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Manaus
SITUAÇÃO DESCONFORTÁVEL

Moradores de rua utilizam jardim de banco do Centro como moradia e banheiro

Pessoas que trabalham na rua Dr. Moreira, no Centro de Manaus, reclamam do forte odor que exala do jardim do banco 08/11/2018 às 01:32
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Lojista aponta para área onde moradores de rua invadem à noite. Foto: Jorge Llach/Free Lancer
Priscila Rosas Manaus (AM)

Lojistas e taxistas da rua Dr. Moreira, no Centro de Manaus, enfrentam há pelo menos seis meses uma situação desconfortante: os moradores de rua que transitam por essa via muitas vezes fazem das calçadas das lojas dormitório, principalmente no período da noite, usando o jardim do Banco Safra, na esquina com a rua José Paranaguá, como banheiro.

Segundo César Bahia, 40 anos, vice-presidente da Associação Estrela Tropical Taxi, dona do ponto situado a frente do jardim, o forte odor proveniente do local tem sido o principal motivo pelo qual os taxistas não ficam mais ali, e sim, do outro lado da rua. Comer ou descansar acabam sendo atividades desafiadoras. “Não ficamos mais no posto porque não temos mais condições. É um verdadeiro vaso sanitário a céu aberto”, fala.

São feitas 30 corridas por dia nesse ponto de táxi e os clientes também reclamam do mau cheiro. “O banco (Safra) falou que ia arrumar, mas eles nem limpam. Ligamos para a Vigilância Sanitária e também não tivemos retorno”, conta. Os pedestres que transitam pelo local também se incomodam com o odor, tanto que preferem atravessar e continuar o trajeto do outro lado da referida rua.

No outro lado da rua Doutor Moreira, em frente ao jardim está localizada a loja do comerciante José Siqueira, 55 anos. O proprietário da Siqueira Eletro já chegou a pagar pessoas para limparem o local, que é dentro da propriedade do Banco Safra. “Há dias que não dá para ficar aqui. O cheiro é horrível. Tem dias que eu mesmo jogo desinfetante para melhorar”, diz. Ele já chegou a pedir ajuda ao poder público mas nada foi feito.

De acordo com Siqueira, as pessoas em situação de rua que andam por lá, quebram as grades de proteção do jardim, que sofrem a ação do tempo e acabam enferrujando. Assim, os invasores conseguem adentrar ao jardim com facilidade. “O Safra não resolve nada. É a propriedade deles e são eles que tem que zelar”, frisa. O proprietário também conta que esses moradores de rua, além de usar o espaço para necessidades fisiológicas, também fumam e usam drogas no local, aumentando ainda mais os transtornos causados.

Outro lado

A Vigilância Sanitária da Prefeitura de Manaus (Visa Manaus) comunicou, por meio de nota, que a situação não compete a ela, já que o problema não é provocado por falha ou inexistência de estrutura, como fossa, despejo de águas servidas em via pública, etc. O órgão aconselha que os envolvidos falem com o dono da propriedade particular, no caso, o Banco Safra.

A Secretaria Municipal da Mulher, Assistência Social e Direitos Humanos (Semmasdh) informou, também via nota que, devido à legislação não pode retirar as pessoas em situação de rua do local onde estão. Porém, em casos de denúncia, uma equipe de abordagem é enviada para conversar com eles e tentar sensibilizá-los a saírem da área e retornarem para seus familiares, num “trabalho que demora e, por isso, exige tempo”. As denúncias podem ser feitas para os fones 08000926644 ou 0800092 1407.

Procurado por A Crítica, o Banco Safra não quis se posicionar sobre o assunto.

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