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Manaus
MEDO

Moradores rejeitam projeto da Seap de fazer presídio do semiaberto no bairro Tarumã

Síndicos e presidentes de associações se mobilizam para evitar que unidade seja instalada no bairro da Zona Oeste de Manaus e estudam as medidas que devem ser tomadas 28/06/2018 às 21:40 - Atualizado em 29/06/2018 às 09:58
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Placas expressam a rejeição dos moradores à implantação. Foto: Jander Robson
Joana Queiroz Manaus (AM)

Moradores de condomínios de luxo da Avenida do Turismo, no bairro Tarumã, Zona Oeste de Manaus, estão colocando faixas ao longo da avenida em  protesto contra a implantação de uma unidade prisional do regime semiaberto em um prédio situado na mesma via, nas proximidades de uma fábrica de colchões. Com o ato, eles pretendem chamar a atenção das autoridades da Secretaria de Administração Penitenciária (Seap) e da Vara de Execuções Penais (VEP) e desmobilizar a proposta.

“Moradores do Alphaville 4 são contra a implementação de instalações penais em perímetro urbano”, diz uma das faixas, que está na entrada do condomínio fechado, com segurança 24 horas por dia. 

 Placa do Alphaville 4. Foto: Joana Queiroz

Condôminos do residencial Passaredo, na mesma área, também usaram faixa para demonstrar suas insatisfações com a unidade prisional. “Moradores do condomínio residencial Passaredo contra a instalação de presídio em área urbana”, diz a faixa, que foi colocada em frente à entrada que dá acesso aos condomínios Passaredo e Praia dos Passarinhos. 

Nesta quinta-feira (28), mais de 60 síndicos de condomínios e presidentes de associações de moradores na área do Tarumã se reuniram para decidirem as ações que serão tomadas assim como as medidas jurídicas cabíveis para evitar a instalação do semiaberto naquele local.

 Reunião desta quinta. Foto: Divulgação

A reunião aconteceu no salão social do Alphaville 4. De acordo com o síndico do condomínio, Joab Hardemam, a resistência dos moradores contra o funcionamento do presídio no local é por se tratar de uma área residencial e turística da cidade e que a decisão foi tomada sem antes consultar os moradores. 

A administradora do condomínio Amazon Village, Regina Paula Barreto, disse que os condôminos estão preocupados por se tratar de pessoas condenadas. “Algumas de alta periculosidade”, disse. “Se fossem presos que praticaram pequenos roubos não teria nenhum problema, mas junto com eles têm estupradores  e homicidas”, completou ela.

O engenheiro Walter Pacheco, morador do condomínio Vila Suíça, que fica cerca de um quilômetro distante de onde está planejada a implantação da unidade prisional, disse deveriam selecionar os presos para ficar nessa unidade. “Aqueles que estupram crianças e os matam os seus pais devem ficar bem longe”, disse. 

 Conceição Lira. Foto: Jander Robson

A comerciante Conceição Lira, 56, dona de uma mercearia na Avenida do Turismo, disse que o seu estabelecimento já foi assaltado várias vezes e que ela teme proximidade com uma unidade onde há presidiários. “Para mim, quanto mais eles ficarem longe melhor”, disse a comerciante.

A bióloga Ingrid Macêdo ressalta que a área do Tarumã é turística, onde está localizado o aeroporto da cidade e que é a primeira visão que o turista que vem de avião para Manaus tem.  Ela disse que os moradores entendem a necessidade de ter um espaço para o semiaberto, mas que deve ser em uma área isolada.

Ressocialização

O local que a Secretaria de Estado de Administração Penitenciária (Seap) está alugando é  um galpão de 23 mil metros quadrados e irá abrigar pelos menos 600 presos que estão cumprindo pena no regime semiaberto.

Conforme um funcionário que está cuidando do local, o galpão pertence à rede de lojas City Lar  e foi construído para servir de depósito e para montagem de móveis e equipamentos domésticos. Mas, com a saída da empresa do mercado local, o espaço nunca foi usado. 

 Galpão alugado pela Seap. Foto: Jander Robson

A ideia da Seap, segundo o secretário Cleitman Coelho, é usar o espaço para desenvolver atividades laborais com os presos, que, depois da desativação da unidade de semiaberto do Compaj, no quilômetro 8 da BR-174, atualmente estão em liberdade, sendo monitorados por tornozeleiras eletrônicas.

Nesse local, o reeducando iria desenvolver atividades agrícolas como hortas – plantações de legumes e hortaliças – para o consumo próprio e o excedente que deverá vender para obter um rendimento. O aluguel do espaço seria até que o governo construísse uma nova unidade própria. 

Distrito foi descartado

Desde o início deste ano a Seap vem tentando conseguir um local para estabelecer o novo semiaberto. Inicialmente seria no antigo prédio da fábrica Brasjuta, na rua Guaruba, no Distrito Industrial, porém o projeto não deu certo. A antiga unidade do semiaberto foi desativada no início deste ano.

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