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Manaus
VIZINHO DA SEMMASDH

Moradores que sofrem com a cheia dizem que ajuda chega tardiamente

Beco São Domingos sofre todos os anos com a subidas das águas do rio Negro e apoio só chega após o início dos estragos 15/05/2017 às 05:00
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As poucas pontes do local foram construídas pelos moradores. Foto: Aguilar Abecassis
Isabelle Valois Manaus

Durante este fim de semana, o piso da casa do pedreiro Altino Souza Garcia, 59, começou a ser encoberto das águas do Igarapé de São Raimundo. Sem madeira para construir o assoalho, o pedreiro juntamente com os sete filhos buscam maneiras para conseguir conviver com a água suja. Os poucos móveis são arredados para uma parte da casa onde a água ainda não chegou, mas a maior dificuldade é ter que conviver com o odor, além de  animais  e insetos, como cobras, ratos e baratas.

Morador há  mais de 30 anos do beco São Domingos, localizado no bairro Presidente Vargas, Zona Sul de Manaus, Altino conta que todo ano passa por esse aperto. Às vezes, quando consegue algum serviço extra, ele até compra por conta própria madeira para levantar o assoalho, mas dessas vez não tem tido nem dinheiro para conseguir pagar as contas e por isso tem se sentido obrigado a conviver com o risco das águas do igarapé.

“Hoje a água começa a entrar em casa. Por enquanto, conseguimos conviver com isso, mas a cada dia ela vai subir e não sei como vai ficar a nossa situação. Além dos meus filhos e das pessoas que moram comigo, também tem os meus netos. Me dói o coração em ver eles em risco de adoecer por conta dessa água, mas o que posso fazer? O jeito é rezar para que a ajuda da prefeitura venha logo”, disse.

Conforme Altino, até o momento nenhum representante da prefeitura apareceu pelo beco São Domingos para acompanhar a atual situação do local. Segundo o pedreiro, todos os anos a situação se repete e nada é feito com antecedência e, por causa disso, as crianças da comunidade são as que mais sofrem com doenças típicas da época  por conta do contato diário da água. “As pontes que estão de pé. Foram os próprios moradores que pegaram madeira de casas que se encontravam sem morador e saíram construindo, caso contrário, estaríamos ilhados”, comentou.

A maior revolta dos moradores é o fato de o beco ser vizinho da Secretaria Municipal da Mulher, Assistência Social e Direitos Humanos (Semmasdh) e, todos os anos, a comunidade só receber visita técnica depois que tudo está por baixo d’água. Neste ano, o desempregado Carlos de Souza Gonçalves, 44, morador a mais de 40 anos do beco, resolveu pedir ajuda com antecedência da secretaria. Carlos contou que, quando conversa com o atendente do órgão, ouve que, assim como ele, os demais moradores do bairro precisavam rezar para que chovesse e o rio subisse, pois só assim que a secretaria iria visitá-los.

“É um total desrespeito com os moradores do beco São Domingos. Se os funcionários da prefeitura não aparecerem por aqui durante a próxima semana, nós vamos fechar a Constantino Nery, assim como fizemos outras vezes quando as águas encobriram as nossas casas. Todo ano eles sabem dos problemas que passamos com a subida das águas”, disse Carlos. Conforme ele, muitas famílias vivem  na esperança da chegada do Programa Social e Ambiental dos Igarapés de Manaus (Prosamim). No entanto, mais de 70% dos moradores continuam  sem ter condições de deixar os barracos.

Sem resposta da prefeitura
A reportagem entrou em contato com a Prefeitura de Manaus e, até o fechamento desta edição, na tarde de ontem,  o Executivo municipal não havia se pronunciado sobre a previsão da assistência  aos moradores do beco São Domingos.

Cheia deve ser histórica
No dia 31 de março, o Serviço Geológico do Brasil (CPRM) divulgou o primeiro alerta de cheia para 2017.  Segundo o órgão, pelo menos 15 bairros de Manaus devem ser afetados com a subida das águas. A cota máxima deve chegar até os 29,95 metros, dois centímetros de diferença da cheia história registrada em 2012, quando o volume das águas do rio Negro atingiu a cota de 29,97 metros.  

 

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