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Manaus
VAZANTE

Moradores das orlas do Centro e Educandos sofrem com lixo acumulado

Na tentativa de minimizar o problema, eles se uniram para recolher a sujeira acumulada em baixo das palafitas 13/07/2017 às 05:00 - Atualizado em 13/07/2017 às 09:14
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Embaixo das pontes das palafitas o acúmulo de lixo é combatido pela ação dos próprios moradores de Educandos. Foto: Winnetou Almeida
Álik Menezes Manaus (AM)

Com o início da vazante do rio Negro, no mês passado, o lixo começou a se acumular na orla do Centro  e do bairro de Educandos, ambos na Zona Sul. Na tentativa de minimizar o problema, moradores do Educandos se uniram para recolher a sujeira acumulada em baixo das palafitas.

Segundo a dona de casa Marli da Silva, 37, que mora na mesma casa há mais de 16 anos, todo período de vazante eles vivem o mesmo ‘pesadelo’ com lixo e até animais mortos embaixo das casas. “Esse ano nós mesmo nos mobilizamos para tirar o quanto podemos de lixo do rio, além de poluir prejudica nossa própria saúde. Tem até cachorro morto boiando. Fica podre o cheio”, contou ela.

O morador  Adilerson da Silva, 32, vizinho de Marli, também confirmou que o caso se repete todos os anos e os moradores sofrem tanto na  cheia quanto com os efeitos da vazante. “No início a gente é castigado porque, às vezes precisa até deixar nossas casas, e quando está secando é por causa do lixo. São tempos de muitos sofrimentos”, contou.

De acordo com Adilerson, diariamente os moradores se unem para recolher em pequenas canoas a sujeira na tentativa de reduzir o quadro vergonhoso de abandono e descaso. “É um absurdo a prefeitura não mandar recolher esse lixo, quem vê até pensa que somos nós mesmo que jogamos, mas nem tanto. Muito desse lixo vem de longe”, afirmou.

Falta de consciência

Para a dona de casa Suziane Corrêa Barros, 38, apesar de não haver ações de coleta de lixo por parte da Secretaria Municipal de Limpeza Urbana (Semulsp) na orla do rio, o problema é antigo e a população precisa se conscientizar da importância de participar. “Não adianta  nada passar uma coleta retirando tudo, se o povo continuar com esse hábito triste de achar que os igarapés são lixeiras”, afirmou.

De acordo com Suziane, deveria haver punição para quem descarta resíduos no leito do rio e igarapés. “Uma coisa que tenho certeza é: as pessoas só aprendem se doer no bolso, se elas forem punidas de verdade, tenho certeza que vai diminuir ou até acabar de vez”, disse.

Segundo dados do site do Porto de Manaus, apenas ontem (12), o rio Negro baixou três centímetros.

Limpeza pública

A Secretaria Municipal de Limpeza Urbana (Semulsp) informou que há ações de limpeza contínua e a orla de Educandos recebe ações de limpeza pelo menos duas vezes por semana, mas falta cooperação da população no sentido de colaborar com a limpeza das águas.

Rio limpo apenas na memória

A aposentada Regina Souza de Malta, 68, disse que a falta de respeito com a natureza vai acabar com a vida das pessoas que precisam dos recursos naturais para viver. “Todos nós precisamos de água para viver. Logo, não faz nenhum sentido a gente poluir esse rio lindo. O que vamos deixar para a próxima geração? O que estamos ensinando aos mais novos? Poluir”, desabafou.

Ela contou que o rio Negro, na orla do Educandos, foi palco de muitos momentos felizes da infância dela, que estão guardados na memória dela e nem de longe parecem com o cenário que se vê hoje.

“Não tinha esse negócio de lixo. A gente se reunia no fim da tarde e, muitas vezes, até de manhã cedo para tomar banho. Uma água limpa, que água gostosa. Foram tempos que não voltam mais, está tudo se acabando na mão do homem. O homem é o seu próprio inimigo”, avaliou.

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