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Manaus
zona norte

Moradores acusam PMs de demolirem casas sem ordem judicial em Manaus

Os policiais usaram uma retroescavadeira para derrubar quatro residências no conj. Águas Claras. Segundo moradores, os PMs fizeram ameaças e agrediram populares 12/09/2016 às 20:59 - Atualizado em 13/09/2016 às 16:38
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As residências ficavam ao lado de uma Área de Preservação Permanente (Evandro Seixas)
Vinicius Leal Manaus (AM)

Policiais militares da 12ª Companhia Interativa Comunitária (Cicom) estão sendo acusados por moradores do conjunto Águas Claras, no Parque das Laranjeiras, zona Norte de Manaus, de demolirem quatro casas, sem qualquer autorização judicial, na manhã desta segunda-feira (15). Segundo moradores, os PMs usaram uma retroscavadeira para derrubar as residências, que ficavam ao lado de uma Área de Preservação Permanente (APP).

“Eles chegaram sem mandado nenhum, xingando, gritando, colocando as pessoas de joelho, falando palavrões... ameaçavam e mandavam calar a boca e bateram nos homens, com chutes e pontapés”, disse a engenheira química Raimunda da Silva Farias, 37. “Começaram a demolir e derrubar tudo. A gente dizendo que não podiam fazer isso e queríamos uma justificativa, mas eles mandavam o cara (operador da retroescavadeira) meter a máquina e não falavam nada para a gente”.

Treze pessoas – entre adultos, crianças e idosos, moravam nas quatro casas, localizadas ao final das ruas H1 e H3, bem ao lado da APP. As residências, todas de madeira, foram completamente destruídas, e os moradores perderam dezenas de móveis e eletrodomésticos. “Não tem onde dormir e as nossas coisas estão todas na rua, pegando chuva. Ali tem fogão, geladeira, cama, freezer e até uma caixa d’água”, falou Alex Martins Roque de Castro, 22.

Conforme os moradores, duas viaturas chegaram por primeiro ao local, e depois mais cinco. De acordo com eles, todos os policiais eram liderados por um tenente identificado como Tiago Dantas, que segundo os moradores é da 12ª Cicom. “Me tiraram (sic) de dentro da minha casa, me botaram no meio da rua, de joelho, falaram que aqui era um ponto de droga. Eu mandei eles entrarem e revistarem a minha casa, mas não encontraram nada. Passei a maior humilhação”, disse Alex Martins.

Segundo os populares, cinco pessoas foram agredidas no total e a maioria dos PMs também estava sem identificação. Eles impediram que a demolição fosse registrada em vídeos de celular, conforme os moradores. “Eu tentei filmar, mas ele me ameaçou”, disse Raimunda. “Eles ficavam fotografando as placas dos carros que chegassem e diziam que ‘estávamos na mão deles’, ameaçando mesmo”.

A motivação

Toda ação de demolição das casas durou cerca de quatro horas, de 8h às 13h. Depois, os moradores foram ao 23º Distrito Integrado de Polícia (DIP) denunciar os PMs e só lá descobriram a razão da derrubada das casas. “A justificativa que eles deram para o delegado é que receberam um telefonema, uma denúncia de uma pessoa dizendo que aqui era uma invasão cheia de bandido”, falou Raimunda.

Entretanto, os moradores apresentaram à reportagem documentos que comprovam a regularidade deles no local, como faturas de serviço de água e de energia e também um documento da Prefeitura de Manaus para início de recolhimento de Imposto de Propriedade Predial e Territorial Urbana (IPTU). “Fizemos boletim de ocorrência por ameaça e danos. E vamos no IML solicitar perícia e depois levar para a Ouvidoria. Disseram que era para nós pedirmos indenização do Estado”, explicou a moradora Raimunda.

Na tarde desta segunda-feira (12), policiais da Delegacia do Meio Ambiente (Dema) foram ao local onde ficavam as casas derrubadas, conforme os moradores. “A própria delegacia onde fomos acionou a delegacia do meio ambiente. Vieram aqui, fizeram a perícia e disseram que eles (policiais) abusaram de poder, que não podiam ter feito o que fizeram”.

Sem autorização

A reportagem entrou em contato com o comando da 12ª Cicom, que informou não ter havido qualquer autorização para derrubada de casas. “O comandante está de férias, mas não teve nenhuma ordem. Não sei como isso foi feito”, falou o subcomandante Wesley, da 12ª Companhia Interativa Comunitária.

Em nota, a PM informou que “foi enviada ao local com a finalidade de assegurar a atuação de agentes dos órgãos ambientais na realização da reintegração (de posse)” e que as “máquinas utilizadas na operação, como retroescavadeira, assim como os manobristas das mesmas, não pertencem à Polícia Militar”. “Qualquer denúncia sobre a conduta dos PMs deverão ser realizadas junto a Corregedoria da instituição”, disseram.

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