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Morte de jovens em acidente de trânsito pode ser reflexo da combinação de álcool e direção

Consumo de bebida alcóolica foi fator contribuinte de 80% dos 131 casos de acidentes de trânsito com vítimas fatais registrados em Manaus até o dia 20 de julho deste ano 23/07/2015 às 09:15
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Motorista do ônibus não pode fazer nada para evitar a batida violenta
isabelle valois Manaus (AM)

O consumo de bebida alcóolica foi fator contribuinte de 80% dos 131 casos de acidentes de trânsito com vítimas fatais registrados em Manaus até o dia 20 de julho deste ano, estatística que aumentou com o acidente registrado às 5h de ontem, na avenida Grande Circular 2, Zona Norte, envolvendo um Voyage preto, de placas JXS-7271, em que seis pessoas morreram.

O Departamento Estadual do Trânsito (Detran-AM) informou que do total de casos de acidentes de trânsito com vítimas fatais causados pelo consumo de bebida alcóolica, 90% são jovens entre 18 a 30 anos.

O diretor-presidente do Detran, Leonel Feitoza, explicou que os registros continuam em alta por causa da falta de conscientização da população. Até mês de junho de 2014, o Detran registrou 158 casos de morte no trânsito, e deste número 80% também foram ocasionados pelo consumo de bebida alcóolica.

“Realizamos várias campanhas de conscientização, mas infelizmente percebemos com esses tipos de acidentes que as pessoas não estão maduras para saber do risco que correm”, disse.

Feitoza informou que além das campanhas, o Detran tem buscado formas para inibir situações que envolvam álcool com direção, como as operações de fiscalização da Lei Seca.

Até junho de 2015, mais de 1 mil Carteira Nacional de Habilitação (CNH) foram apreendidas por conta da Lei Seca, mais 1,4 mil foram suspensa e 2,7 mil veículos foram notificados.

De acordo com pesquisas realizadas pelo Detran, após ingerir um copo de bebida alcóolica, o motorista perde a consciência de tal forma que o condutor não sabe se na próxima via deve dobrar à direita ou esquerda. “Realizamos várias pesquisas para explicar à sociedade que bebida e álcool não combinam, mas infelizmente este tipo de fatalidade ainda acontece”, reiterou.

Medicina legalSobre o acidente de ontem, a diretora do Instituto Médico Legal (IML), Maria Margareth Vidal, disse que ainda não é possível informar se o condutor do veículo, assim como os demais passageiros, estava alcoolizado.

“Com relação à perícia, são efetuados dois tipos de laudos: o necroscópico, para averiguar a causa da morte, e o toxicológico que será efetuado posteriormente. A coleta de sangue foi feita, segundo a norma do Conselho Nacional de Trânsito (Contran), em que toda vítima de acidente de trânsito é obrigatório coletar o sangue para fazer a alcoolemia”, declarou.

Vítimas bebiam em posto

Os irmãos Robson Nascimento Bastos, 27, e Antônio Nascimento Bastos, 26; Raquel Tamires Magalhães Rodrigues, 16, Thaísa Barbosa de Almeida, 21, Maizi Maiara Lima Parente, 16 e Erika Cristina Pereira dos Santos, 19, são as vítimas do acidente de ontem (22).

Conforme a perícia, Robson era o motorista e ao lado dele estava Antônio e uma das jovens no colo dele. As outras três jovens estavam atrás.

O mototaxista Amilton Mendes Mota, 43, contou que viu as vítimas algumas horas antes no posto da Atem, conhecido como posto Margarita, alguns metros antes do local do acidente. De acordo com o mototaxista, os seis estavam no posto bebendo. “Todos eram jovens e isso acabou chamando a atenção. Depois saí do posto para realizar uma corrida e quando estava voltando, um carro em alta velocidade passou por mim, patinou na pista e entrou na outra mão. Me assustei, e quando fui ver, eram os mesmos que estavam no posto, mas desta vez todos mortos”, disse.

A autônoma Denise Ribeiro, 45, contou que o veículo vinha em alta velocidade, no sentido Nova Cidade e, próximo à Escola Estadual Frei Mário, patinou e invadiu a contramão “Na outra mão vinha um ônibus de rota, o motorista tentou frear para não colidir com o carro, mas como o carro estava sem controle bateu e ficou completamente destruído”, contou.

Robson e Antônio eram maranhenses e trabalhavam na empresa de cimento Nassau. Robson era casado e a esposa estava em Presidente Figueiredo (a 107 quilômetros de Manaus). O filho do casal tem 15 dias de nascido. Outra vítima do acidente, Thaísa Barbosa, deixou um filho de 1 ano e 5 meses.

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