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Moradores do Coroado, Zona Oeste, se unem para revitalizar seu igarapé, antes totalmente poluído

Aos poucos, o curso d'água está ganhando nova cara, graças à iniciativa de 15 pessoas que resolveram limpar e arborizar o espaço 06/03/2016 às 11:12
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Atualmente, além de Manoel Santana, idealizador do projeto, outras 14 pessoas estão engajadas nele
Kelly Melo ---

Situado entre as ruas Beira Mar e Beira Rio, o igarapé que corta o bairro Coroado, na Zona Leste, está ficando de “cara nova”. Isso porque um grupo de moradores da comunidade decidiram “arregaçar as mangas” e começar a, não só limpar as margens do curso d’água, como também plantar mudas de espécies frutíferas e medicinais para melhorar o ambiente no seu entorno. 

A iniciativa surgiu com a atitude do assistente social, Manoel Santana, 38. Ele contou que um dia, o filho de 6 anos pediu ajuda para fazer um trabalho escolar sobre o meio ambiente, mas na opinião dele, fazer desenhos em uma cartolina não era o suficiente.

“Foi aí que eu percebi que podia ensinar para o meu filho que cuidar do meio em que vivemos é extremamente importante. E como as margens do igarapé estavam muitas degradadas, vi aí a oportunidade de fazer algo diferente, novo, que vai beneficiar não só a mim, mas a toda comunidade”, explicou ele.

Atualmente, além de Manoel, outras 14 pessoas estão engajadas no projeto que recebeu o nome de “Mudança”. Todos os dias, os voluntários se reúnem para capinar o terreno, tirar o lixo do igarapé e plantar as mudas, que muitas vezes são doadas por outras pessoas. O importante é a contribuição que cada um vem dando”, disse.

Reaproveitamento

O que também chama a atenção é que os próprios resíduos que foram retirados do local estão servindo, hoje, para embelezar o espaço. “Aqui tem todo o tipo de lixo que você possa imaginar. Os pneus são exemplos disso. A maioria deles nós retiramos daqui mesmo e outros foram doados por borracharias. Nós pintamos um por um e agora, esses pneus estão servindo de canteiros para as plantas”, explicou Manoel.

Junto com os outros voluntários, ele faz questão de pintar os pneus com cores de diferentes tonalidades para cada espécie plantada. “Isso ajuda a gente a identificar cada espécie que temos aqui”, explicou.  

Em seis meses de projeto, mais de 100 mudas de 22 espécies distintas foram plantadas no local. As espécies variam entre frutíferas, como goiaba, manga, camu-camu e rambutã, não frutíferas e medicinais, como cidreira e outras. Segundo eles, a proposta é fazer a limpeza e o reflorestamento  em toda a extensão do canal que corta as duas principais avenidas do Coroado.

Lembranças

“Esse igarapé já foi muito bonito. Antigamente, as pessoas tomavam banho aqui, a água era limpa, mas com o tempo, os próprios moradores foram poluindo, jogando lixo, e hoje está assim. Queremos apenas dar a nossa contribuição e tornar esse local um pouco mais agradável para quem mora aqui nas redondezas”, falou o voluntário Lázaro de Lima, 45, que é motorista, e está envolvido no projeto desde o começo.

Para ele, que nasceu e foi criado no interior, não existem dificuldades em trabalhar com a terra. “Isso está no nosso sangue. Eu penso que  nós precisamos fazer algo pela natureza, porque muitas vezes, a gente só retira dela. Então, precisamos repor também. Se cada um fizer a sua parte, com certeza a poluição vai acabar por aqui”, pontuou o motorista.

Nascente preservada

Segundo os moradores, a nascente do igarapé fica nas dependências da Universidade Federal do Amazonas (UFAM), e ainda está preservada. Agora, eles buscam parceria junto à Prefeitura de Manaus para garantir uma limpeza mais profunda do igarapé, para assim, darem continuidade ao projeto. 

“Estou muito feliz por estar fazendo parte dessa iniciativa porque, de alguma forma, sabemos que estão influenciando as pessoas que moram no bairro de alguma forma”, completou o voluntário. 

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