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Moradores são despejados do conjunto ‘Viver Melhor’, na Zona Norte de Manaus

Caixa Econômica, Justiça e Polícias Militar e Federal participaram da operação, que desocupou 22 imóveis 22/11/2013 às 09:01
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Cozinheira Marizete de Castro e Souza teve que usar a casa da vizinha para preparar alimentos que fornece diariamente
Adriano Silva Manaus, AM

Em cumprimento a mandado judicial expedido pela Juíza da 3ª Vara Federal, Maria Lúcia Gomes de Souza, funcionários da Caixa Econômica Federal, Oficiais de Justiça, Polícia Federal e Polícia Militar, desapropriaram nesta quinta (21) 22 unidades habitacionais do residencial Viver Melhor, no bairro Santa Etelvina, Zona Norte da Cidade.

O despejo iniciou às 7h e encerrou-se por volta das 12h, depois que todos os imóveis, habitados irregularmente, segundo a Caixa Econômica, foram desocupados.

A Caixa, por meio de sua assessoria de imprensa, informou que a reintegração ocorreu pacificamente e que não houve contratempos.

No residencial, as famílias despejadas estavam reclamando da forma pela qual foram colocadas para fora, queixando-se não ter recebido aviso de despejo.

A dona de casa Vanessa Cunha Pereira, 26, que estava ocupando há quase um ano uma casa na quadra 23, informou que foi enganada por um homem que não soube identificar e que pagou R$ 1 mil para ficar no imóvel.

“Meu marido conheceu esse homem que disse ter uma casa para alugar aqui no conjunto. Nós viemos e ele pediu um sinal de mil reais e que outro dia iria trazer o contrato de aluguel para gente assinar”, declarou.

Vanessa disse também que nunca mais viu tal homem e que na manhã de ontem foi surpreendida pela polícia batendo em sua porta.

“Fiquei assustada quando vi aqueles policiais batendo na minha porta, meus filhos ainda estavam dormindo. Tive que retirar todas as minhas coisas e guardar na casa dos vizinhos, pois meu marido está desempregado e não temos para onde ir nem onde dormir hoje (ontem)”, disse emocionada.

A cozinheira Marizete de Castro e Souza, 48, disse que estava preparando o almoço que fornece a seus clientes, quando a polícia chegou. “Tive que desocupar o local e trazer minhas coisas pra casa da minha vizinha e terminar de cozinhar, pois tinha que cumprir os pedidos. Também fomos enganados e pagamos R$ 1 mil para um rapaz que sumiu. E agora, para onde irei com minha família?”

Outro também despejado com esposa e filho foi o autônomo Paulo Menezes dos Santos, 30, que ocupava uma casa na quadra 15. Santos informou que foi enganado por uma mulher identificada por Rosângela, a quem pagou R$ 5 mil. “Essa Rosângela disse que tinha uma casa aqui no residencial e queria vender por R$ 5 mil e que era pra gente assumir as prestações. Consegui o dinheiro, efetuei o pagamento e ela disse que traria toda documentação para a transferência do imóvel, mas sumiu”, declarou.

Maior conjunto do Minha Casa
Residencial, quando inaugurado completamente, terá aproximadamente 9 mil unidades habitacionais

A primeira etapa do Residencial Viver Melhor, maior conjunto habitacional do País dentro do programa do Governo Federal “Minha Casa, Minha Vida”, para famílias com renda de até R$ 1.600, no bairro Santa Etelvina, Zona Norte, foi inaugurado em dezembro do ano passado como referência no País.

O investimento foi de R$ 196,3 milhões para construção de 3.511 unidades habitacionais, em benefício de 14.044 pessoas. O residencial Viver Melhor, inicialmente chamado Meu Orgulho, foi contratado em julho de 2010 e totaliza 8.895 unidades habitacionais, divididas em duas etapas. A primeira entregou 3.511 unidades e a segunda 5.384.

Essa primeira etapa possui 192 blocos com 16 apartamentos cada, totalizando 3.072 apartamentos, e 439 casas térreas. Para as pessoas com deficiência foram adaptadas 107 casas. Todos são compostos de dois quartos, sala, cozinha, banheiro e área de serviço. As casas têm área de 35,89 m² e valor de R$ 39 mil; as adaptadas têm área de 36,81 m² e custam R$ 39 mil; e os apartamentos possuem área de 40,41 m² e valor de R$ 43 mil. Além disso, as unidades estão distribuídas em 29 condomínios.

O empreendimento tem infraestrutura interna e externa, como água, estação de tratamento de esgoto, drenagem, energia elétrica, iluminação pública, pavimentação e urbanização.

O Estado se comprometeu em construir as creches, um Centro de Educação em Tempo Integral para 1.000 alunos do 6º ao 9º ano do ensino fundamental e 1º ao 3º ano do ensino médio; além de uma Escola Padrão com 12 salas de aula e capacidade para 500 alunos, do 6º ao 9º ano do ensino fundamental.

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