Sábado, 14 de Dezembro de 2019
INSEGURANÇA

Moradores da rua 28 no Manôa criam grupo de WhatsApp para fugir da violência

Moradores agora só saem de casa na companhia de outros e investem em equipamentos de segurança para fugir dos constantes assaltos



1218780.JPG (Foto: Jander Robson)
24/04/2017 às 10:52

Após vinte dias internado no Hospital e Pronto Socorro 28 de Agosto, na Zona Centro-Sul, Elcimar Cavalcante Neves, de 56 anos, morreu na manhã deste domingo (23). O funcionário público foi baleado no dia 3 de abril, quando tentava socorrer uma vizinha cuja residência estava sendo assaltada. Ambos são moradores da rua 28 do conjunto Manôa, bairro Cidade Nova, Zona Norte de Manaus, área que nos últimos dias já vinha sofrendo com a ação de criminosos e que fez com que a comunidade tomasse as próprias providências de segurança.

Após o crime, os moradores montaram um grupo no WhatsApp para avisar quando estavam saindo de casa e assim ter a companhia dos outros, além de investirem a quantia de R$ 6 mil em equipamentos de segurança. Além de tentarem inibir novos roubos, a comunidade espera que mais vizinhos não sejam vítimas fatais.



Elcimar foi atingido por um disparo de arma de fogo no abdômen e outro morador, identificado como Edmilson Marques, levou um tiro nas costas. Ele também foi internado no HPS Platão Araújo, mas recebeu alta e se recupera em casa.

Na ocasião do crime, a vítima do assalto, uma mulher de 41 anos, que preferiu não se identificar por medo, teve a casa invadida por três homens armados que conseguiram roubar diversos objetos da casa, inclusive o veículo da família.

“Foi horrível! Na hora que eles já estavam saindo, dois vizinhos daqui da rua estavam chegando na frente da minha casa e acabaram sendo atingidos por tiros. Ficamos todos desesperados, pois apesar de já estarmos sofrendo com constantes roubos, nunca tínhamos presenciado um fato com tamanha violência”, disse a mulher, que teve o carro recuperado no mesmo dia do assalto.

O crime estava sendo investigado pela Delegacia Especializada em Roubos e Furtos de Veículos (DERFV), mas, segundo os familiares, após a morte de Elcimar, o caso foi transferido para a Delegacia de Homicídios e Sequestros (DEHS).

Precaução

Em um ato quase que de desespero, ainda quando Elcimar se recuperava no hospital, os moradores se reuniram para fazer com recursos próprios as ações de segurança no local. A primeira atitude foi criar um grupo no aplicativo WhatsApp para que todos os vizinhos pudessem se comunicar e, principalmente, se ajudar.

“Nos comunicamos toda vez que estamos saindo ou chegando em casa para saber se tem alguma movimentação estranha. Muitas vezes, quando estamos chegando, dois ou mais vizinhos saem para as portas das casas, como forma de tentar inibir a ação dos bandidos”, disse um funcionário público de 39 anos, que mora no local há 28 anos.

Outra providência tomada pelos moradores foi fazer uma reunião para definir quais as medidas de segurança físicas seriam tomadas. Com um custo de R$ 6 mil, eles irão instalar oito câmeras espalhadas na rua, com acesso em tempo real pelos próprios moradores. Serão instaladas ainda sirenes e lâmpadas de emergência, além de outros materiais de segurança.

“A nossa ideia é colocar posteriormente um botão do pânico em cada casa. Infelizmente temos que tomar essas medidas, pois se dependermos apenas da segurança pública, iremos continuar a mercê dos bandidos. Vamos mostrar que somos mais fortes que eles”, destacou outro morador, de 36 anos.

Os vizinhos reclamam que o patrulhamento no local é precário e que inclusive quando ligam não são atendidos pelos policiais responsáveis pela área.

Duas viaturas

Em resposta, a 6ª Companhia Interativa Comunitária (Cicom), que é responsável pela área do bairro Manôa, alegou que diariamente disponibiliza cerca de duas viaturas para o bairro. Enquanto aos telefonemas não atendidos, eles declararam que poderiam estar atendendo outras ocorrências.

 “Estamos trabalhando para resolver este problema e fazendo o possível para atender todas as ocorrências do bairro. Tanto que diariamente são disponibilizadas cerca de duas viaturas para a ronda no local. Só que, infelizmente, quando surgem novas ocorrências, temos que descolocar esses carros para atenderem as denúncias que surgirem. Não é só o Manôa que está com este problema de violência nas ruas, lá se tornou uma área vermelha, mas também temos que atender outros bairros”, esclareceu o tenente Estevão Barbosa, que ainda acrescentou que o comandante da 6ª Cicom, coronel Carlos Lopes, é morador do bairro Manôa e está apurando de perto a situação.

Furtos e terrenos perigosos

Na última terça-feira (18), mais um morador foi vítima da ação dos bandidos. A vítima, um vigilante de 28 anos, chegou do trabalho a noite e acabou deixando a motocicleta dele na rua. Ao acordar de manhã, teve a triste surpresa em encontrar o local limpo. “Eu tinha o costume de deixar minha moto na rua, já que de manhã cedo eu saio de casa. Nesse dia, quando eu saí de casa não encontrei a minha moto”, lembrou o vigilante, que até agora não teve o veículo recuperado.

Entre as denúncias dos moradores está uma residência que fica localizada na esquina da rua. O local está abandonado, tomado pelo mato e já serviu até mesmo de moradia para bandidos. “Na frente da casa o mato está tão grande que uma pessoa consegue facilmente se esconder lá”, disse o funcionário público.


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