Segunda-feira, 06 de Abril de 2020
SÃO LÁZARO

Moradores ficam à deriva após terem casas destruídas em incêndio

Mais de 20 famílias perderam imóveis e móveis em um incêndio que ocorreu na rua São Lucas, bairro São Lázaro, Zona Sul da capital, nesse domingo (23)



WhatsApp_Image_2020-02-24_at_10.34.35_1220E039-824B-41A7-BB36-BDCFD0DB86B4.jpeg Foto: Jair Araujo
24/02/2020 às 10:43

A idosa portadora de deficiência visual Clara Silva de Oliveira, 84, teve que ser carregada para longe de casa, pela neta e uma parente, durante o incêndio que ocorreu na rua São Lucas, bairro São Lázaro, Zona Sul da capital, nesse domingo (23). “Meu maior medo era perder a minha casa. Eu estava só com a roupa do corpo”, disse à equipe de reportagem. 

O incêndio ocorreu por volta das 13h. No dia do incidente, Dona Clara havia acabado de almoçar e estava descansando na rede da sala. A neta dela, Adalgiza Oliveira da Silva, 30, estava lavando a louça da refeição.



Para Adalgiza, a sensação mais insuportável foi o cheiro da fumaça, que se propagou quando o incêndio começou. “O cheiro foi insuportável. A fumaça era muito forte. A gente não esperava. Quando começou, um vizinho apareceu aqui em casa, dizendo que tínhamos que sair”, disse. 

A doméstica pediu ajuda à tia e as duas carregaram Clara para fora da residência. “Fomos para a casa da minha filha. Tiveram que me colocar numa cadeira para descer uma ladeira. Foi horrível. Eu rezei muito a Deus”, contou a idosa. 

Clara sofre de hipertensão e diabetes, além de não ter o movimento total das pernas. Durante o trajeto até a residência da filha, enquanto era carregada pela neta e pela parente, a idosa chegou a vomitar. No caminho, ela machucou o pé e canela. 

Depois que o sinistro foi contido pelo corpo de bombeiros, Adalgiza e D. Clara voltaram à residência onde moram, que não foi afetada pelas chamas.  

Resiliência

O vigilante Paulo Barbosa, 51, sofreu com as perdas da estância de propriedade da mãe. “Não vou mentir pra ninguém. Eu agradeci a Jesus, porque tudo aconteceu com a permissão dele”, disse.

Barbosa contará com o auxílio-aluguel prestado pelo poder público, que deve auxiliar as famílias que foram vítimas do incêndio. 

A prefeitura ainda não confirmou o número total de casas atingidas, mas o levantamento inicial contabilizou 12 residências atingidas, a maioria com perda total. 

No total, 21 famílias foram afetadas, conforme a Defesa Civil. O prazo provável para confirmação do número de vítimas está estipulado para o final dessa segunda-feira, ainda de acordo com a instituição.

Refúgio em igreja 

Segundo moradores, o incêndio começou depois que um homem, ainda não identificado, ateou fogo em um colchão, depois de brigar com a mulher com a qual mantinha um relacionamento. 

O suspeito fugiu do local e permanece desaparecido. O 7° Distrito Integrado de Polícia (DIP) investiga o caso. 

A prefeitura montou uma força-tarefa de atendimento às famílias vítimas do incidente. Segundo o corpo de bombeiros, as casas queimadas pelas chamas eram de madeira e estavam muito próximas umas das outras. 

As vítimas foram encaminhadas à igreja Bom Pastor, situada na rua Magalhães Barata. No local estão sendo acolhidas tanto famílias que perderam tudo no acidente, quanto aquelas que tiveram perdas parciais. 

A titular da Secretaria Municipal da Mulher, Assistência Social e Cidadania (Semasc), Conceição Sampaio, disse que a prefeitura fará o levantamento socioeconômico de todas as pessoas atingidas, e, conforme a necessidade, realizará o encaminhamento delas ao auxílio-aluguel. 
 
A subsecretária municipal de saúde, Adriana Elias, afirmou que não houve casos de morte ou lesão grave causados por queimadura. Equipes do Serviço de Atendimento Móvel de Urgência (SAMU 192) estão atuando no local, com apoio de duas motolâncias e uma ambulância. 

“O atendimento se concentra nas pessoas que inalaram grande quantidade de fumaça. Os hipertensos, as gestantes, crianças, diabéticos, todos estão sendo monitorados pelo SAMU”, disse a subsecretária. 

A Secretaria Estadual de Assistência Social (Seas) e a Secretaria Municipal de Assistência Social e Direitos Humanos (Semasdh) estiveram prestando apoio social aos desabrigados, efetuando cadastros através de formulários, junto à Defesa Civil, para que as famílias sejam alocadas em instituições filantrópicas parceiras dos Órgãos.

"Nós iremos encaminhá-los para locais como a Vila Olímpica, igrejas, escolas e outras instituições parceiras", destacou a secretária da SEAS, Márcia Sahdo.


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