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Manaus
PROBLEMA CRÔNICO

Moradores denunciam descarte irregular de lixo em áreas verdes de bairros de Manaus

Não é só a periferia que sofre com as lixeiras viciadas, frequentes nos arredores de condomínios e conjuntos 02/05/2018 às 04:13 - Atualizado em 02/05/2018 às 07:04
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Lixo doméstico e de construção invadem as margens de mata das vias do bairro Ponta Negra, na Zona Oeste de Manaus. Foto: Márcio Silva
Álik Menezes Manaus (AM)

Reflexo da falta de educação da população e de ações punitivas de órgãos públicas, áreas verdes da capital amazonense estão se tornando verdadeiros lixeiros. Entulho e lixo doméstico são descartados a qualquer hora do dia independente se o bairro é considerado de periferia ou área nobre, como a Ponta Negra.

O professor de biologia André Monteiro, que mora em um prédio residencial na Ponta Negra, na Zona Oeste da cidade, disse que vê da varanda do apartamento dele entulhos e lixo domésticos sendo descartados em uma área verde que cerca o condomínio onde mora. “Já vi até caminhão grande chegando e jogando muito entulho de construção, mas também é possível ver pessoas jogando lixo doméstico. Não temos como saber se são moradores de conjuntos daqui ou de outras áreas”, disse.

Para o professor é triste ver que a própria população degrada o ambiente onde vive e que no futuro, não tão distante, sofrerá as consequências dos atos criminosos contra a natureza. “A vista que tenho da varanda do meu apartamento é muito bonita, mas quando olho um pouco mais para baixo fico triste porque vejo áreas cheias de lixo e muitas vezes a gente até flagra pessoal jogando lixo”, lamentou.

No conjunto Campos Elíseos, na Zona Centro-Oeste, os moradores denunciam que também é comum o descarte de lixo em uma área verde, localizada na rua Dublin (imagem acima), uma das ruas principais do conjunto. “É mais comum durante a madrugada, quando não tem movimento na rua. No outro dia de manhã a gente vê os montes de lixo”, lamentou a aposentada Maria Rosa dos Santos, 71.

Outro morador, que pediu para não ser identificado, disse que comerciantes e até moradores do conjunto colaboram com a sujeira há décadas. Segundo ele, é comum o entulho de construções de casas serem jogados na área a qualquer hora do dia. “Eles constroem e não tem a coragem de pagar para uma empresa jogar o entulho no local correto, mandam jogar aí como se fosse o quintal da casa deles”, disse.

O problema é o mesmo no conjunto Ajuricaba, também na Zona Centro-Oeste. Um lixão foi formado há décadas em uma área verde da rua Penetração. Alguns moradores até criticam e pedem para que o lixo não seja jogado no local, mas inúmeras vezes sacolas com lixo doméstico e resto de construção são jogados barranco a baixo.  “A gente sabe quem são as pessoas que jogam lixo, mas corre até perigo se for denunciar porque moramos na mesma rua ou conhecemos há muitos anos. O problema é que esse tipo de atitude vai prejudicar todo mundo”, lamentou uma dona de casa, que não quis se identificar.

Em nota, a Prefeitura de Manaus informou que a Secretaria Municipal de Meio Ambiente e Sustentabilidade (Semmas) atua movida por denúncia. Em caso de descarte de resíduos em área protegida,  o denunciante pode informar placa de veículo e/ou foto em que seja  possível fazer a identificação. No caso da remoção do lixo já descartado, a solicitação deve ser feita à Secretaria Municipal de Limpeza Pública (Semulsp).

Atuação em 79 pontos de descarte

A prefeitura ressaltou que o combate a lixeiras viciadas envolve pelo menos cinco equipes da Semulsp: varrição, remoção mecanizada, jardinagem, conscientização e fiscalização.

No primeiro trimestre desse ano, mais de 170 ações de combate a lixeiras viciadas já foram feitas. O trabalho envolve a limpeza dos pontos de lixo; implantação de lixeiras comunitárias, placas e jardins e ações de conscientização dos moradores. Nesse período, um total de nove jardins foram criados pela cidade; 11 placas foram instaladas e 14 lixeiras comunitárias foram implantadas.

Para o trabalho de implantação de jardins, a Semulsp utiliza plantas das espécies: agave, pau-pretinho, croton taperebá, espada de são jorge, dracena, bananeira, cróton police, jasmim do Caribe, grama esmeralda, entre outras, cultivadas em viveiro próprio da Semulsp.

Em 2017, a prefeitura desarticulou 79 pontos de acúmulo irregular de lixo, por meio da atuação da Semulsp. No segundo semestre do ano passado, foram realizadas cinco blitze de fiscalização, que apreenderam e multaram mais de 30 caçambas que estavam transportando entulhos para descarte em lixeiras viciadas.  A operação reuniu Semulsp, Semmas, Manaustrans e Batalhão de Trânsito.

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