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Manaus
ENCHENTE DE LIXO

Subida das águas do rio Negro já causa transtornos a moradores de Manaus

Moradores da orla da capital amazonense se preparam como podem a enchente deste ano 03/05/2017 às 05:00 - Atualizado em 03/05/2017 às 08:53
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Na terça-feira, a cota do Rio Negro atingiu 28,38 metros. Foto: Euzivaldo Queiroz
Álik Menezes Manaus

Moradores e comerciantes de alguns bairros de Manaus, localizados às margens do Rio Negro, começam a sofrer com a cheia e a se mobilizar para salvar móveis e eletrodomésticos da subida das águas.

A expectativa é que 15 bairros sejam afetados este ano se a cota máxima chegar aos 29,95 metros previstos pelo Serviço Geológico do Brasil (CPRM). Ontem, a cota do Rio Negro atingiu 28,38 metros.

A dona de casa Eliza Oliveira, 57, começou a transferir móveis e eletrodomésticos, que ficavam no térreo da casa -  que fica localizada na rua da Glória, no bairro de Aparecida, Zona Sul - para o primeiro andar do imóvel. “A água já está beirando o assoalho e amanhã (hoje) com certeza já vai ‘tá’ cobrindo o piso. Vamos tentar salvar o máximo que der”, disse.

Apesar da preocupação, ela espera que a cheia deste ano não cause tantos estragos como nos anos anteriores. “Eu torço para não sofrer tanto como nas cheias históricas, quando a água cobriu toda a parte de baixo da minha casa. Ela é bem alta, nós estamos a mais de 10 metros do chão, mas é melhor prevenir já que não temos ajuda de ninguém”, lamentou.

No bairro de Educandos, Zona Sul da cidade,  a dona de casa Kezia de Souza, 42, também começou a construir prateleiras para subir os móveis. Ela mora há mais de 20 anos no mesmo local e disse que sempre sofre com a cheia dos rios, mas não tem outro lugar para viver. “Hoje (ontem) a gente percebeu que já tinha que começar a subir os móveis e vamos ver o que a gente salva, todo ano é esse sofrimento. Minha casa sempre fica debaixo d’água”, revelou.

Para entrar e sair de casa, a dona de casa utiliza uma ponte de madeira, que foi construída há duas semanas pela Prefeitura de Manaus, mas já começa a ficar debaixo d’água, obrigando os moradores a terem contato com a água poluída. “É o único meio de chegar em casa, mas a gente fica com medo porque com a cheia dos rios e a força das águas fica tudo muito frágil”, contou.

A moradora disse que, apesar do sofrimento, a maioria dos moradores não tem outro local para se abrigar, por isso fazem o possível para salvar o máximo que podem. “Não temos condições, mas a gente se ajuda como pode construindo pontes e até subindo os assoalhos das casas”, disse.

Medidas anti-prejuízo
Comerciantes da rua dos Barés,  no Centro, também começaram a investir em estruturas para colocar as mercadorias, pensando na possibilidade de invasão das águas. O vendedor Marlyson Nunes, 22, contou que, na loja Imaq Máquinas e Motores, o patrão dele se prepara para não ter prejuízos como em anos anteriores. “Ele comprou mais prateleiras para subir as máquinas  para evitar de sermos surpreendidos pelo rio”, disse.

 

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