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Manaus
VIDA NA ORLA

Moradores de áreas alagadas aguardam ansiosos pelo fim da cheia do rio Negro

Nesta quinta-feira (9), o nível da água desceu mais dois centímetros, somando quatro desde terça-feira e atingindo a cota de 28,96 metros 08/06/2017 às 22:04 - Atualizado em 09/06/2017 às 08:20
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Zara Pereira teve a casa alagada e está morando com os vizinhos, mas contando com um apoio da prefeitura de Manaus. Foto: Winnetou Almeida
Isabelle Valois Manaus

Nos últimos três dias, o rio Negro tem dado sinais de que se aproxima do início da vazante. Nesta quinta-feira (9), o nível da água desceu mais dois centímetros, somando quatro desde terça-feira e atingindo a cota de 28,96 metros, abaixo, portanto, da cota de emergência, que é de 29 metros.

No entanto, para quem mora na orla ou nas margens de igarapés, áreas que ficaram alagadas por conta da enchente, ainda não é possível perceber a diferença: a maioria continua convivendo com a água dentro de casa, o que, em outros casos, obrigou moradores a deixar o imóvel e ainda os impede de retornar.

No beco Bragança, localizado no São Jorge, Zona Oeste, há famílias vivendo em situação bem delicada, como é o caso da dona de casa Zara Pereira, 43. Sem receber qualquer tipo de auxílio do poder público, a dona de casa e as duas filhas estão morando de favor na casa dos vizinhos.

“Quando a prefeitura veio construir as pontes, cheguei até pedir uma madeiras para construir um assoalho na minha casa, mas eles disseram que não tinham como atender o meu apelo. Nem sei como estão as minhas coisas dentro de casa, praticamente já dei por perdido, só gostaria de ter um canto para morar com as minhas filhas enquanto o rio está enchendo”, disse a dona de casa.

Assim como Zara, o pedreiro Moisés Jacques, 41, é outro morador do beco que aguarda a chegada da ajuda humanitária  para deixar a casa onde vive com os quatro filhos e a esposa, que está tomada pela água, que traz junto muito lixo, além de animais como sapos, cobras e até escorpião. “Todo dia é uma surpresa com esses bichos que aparecem por aqui. A minha preocupação são os meus filhos. São crianças e podem ser picadas ou ferradas por esses animais, por isso gostaria de sair daqui”, comentou.

Previsão
De acordo com o Chefe do Serviço de Hidrologia do Porto, Valderino Pereira, o rio Negro, em Manaus, se aproxima do término da cheia. Desde terça-feira, o rio começou a descer. Até ontem, ele seguia nesse processo.

“É possível afirmar que o rio Negro não chegará nem próximo da grande cheia de 2012, quando atingiu a cota de 29,97 metros. Ele tem demonstrado que se aproxima o término da cheia. Mas não sabemos o que irá ocorrer daqui pra frente. Ele pode seguir descendo o nível, paralisar, ou até mesmo voltar a subir. Isso só saberemos nos próximos dias”, disse.

Nível máximo: 29m
Após o rio Negro atingir a cota de 29 metros, no último final de semana, e ter permanecido nessa cota até segunda-feira, ele começou a dar os primeiros sinais de término da cheia deste ano. De a terça-feira até ontem, o nível do rio baixou quatro centímetros.

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