betânia, Raiz e Crespo. A maioria dos moradores por medo de represália prefere não falar. De acordo com eles, a ordem é voltar cedo para casa, evitar ficar em via pública, manter portas e janelas fechadas e quando ouvir o barulho do tiroteio não ir olhar na janela.

Disputa se intensificou em julho

De acordo com o delegado da Seccional Sul, José Divanilson Cavalcanti, a ação de traficantes no que ele chamou de “quadrilátero”, que é onde se concentra a área de disputa pelas facções, vem sendo combatida por uma soma das forças de segurança formada pelas Polícias Militar e Civil e Inteligência.

“As nossas ações têm dado resultados muito positivos e ainda não chegamos ao final”, disse.

De acordo com ele a disputa na área ficou mais acirrada depois do dia 10 de julho deste ano, quando um “bonde” da facção Família do Norte (FDN) invadiu o Parque Mauá, na Zona Leste atualmente dominada pelo Comando Vermelho (CV), deixando três mortos.

*Nomes fictícios para preservar as identidades.

Repórter de A Crítica

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