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Manaus
Manifestação Moradores

Moradores de comunidade fazem ato público em Manaus

Moradores da comunidade Arthur Bernardes, atingida por um incêndio no fim de 2012 fizeram ato público para relembrar episódio em Manaus 27/05/2013 às 13:57
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Moradores fizeram várias reivindicações durante o protesto
Bruna Souza Manaus

Moradores da Comunidade Arthur Bernardes, localizada no bairro São Jorge, na Zona Oeste de Manaus, fizeram um ato público na manhã desta segunda-feira (27), para relembrar o poder público sobre o incêndio que atingiu o local em dezembro de 2012.  Os manifestantes aproveitaram para reivindicarem a correção do aluguel social que atualmente está no valor de R$ 400, a desburocratização da documentação solicitada pela Superintendência de Habitação do Amazonas (Suhab), além da aceleração do processo indenizatório.

 A maioria dos moradores reclama que o aluguel está atrasado desde o fim de abril. Outro questionamento feito pelos moradores é de que este valor é inferior ao que geralmente é cobrado por alugueis em Manaus, que varia entre R$ 600, R$ 800 e até R$ 1.200.

A balconista Suelen Maia, 33, reclamou do atraso no pagamento do aluguel social e agora tem que tirar do pouco que ganha para pagar o proprietário da casa na qual está morando com o marido, a cunhada e três filhos menores de idade.

“O valor de R$ 400 não dá para pagarmos o aluguel de uma casa. Sempre tenho que completar com o dinheiro do meu salário para poder ter um teto e ainda por cima, o governo atrasa o pagamento. O proprietário não espera, se eu tiro um pouco mais do meu salário, que não é muito, deixo de comprar o rancho do mês”, relatou a balconista.

A costureira Maria Arlete Fonseca, 44, reclamou do atendimento das assistentes sociais da Suhab e disse que recebeu uma proposta de indenização de apenas R$ 4 mil.

“O pessoal da Suhab é que estão definindo os valores das indenizações. Me ofereceram apenas R$ 4 mil, agora eu pergunto, onde vou comprar uma casa ou terreno nesse valor?” questionou Arlete.

Outra reclamação das famílias que perderam tudo no incêndio é a burocratização para receberem as indenizações do Governo do Amazonas. Apesar de terem sido cadastradas lá mesmo no local do sinistro, os moradores reclamam que a Suhab exige a apresentação de documentos que comprovem que eles realmente moravam no lugar, sendo que boa parte das famílias perdeu tudo, inclusive documentação, no fogo.

Um dos líderes do ato público que aconteceu pacificamente, o eletricista Alcemir Orcriza, 34, disse à nossa equipe de reportagem que por causa dessa burocratização, muitas famílias estão com medo de não terem onde morar.

“Estamos preocupados com a documentação exigida pela Suhab, estão querendo que cada morador apresente três comprovantes de residências diferentes, incluíndo de água e de luz, sendo que todos os documentos queimaram no incêndio. Além disso, muitos não pagavam a energia e a água, então, não temos como comprovar que moravam aqui, mas todos fizeram o cadastro logo após o incêndio”, declarou.

Os moradores também afirmam que há dois meses estão sem receber a cesta básica. Durante a mobilização, os moradores encaminharam ao Governo do Estado as reivindicações e aguardam resposta até a próxima sexta-feira. Eles prometeram fechar a avenida Constantino Nery se as exigências não forem atendidas.

Resposta Suhab

Em nota, a assessoria de imprensa da Suhab informa que a área da comunidade Arthur Bernardes foi beneficiada de uma forma emergencial devido ao incêndio ocorrido no local e o valor fixado em R$ 400,00  é fixo para todas as ações do Governo do Amazonaso. Segundo a Superintendência, o valor é estabelecido de acordo com a tabela de aluguel das áreas periféricas da cidade de Manaus e declara que é inviável o acréscimo de mais R$ 300,00 para cada família beneficiada, tendo em vista que se trata de mais de 500 famílias.

Com relação aos critérios documentais exigidos pelo órgão, a Suhab declara que a exigência é necessária para evitar que aproveitadores sejam beneficiados, já que ações do tipo são muito comuns em situações como esta. A documentação é necessária para evitar erros no beneficio e é  exigência do Ministério das Cidades. Os moradores que não pagavam as contas de água ou luz podem apresentar as segundas vias de comprovante ou notas fiscais de lojas.

“As ações na área seriam iniciadas no segundo semestre de 2013o e devido ao incêndio, foi antecipada. Portanto, estamos em processo de liberação de recursos para pagamento das indenizações, durante esse período, as famílias continuarão recebendo o auxílio aluguel’’, descreve outra parte da nota enviada pela assessoria da Suhab.

 



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