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Manaus
Saudosismo manauense

Moradores de Manaus dizem do que sentem mais saudade em relação ao passado

Quem nasceu na cidade, ou escolheu a capital para morador e trabalhar, fala que preferia quando havia, por exemplo, mais emprego e gentileza por parte das pessoas 31/05/2016 às 09:33 - Atualizado em 31/05/2016 às 17:48
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Leitores entrevistados por A Crítica mostraram-se saudosistas em vários aspectos / Arte: Héli sobre fotos de Clóvis Miranda
Paulo André Nunes Manaus (AM)

Sentir saudade do passado é uma característica frequente no coração de quem nasceu ou escolheu Manaus para morar. Pelo menos é isso que ficou claro em uma enquete que A Crítica fez nas ruas da cidade perguntando aos leitores do que eles sentem mais falta em relação aos anos anteriores.São vários os tipos de recordações positivas que eles fazem questão de relembrar, passando da gentileza das pessoas de há alguns anos até as dificuldades de setores públicos polêmicos como saúde e transporte.

Segurança

Aos 80 anos de idade, a aposentada Margarida Santana sente falta de mais segurança na capital. Ela, que nasceu em Cruzeiro do Sul (AC) e que fez de Manaus moradia há 20 anos, disse que antigamente a cidade era mais segura, diferente dos últimos anos. Há 2 anos, ela lembra ter sido assaltada no Centro da cidade, próximo ao Colégio Militar (CMM), por um criminoso que lhe “pediu” a bolsa. Dentro, estavam dois meses de aposentadoria e mais o 13º da aposentada. “Antigamente era muito mais seguro andar pelas ruas. Hoje, você corre muitos riscos. Já vi muitas pessoas sendo assaltadas”, explana ela, que é moradora do bairro Aleixo.

Emprego

Natural de Tefé, o operador de máquinas Waldejane Corrêa, 36, está há 5 anos em Manaus. Ele conta ter desembarcado na cidade já com a vaga de emprego definida, o que dificilmente ocorreria hoje.

“As chances de emprego atualmente diminuíram. Há mais dificuldade para se conseguir uma vaga. As pessoas precisam estudar e se especializar para conseguir um trabalho. Em contrapartida, muitas pessoas conseguem uma oportunidade porquê vão mais por indicação de alguém influente”, destaca o interiorano, que tem o Ensino Médio de Informática e também atua como soldador. Ele também destaca que “as pessoas que vêm do interior, sem emprego, ficam alojadas na casa de parentes.

Esporte

“De tudo um pouco eu sinto saudade aqui em Manaus em relação aos anos passados”, conta a dona de casa Priscila da Silva Albuquerque, 30. No entanto, ela cita que há mais lembranças positivas de há alguns anos quando o “atendimento à saúde era melhor” e na parte esportiva “o Amazonas tinha melhores resultados”.

Nesse último âmbito, ela ressalta a campanha vitoriosa do seu clube de coração, o São Raimundo Esporte Clube, tricampeão da Copa Norte (1999, 2000 e 2001) e do Campeonato Amazonense (1966, 1997, 1998, 1999, 2004 e 2006).

O Tufão da Colina, como era chamado, foi responsável por outros feitos como ter sido o único clube amazonense a ter participado de um torneio internacional oficial, a Copa Conmebol de 1999, da qual foi semifinalista. O clube ainda participou por sete edições seguidas do Campeonato Brasileiro da Série B e em oito edições da Copa do Brasil.

“Sinto saudade dessa época vitoriosa do esporte amazonense. Sou torcedora do São Raimundo e vivi esses momentos gloriosos”, explicou, olhando firme para o horizonte ao lembrar principalmente da equipe do artilheiro Delmo. Paralelo a essa lembrança, na década de 1980 o Nacional também protagonizou boas campanhas no Brasileiro da Série A, sempre lotando o antigo estádio Vivaldão.

Festival de Parintins

O duelo entre os bois Garantido e Caprichoso no Município de Parintins (a 325 quilômetros de Manaus) também foi lembrado pelos leitores de A CRÍTICA como mais nostálgico.

De acordo com a promotora de vendas parintinense Luciana Gomes, 38, que é torcedora do azul e chegou a se apresentar no Bumbódromo, “o Festival era bem melhor e mais emocionante do que acontece atualmente”.

Gentileza e transporte

A gentileza no  trato com outras pessoas é uma das lembranças de alguns anos da professora Maria Dorotéia, 46, em relação à Manaus de outrora. “Antes as pessoas eram mais cordiais e gentis com as outras. Essa é uma grande principal mudança. Outra é o transporte: eu demoro entre 1h e 1h30 para pegar o meu coletivo 010 (Norte-Sul) todos os dias”, disse ela.

Ponta Negra e juventude

O balneário da Ponta Negra,  bem como o sistema de saúde foram outras características de Manaus e dos seus habitantes que foram lembradas pelos leitores de AC. O gráfico Antônio Geraldo, 64, por exemplo, tem saudades da Ponta Negra. “Eu achava ela mais segura antes dessa reforma toda que fizeram. Ficou mais bonita, é verdade, mas eu preferia a de antes”, conta ele. “Também sinto falta da minha juventude”, completa, em tom de brincadeira, ele, destacando que, antigamente, “tudo  era mais tranquilo e sem essa baderna de atualmente”.

Para o mestre de obras Anderson Farias Guimarães, 38, a saúde de hoje não está tão “bem de saúde” quanto há alguns anos. Pai de três filhos, ele cita que, justiça seja feita, o “sistema na época do ex-presidente da República Lula era bem mais eficiente”, e que “depois dele ficou pior”.

Em âmbito local, ele critica o “investimento que foi feito no trânsito da cidade em vez da saúde”. A situação só não é pior, destaca o pai de família, porquê o mesmo paga um plano de saúde para a família, o que atenua as dificuldades em comparação com o sistema público de saúde.

“Pago um plano de saúde particular que é bem melhor e mais seguro que o público”, disse ele, ressaltando que os governantes deveriam olhar com mais carinho para esse setor.

FRASES

“Eu achava a Ponta Negra mais bonita e segura antes dessa reforma toda que fizeram. Hoje tem muita baderna no local” (Antônio Geraldo, 64, gráfico)

“Pago um plano de saúde particular para a minha família. É bem melhor e mais seguro que o atual sistema público” (Anderson Guimarães, 38, mestre de obras)

“Antigamente era muito mais seguro andar pelas ruas. Hoje, você corre muitos riscos. Já vi muitas pessoas sendo assaltadas” (Margarida Santana, 80, aposentada)

“As chances de emprego atualmente diminuíram. Há mais dificuldade para se conseguir uma vaga” (Waldejane Corrêa, 36, operador de máquinas)

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