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Manaus
POLUIÇÃO AMBIENTAL

Queimadas em lixão clandestino prejudicam moradores do Colônia Antônio Aleixo

Com a saúde prejudicada pela fumaça, os moradores dizem que, todos os dias há pelo menos dois meses, resíduos industriais, domésticos e hospitalares têm virado cinzas em queimadas no terreno 21/11/2018 às 09:52 - Atualizado em 21/11/2018 às 13:43
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(Foto: Junio Mattos)
Cecília Siqueira Manaus (AM)

Mais de um mês após ser foco de grande incêndio, um lixão clandestino continua prejudicando moradores do bairro Colônia Antônio Aleixo, Zona Leste de Manaus, em diversos níveis de poluição ambiental. Situado em uma propriedade privada, na estrada principal de acesso ao bairro, o terreno recebe os mais diversos tipos de resíduos, que são descartados no local por caçambas e contêineres.

Segundo o presidente da associação de moradores da comunidade, Estevam Júnior, desde que começou a queima diária do lixo, está ficando cada vez mais difícil respirar. Ele conta que os veículos fazem descarte de materiais domésticos, hospitalares e industriais, em total desacordo com a Política Nacional de Resíduos Sólidos (Lei Federal 12.305/2010).

O líder comunitário relata ainda que as queimadas ocorrem principalmente à noite, como forma de burlar possíveis fiscalizações. “Jogavam lixo já há bastante tempo, mas agora que começou com esse fogo o negócio ficou complicado, está prejudicando demais a comunidade. Todos estão sendo muito afetados, ainda mais com o calor e o tempo seco. O pronto-socorro vive lotado, principalmente de crianças e idosos. Os órgãos ambientais já vieram, já notificaram e foi lacrado, só que eles retornam com as atividades. Queremos fechar isso”, diz Estevam Júnior.

Além de lotar o hospital Doutor Geraldo da Rocha de pacientes com queixas de problemas respiratórios, a poluição atmosférica resultante da queima de lixo e vegetação é bastante densa pela parte da manhã, o que faz com que os condutores precisem de mais atenção para evitar acidentes por conta da pouca visibilidade de buracos e outros veículos na estrada.

Cansados de denunciar as infrações, sempre que presenciam os crimes ambientais os comunitários filmam e postam nas redes sociais vídeos das queimadas e do fluxo de caçambas. Morador do bairro, José Guerreiro conta que a comunidade já não sabe mais a quem recorrer e pede intervenção.

“A gente já não sabe mais o que fazer. Vieram todos os órgãos competentes e ninguém resolve. Mesmo após fiscalizações e tudo mais, o dono continua fazendo isso, então com certeza é alguém influente. A população da Colônia não merece sofrer com isso”, destaca o comunitário.

No mês passado, a constante queima de resíduos que vem ocorrendo no local deu origem a um incêndio de grandes proporções. Na noite do dia 3 de outubro, o Corpo de Bombeiros Militar do Amazonas (CBMAM) foi acionado para combater as chamas em uma área de vegetação com aproximadamente 700 m². Quatro equipes da corporação se revezaram na ação para que o fogo não se alastrasse por entre os barracos da invasão vizinha ao terreno.

Invasão

Ao lado do terreno usado como lixão, outros crimes ambientais são cometidos livremente por grupos de invasores. Aos poucos, os diversos barracos de compensado dão lugar a estruturas de alvenaria. A clareira se expande na área verde pela lateral e atrás do lixão, com a derrubada de árvores e queimadas de vegetação rasteira.

A ocupação, que abriga em torno de 1.500 famílias, acontece num terreno pertencente à fábrica de cimento Itautinga Agro Industrial S.A, que ainda não se manifestou sobre o caso.

Terreno virou lixão há cinco anos

O terreno é utilizado como lixão há aproximadamente cinco anos, conforme afirmam comunitários do bairro Colônia Antônio Aleixo. Há pelo menos dois meses a região nas redondezas do terreno está tomada pela fumaça resultante de focos de incêndio em vegetação e no lixo depositado no local.

No dia 17 do mês passado, os comunitários do bairro encaminharam à presidência da Câmara Municipal de Manaus (CMM) um ofício pedindo a interdição da lixeira clandestina. Após essa ação, fiscais do Instituto de Proteção Ambiental do Amazonas (Ipaam) e bombeiros estiveram no local no dia 23 de outubro, quando o proprietário do aterro foi localizado e recebeu um auto de infração.

“Antes desse grande incêndio, uma montanha de lixo da altura dos fios elétricos estava aí (no lixão). Eles ‘tacaram’ fogo e colocaram a culpa na invasão. Eles recolhem todo o lixo ao longo da semana e quando é sexta-feira à noite já começam a queimar até domingo. A empresa da frente, que faz incineração, também joga os resíduos nesse lugar. Todos se aproveitam disso e nós quem somos prejudicados”, disse um comunitário que preferiu não se identificar.

Outro caso rendeu multa de R$ 100 mil

Em março de 2015, reportagem de A CRÍTICA denunciou a situação de um aterro de resíduos ilegal no ramal do Nelson, a três quilômetros de distância da pista principal do bairro Puraquequara, também na Zona Leste da cidade. Lá era realizado descarte de resíduos industriais, restos de material de construção e até lixo hospitalar.

Em agosto daquele ano, após fiscalização do Ipaam com parlamentares e promotores do Ministério Público do (MP-AM) que constatou as irregularidades no local, o proprietário do terreno foi multado.

As máquinas que operavam no local no momento da fiscalização conjunta foram apreendidas. A área foi embargada e o proprietário, identificado apenas como “Bartolomeu”, foi multado em R$ 100 mil.

Órgãos ambientais

Procurada, a Secretaria Municipal de Meio Ambiente e Sustentabilidade (Semmas) informou. ontem, que acionou seu setor de fiscalização para investigar o caso. O Instituto de Proteção Ambiental do Amazonas (Ipaam) não respondeu até o fechamento desta edição.

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