Domingo, 21 de Julho de 2019
TRAGÉDIA ANUNCIADA

Moradores de áreas de risco vivem entre o medo e a imprudência em Manaus

Vizinhos de família que perdeu dois filhos em deslizamento seguem construindo casas ao lado do barranco. Quatro famílias foram cadastradas em situação de risco



24/09/2017 às 20:16

Dois dias após o soterramento que deixou duas vítimas fatais – os irmãos Sara e Ismael Barros de Souza, de 19 e 17 anos, respectivamente – na rua Japurazinho, no bairro Nossa Senhora de Fátima 2, Zona Norte, moradores estão apreensivos e em sinal de alerta com a possibilidade de novos deslizamentos de terra nas proximidades.

No entanto, mesmo diante do risco, evidenciado na tragédia da última sexta-feira, vizinhos da casa parcialmente destruída pelo deslizamento continuam construindo na área de risco.

O pai dos jovens que morreram em decorrência do deslizamento de terra, Raimundo Nonato, afirmou que, até ontem, a única ajuda que recebeu foi de amigos e vizinhos. Ele, a esposa, Edmara Rodrigues Barros, e os outros dois filhos estão morando em uma casa com dois cômodos cedida por uma vizinha durante um mês.

A família aguarda o auxílio-aluguel prometido pela prefeitura na ocasião do incidente, pois alega não possuir outro local para ficar após o prazo dado pelo vizinho. De acordo com Nonato, depois do desabamento da casa de um vizinho, no ano passado, eles chegaram a receber, por um ano, o auxílio aluguel da prefeitura, mas tiveram que voltar por não terem condições de pagar aluguel após o fim do benefício. “Em termos de aluguel nada foi tratado desta vez. Nós recebemos só a ajuda com os caixões”, disse.

Edmara relatou que procurou órgãos como a Superintendência Estadual de Habitação (Suhab) para conseguir uma casa por meio de programas sociais ou mesmo empréstimo para comprar um terreno, mas sem sucesso. “O que mais dói nessa parte é que eu fui atrás de ajuda para sair de lá. Eu morava lá porque eu não tinha onde morar e agora que não tenho mesmo”, lamentou.

Sem opção

A sobrinha de Nonato, Raimunda de Souza, vive há 14 anos no alto do barranco que deslizou e suplica para que as autoridades possam dar assistência aos moradores. “É uma tristeza muito grande para nós termos perdido duas vidas. A gente está apelando para ir embora daqui. Nós já pedimos muito do prefeito para nos tirar daqui. Comprei neste lugar porque eu não tinha para onde ir com meus seis filhos”, afirmou.

Também morador da vizinhança, o mestre de obras Bergson Chaves frisou que quem mora nas proximidades é por questão de necessidade e ressaltou a ausência de ajuda. “Os governantes, os candidatos só procuram o povo aqui em época de eleição. Nessa época do acidente, não apareceu ninguém até agora. Nem para a família dão apoio”, contou.

Chaves destaca que, se não forem tomadas atitudes pelo poder público, o mais rápido possível, desastres maiores podem vir a ocorrer. “Quando começa a chover, a gente fica em alerta”, revelou Fabiana Leite. Vivendo no bairro há 11 anos com o esposo e os dois filhos, a dona de casa se diz amedrontada pelo fato do barranco ser instável. “Começou a chuva, a gente já não dorme mais, tem que ficar vigiando para que, se acontecer alguma coisa, pelo menos dê tempo de correr”, expôs.

Outras quatro casas em risco

A Defesa Civil informou que foram cadastradas mais quatro casas em situação de risco. O órgão fez a orientação aos moradores a procurarem um local seguro. Hoje o órgão fará uma nova avaliação do local e no entorno da área afetada. De acordo com a Secretaria da Mulher, Assistência Social e Direitos Humanos (Semmasdh), o auxílio-aluguel será liberado em 10 dias. O prazo começa a contar a partir de amanhã e o benefício será disponibilizado por 12 meses, e pode ser prorrogado por mais seis.

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