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Manaus
EDUCAÇÃO

Moradores do Zumbi 3 esperam há meia década para prefeitura terminar creche

Orçada em quase R$ 3 milhões, a construção teve mais uma vez o prazo de entrega extrapolado, pois era previsto para janeiro de 2017 20/05/2017 às 05:00 - Atualizado em 20/05/2017 às 09:43
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Com obra parada, crechê da rua Bom Jesus foi alvo de invasores que montaram baracos na área de lazer das crianças. Foto: Arquivo/ AC
Lídia Ferreira Manaus

Faltam dois meses para a obra de uma creche pública,  no bairro Zumbi 3, Zona Leste, completar cinco anos sem conclusão. Orçada em quase R$ 3 milhões, a construção  teve mais uma vez o prazo de entrega extrapolado,  pois era previsto para janeiro de 2017. Na mesma zona, no bairro São José, outra obra também de uma creche municipal “comemora aniversário”: são quatro anos em construção. “É um absurdo! A Arena da Amazônia levou menos de quatro anos e é um estádio, muito maior. Como pode uma creche levar tanto tempo assim para ser erguida?”, questiona o educador Valter Calheiros.

Segundo o educador, os moradores denunciaram ao Ministério Público Federal (MPF) o descaso com as duas construções. São eles também quem “fiscalizam” o local contra invasores. “Durante quase um ano, ficou completamente abandonado  e tinham moradores de rua tentando invadir”, ressaltou. Em agosto de 2013, o A CRÍTICA denunciou que invasores entraram  no terreno das creches, na área destinada ao lazer das crianças.

Moradora há 20 anos da rua Bom Jesus, Zumbi 3,  onde uma das creches está sendo erguida, a merendeira Dilia Tavares,45, relata que os invasores continuam a tentativa de ocupar o lugar.  “Nos unimos para tomar conta do lugar, é o único jeito para ninguém invadir. Está uma enrolação essa obra. Enquanto isso, as mães aqui do bairro sem ter onde deixar suas crianças”, destaca. A dona de casa Helen Barbosa,37, precisou pagar creche particular para conseguir colocar a filha.

 “Só tinha vaga em bairro mais distante, o que eu ia gastar de transporte é quase o valor da mensalidade. Mas faz falta esse dinheiro no fim do mês, meu marido faz bico pra completar”, conta. Em 2012, o governo federal  liberou  para Prefeitura de Manaus quase R$ 4 milhões para construções de duas creches na Zona Leste – uma delas na  rua Bom Jesus, Zumbi 3; e outra na avenida Grande Circular, São José 3. O orçamento, para cada creche, foi no valor de R$ 1.993.103,55. O  prazo para entrega das obras era maio de 2013.

Cobrança institucional
O Ministério Público Federal no Amazonas (MPF-AM) e o Fundo Nacional de Desenvolvimento da Educação (FNDE), a partir da instauração do inquérito, pediu à Prefeitura de Manaus para se manifestar acerca dos fatos narrados na representação.  A Prefeitura de Manaus, por meio da Semed, respondeu o ofício, que encontra-se sob análise do procurador do caso para manifestação final. A Semed diz que após a conclusão da análise das informações será possível dizer  qual a providência seguinte a ser adotada.

Licitações e valores reajustados
A Secretaria Municipal de Infraestrutura (Seminf) informou, em agosto de 2013, que ocorreram dificuldades financeiras da empresa responsável pela projeto, a Planem Engenharia LTDA que havia recebido R$ 371.779,05 durante a medição da obra, no dia 12 de novembro de 2012. Na época, a Seminf   prometeu, até o final de 2013, entregar as creches prontas.

Em janeiro 2014, em outra matéria de A CRITICA, a Seminf informou que a que a empresa Planem desistiu da obra e outra licitação seria realizada. Na época, o MPF-AM instaurou inquérito para apurar o caso.

No ano seguinte, foram feitas novas licitações e, com elas, novos valores para as obras. A creche na avenida Grande Circular passou a ter o valor total de R$ 2.786.364,13, com previsão de termino em  maio de 2017; já a da rua Bom Jesus, no Zumbi 3, o valor passou para  R$ 2.823.718,97, com prazo de entrega para 28 de janeiro de 2017. “Vai chegar o segundo semestre e cadê as creches? Nada, certeza não ficarão prontas. E nós continuamos precisando”, declara a dona de casa Maria Lordes Silva, 37, mãe de duas crianças, uma de 3 e outra de 4 anos. “Mais um ano sem creche”, disse.

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