Sexta-feira, 03 de Abril de 2020
NA FRENTE DO MP-AM

Moradores do Monte Horebe realizam protesto contra reintegração de posse

Manifestantes pedem a suspensão de um mandado de reintegração de posse expedido pelo TJ-AM em favor da Construtora Amazonidas



06/02/2020 às 12:20

Mais de 200 moradores da invasão Monte Horebe, situada próxima a uma área de mata do conjunto Vive Melhor, Zona Norte de Manaus, realizaram manifestação na manhã desta quinta-feira (6) em frente à sede do Ministério Público do Estado do Amazonas (MPAM), na Zona Centro-Oeste.

Eles pedem a suspensão de um mandado de reintegração de posse expedido pelo Tribunal de Justiça do Amazonas (TJ-AM) no dia 24 de janeiro, em favor da Construtora Amazonidas, que determinou o prazo de 15 dias para que os invasores abandonem o local.



Os moradores argumentam que a entrega do documento só aconteceu nesta quarta-feira (5), quando um oficial de justiça foi até a casa improvisada de alguns moradores.

De acordo com o prazo da decisão, assinada pela juíza Maria Eunice Torres, da 9ª Vara Civil e de Acidente de Trabalho do TJ-AM, os 15 dias se encerram neste sábado (8), o que fez aumentar a mobilização dos moradores que alegam construir uma vigília permanente em frente à órgãos de justiça na tentativa de barrar a decisão.

“Isso está errado. Eles deveriam nos avisar antes. São muitas famílias que moram lá. Eu tenho cinco filhos, dois são grandes e moram perto de mim”, declara Lúcia Pimental, 65.

Lúcia conta que mora no Monte Horebe desde 2016, sendo umas das primeiras moradoras da invasão, e também atua como uma das mobilizadoras da manifestação em frente ao MPAM.

“Nós não aceitaremos sermos jogados como um lixo na rua. Construímos nossa vida no Monte Horebe, apesar da violência. Vamos a todos os órgãos de justiça pelo nosso direito”, explica Lúcia.

Na manifestação, um grupo haitianos e venezuelanos com cartazes pediu para que os consulados dos países intervenham na decisão judicial. O número de pessoas no protesto pode aumentar nas próximas horas, já que três ônibus devem chegar à sede do MPAM.

“Eu não preciso de mais esta humilhação na minha vida. Perdi meu filho para o tráfico ano passado, ele que pagava as contas de casa. Não posso ficar na rua”, enfatiza Rosinélia Silva, 56.

A decisão da Justiça atende a um pedido protocolado pela Construtora Amazonidas, que alega ser representante legal da propriedade.

A reportagem entrou em contato com o escritório de advocacia que representa a construtora, mas não obteve retorno até a publicação desta matéria.

Uma comissão formada por 12 moradores do Monte Horebe, incluindo venezuelanos e haitianos, foi atendida por técnicos jurídicos do MPAM. Segundo os representantes, o órgão irá acompanhar o caso.

Repórter

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