Sábado, 17 de Agosto de 2019
INVASÃO

Moradores de conjunto reivindicam retomada de área ocupada em Manaus

Residentes do conjunto Renato Souza Pinto II reivindicam uma Área de Preservação Permanente (APP), que foi ocupada por uma invasão há quase seis anos



agora_agorinha_ocupada_C37601FC-C5F7-4D19-84DD-2AC4FF5C099B.JPG Área segue ocupada há pelo menos seis anos, apesar de demolições. Foto: Euzivaldo Queiroz
13/07/2019 às 16:16

Moradores do conjunto Renato Souza Pinto II, localizado no bairro Cidade Nova I, Zona Norte de Manaus, estão reivindicando a retomada de uma Área de Preservação Permanente (APP) que integra o local e foi ocupada por uma invasão há quase seis anos. Localizada nas imediações da avenida das Flores, a invasão já foi alvo, no ano passado, de ação de reintegração de posse, mas os ocupantes continuam vivendo na área.

De acordo com um morador que vive no conjunto há dezesseis anos, a área, que abrigaria uma creche e uma escola, se tornou ponto de tráfico de drogas, prostituição e ligações clandestinas para fornecimento de água. “Em dezembro do ano passado, representantes de vários órgãos como Ministério Público, Batalhão Ambiental, Secretaria Municipal de Meio Ambiente, entre outros, realizaram uma fiscalização conjunta ali. Demoliram dois barracos e afirmaram que todos os moradores seriam despejados, mas isso não ocorreu”, queixou-se. “Agora, esperamos a decisão do juiz da Vara de Meio Ambiente”.

Segundo a fonte, o Instituto Municipal de Planejamento Urbano (Implurb) atestou como falsos os documentos de propriedade apresentados pelos invasores. Uma dupla de menores que moram na invasão assaltou residências do conjunto, mas foram liberados após intervenção da polícia. “Presenciamos crianças circulando seminuas por ali, comprando bebidas alcoólicas para os pais. O Conselho Tutelar foi acionado, porém ainda não tomaram providências”, acrescenta. Ele acredita que um ex-soldado da Polícia Militar conhecido como Bruno Gomes, atualmente preso por assassinato, estaria coordenando a invasão com o auxílio de policiais e políticos, e inclusive teria sido designado proprietário do terreno graças a uma decisão favorável da justiça.

“Foi ele quem mandou construir o muro que divide o terreno, e isso dificulta o acesso à parada de ônibus da avenida das Flores. Esse é o motivo da confusão com os moradores do conjunto”, assegura um fonte, cujo filho mora numa casa de alvenaria com tijolos à vista. “Tentei impedir essa obra e acabei sendo agredida pelo Bruno e seus colegas”, informou.

Outra moradora da casa disse que a única advertência dos órgãos de proteção ambiental diz respeito à proximidade de algumas casas com as margens do igarapé que corta a invasão, o que é proibido.

“A maioria das pessoas que vivem ali já possuem residência. O que eles querem é fazer negócios com o Estado”, afirmou outro habitante do conjunto. “No entanto, os moradores temem se envolver, pois há muitos policiais nesse local”. 

A área compreende um trecho de área verde ocupado por construções irregulares, com edificações de alvenaria.

Resta esperar ação

Em nota, a Secretaria Municipal de Meio Ambiente e Sustentabilidade (Semmas) se manifestou informando que já solicitou à Procuradoria Geral do Município (PGM) a reintegração de posse da área na Justiça. Todos os ocupantes já foram notificados a sair do local. Agora é aguardar a tramitação do processo de reintegração na Justiça do Amazonas.

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