Sexta-feira, 19 de Abril de 2019
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ESCOMBROS

Moradores tentam recuperar pertences que sobraram após incêndio no Educandos

Cenário após incêndio de grandes proporções é de ruínas e muita fumaça. Moradores que tiveram casas atingidas lamentam perda e tentam buscar pertences em meio às cinzas


18/12/2018 às 11:53

É no meio dos escombros que a comerciante Nara Braga, de 40 anos, tenta recuperar o que sobrou da casa onde morava no beco Ana Nogueira, no bairro Educandos, Zona Sul de Manaus. Um incêndio ocorrido na noite desta segunda-feira (17) destruiu centenas de casas e atingiu 500 famílias. Na manhã desta terça-feira (18), dezenas de pessoas ainda se arriscavam no local tomado por fumaça para achar o que restava.

“Tenho um pequeno comércio com a minha mãe aposentada. A parte de cima (da casa) pegou fogo totalmente. Morava aqui há 40 anos, nesse beco Ana Nogueira, então veio uma chama, não sei como, explodiu e aconteceu esse desastre aqui com os moradores. Aqui em baixo ainda restou alguma coisa porque eu gritei para os vizinhos ‘molha a minha casa!’ e eles molharam”, disse a mulher, enquanto carregava uma chapa usada para fazer sanduíches.

Comerciante conseguiu manter parte de baixo da residência com ajuda de vizinhos (Foto: Jander Robson)

Cama, geladeira e outros móveis, segundo Nara, foram totalmente destruídos pelas chamas. O que sobrou, como os alimentos usados para os sanduíches, foram saqueados. Ela conta que a casa havia sido reformada e enfeitada para o Natal. “Tínhamos pintado, colocado cerâmica como você pode ver... Mas tudo ficou destruído”, disse.

‘Tragédia anunciada’

A área onde ocorreu o incêndio no Educandos é de difícil acesso e não tem vias. Para chegar aos escombros, é necessário percorrer vielas e descer barrancos, ou seja, viaturas do Corpo de Bombeiros ou da polícia não conseguem chegar ao local. Predominam no local cascalhos de madeira queimada, peças de ferro e até botijas de gás. Focos de fumaça ainda puderam ser vistos na manhã de hoje.

Local onde ocorreu o incêndio é de difícil acesso (Foto: Jander Robson)

“Tinha muita gente humilde e não morava aqui porque queria, e sim por necessidade. Esse pedacinho que conseguiu com suor cada um fez da sua maneira, na sua condição. Cada um fez o seu casebre como podia fazer”, disse Nara.

O chefe de cozinha Marcelo Braga, de 43 anos, foi outro morador que teve a casa consumida pelo fogo. Ele trabalhava em Autazes e só foi ao local na manhã de hoje após chegar a Manaus. “Somente minha filha estava em casa. Ela está grávida e conseguiu sair a tempo, mas pegou só as roupas do neném, porque o fogo estava a 100 metros dela”, disse.

Ele afirma que o caso era uma tragédia anunciada. “O governo sabia que se acontecesse em uma casa aqui ia se alastrar. Graças a Deus temos emprego e estamos trabalhando. Imagina alguém sem emprego, sem casa, sem comida e sem vestimenta? É difícil”.

Sem expectativa

A doméstica Antônia Custódio, 50, contou que a mãe de 70 anos morava em uma casa de alvenaria no local. O fogo consumiu grande parte da residência, e o que sobrou da estrutura apresenta risco de desabamento. “Além de tudo existe o perigo que fica depois. Não sabemos como ela vai ficar depois disso, porque já é uma idosa”, disse ela.

Moradores da área lamentam perda dos objetos após incêndio (Foto: Jander Robson)

O oficial de rede Wallace Portilho, de 47 anos, diz que a tristeza é um sentimento difícil de superar nesse momento. “É complicado demais pensar como resolver, como vamos passar... Estou aqui agora, mas a ficha não caiu, entende? O Natal e tudo acabou pra minha família”.

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