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Manaus
PROBLEMA

Moradores do São Raimundo reclamam da fumaça vinda de municípios da RMM

Populares afirmam que a fumaça, provocada em municípios como Iranduba e Novo Airão, é sentida com mais intensidade em bairros às margens dos rios. Problemas respiratórios e mau cheiro estão entre as reclamações 13/09/2016 às 10:09
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Populares enumeram problemas causados pela fumaça (Foto: Clóvis Miranda)
Paulo André Nunes Manaus (AM)

As consequências das queimadas na região amazônica afetam diretamente moradores, principalmente os de bairros marginais (às margens dos rios ou de outros cursos d’água) como o São Raimundo, na Zona Oeste, onde a fumaça que vem do outro lado do rio, de regiões como Iranduba e Novo Airão, é sentida com mais intensidade.

Ano passado, no fim de setembro e início de outubro, um fenômeno climático causado pelas queimadas fez surgir uma fumaça tóxica que encobriu a cidade e obrigou muitas pessoas a usarem máscaras para respirar.

Moradora da rua 5 de setembro com Padre Agostinho Caballero, no São Raimundo, a autônoma Angeline Damasceno, 31, sofreu com as queimadas no ano passado. Segundo ela, neste ano o incômodo causado pela fumaça é menor, mas mesmo assim prejudica a população. “Nós sofremos, sim, com essas queimadas do outro lado do rio. Os primeiros problemas que surgem são os respiratórios, como a ‘secura’ na garganta”, reclama.

Raimunda Pereira, 49, é moradora da mesma localidade e diz que a fumaça faz as crianças adoecerem. “E eu tenho problemas de sinusite. O pessoal não deveria queimar. No início deste ano também houve uma forte neblina que dificultava a nossa visão. Ninguém enxergava nada, em pleno início de verão; foi muito esquisito”, frisa ela, que vai além: “O vento muito forte traz a fumaça que vem do outro lado do rio, bem como o mau cheiro”.

Para Aparecida Gomes, 42, as autoridades deveriam acompanhar melhor essas queimadas e também as áreas de preservação. “Falam em preservação, mas quando as pessoas querem fazer alguma coisa vão lá, desmatam mesmo e não querem saber quem está doente ou não”, conta ela.

Órgãos

O Instituto Brasileiro do Meio Ambiente e dos Recursos Naturais Renováveis (Ibama) divulgou o resultado de uma recente operação antiqueimadas e desmatamento no município de Lábrea, Sul do Amazonas. De acordo com o órgão federal, na operação denominada Wakaza, foram vistoriadas mais 40 áreas, revelando grande desmatamento. E 13 mil hectares de áreas desmatadas ilegais foram embargadas. No total, foram apreendidas 10 motosserras e aplicadas cerca de R$ 94 milhões de multas somente no mês de agosto do ano passado.

“O site do Inpe aponta que, em relação ao ano passado, houve uma leve queda de choque de calor em relação ao ano passado, mas o desmatamento vem aumentando, porém, ainda sem dados oficiais. Na prática, há muito desmatamento e alterações (climáticas) no Sul de Lábrea. O Ibama está monitorando e tem operações programadas tanto no Sul do Amazonas quanto na região metropolitana”, aponta Geandro Pantoja, chefe da Divisão Técnica do Ibama.

A campanha de educação ambiental contra queimadas “Você também é responsável - Diga não ao fogo”, do Instituto de Proteção Ambiental do Amazonas (Ipaam), tem previsão de chegar a 35 municípios do Amazonas neste ano.

A campanha já passou por 17 municípios e o planejamento é chegar a mais 16 até o final deste ano. O objetivo é reduzir os focos de calor nos municípios, a fim de evitar queimadas urbanas e florestais e, consequentemente, a fumaça tóxica que chegou manchando a paisagem da capital ao longo do ano passado.

‘Operação Awá’

O Instituto de Proteção Ambiental do Amazonas (Ipaam), em conjunto com o Batalhão Ambiental da Polícia Militar, realizou de 12 a 26 de agosto a “Operação Awá”, com o objetivo de patrulhamento e fiscalização ambiental, presença ostensiva e ação repressiva no combate aos ilícitos ambientais, como caça ilegal, apreensão de animais, desmatamento, queimadas e até narcotráfico e pirataria, na região do Médio e Alto Solimões.

A missão abrangeu municípios e comunidades ao longo das calhas dos rios Solimões, Purus e Japurá, além daquelas existentes dentro das Reservas de Desenvolvimento Sustentável (RDS) Mamirauá e Amanã, assim como a Reserva Extrativista (Resex) Catuá–Ipixuna.

No que se refere aos crimes e infrações contra a fauna foram apreendidos 2190 kg de pirarucu, 1 pirarucu de cativeiro, 346,5kg de carne de caça, 261 ovos de quelônio, 21 quelônios e 5 aves em extinção resgatadas. Quanto aos crimes e infrações contra a flora foram apreendidos 12m³ de madeira serrada, 350kg de carvão vegetal e realizado procedimento em uma área com intervenção em Área de Preservação Permanente (APP).

Ao todo foram lavrados 35 Autos de Infração que totalizaram mais de R$ 1.800.000,00 em multas.

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