Sexta-feira, 19 de Julho de 2019
Manaus

Mortes de motociclistas aumentam em 10% em Manaus

Os motociclistas que morreram no trânsito este ano correspondem a 40,45% das 114 mortes registradas na capital. A maior parte das mortes ocorreu em colisões



1.jpg O motoqueiro ainda foi reanimado no local do acidente, mas não resistiu aos graves ferimentos
27/07/2013 às 12:28

Os acidentes fatais no trânsito envolvendo motociclistas, em Manaus, aumentaram 10,34% entre 2012 e 2013. De 1º de janeiro até 30 de junho do ano passado, 29 motociclistas perderam a vida no trânsito. No mesmo período deste ano, o número saltou para 32. O número total de pessoas que morreram no trânsito chegou a 137 em 2012 e 114 em 2013. A estatística do Instituto Municipal de Engenharia e Fiscalização do Trânsito (Manaustrans) inclui pedestres, motociclistas, motoristas e ciclistas.

A última vítima foi o motociclista Fernando Martins da Silva, 27. Uma imprudência no trânsito cometida pela relações públicas Izane Torres de Barros tirou a vida de Fernando na manhã dessa sexta-feira (26), na avenida Jacira Reis, no bairro Dom Pedro, Zona Centro-Oeste.

Fernando estava a caminho do trabalho e conduzia uma motocicleta modelo Twister, de placa JWW-6227, no sentido Ponta Negra, quando colidiu contra um carro modelo Astra, de placas OAD-1898, conduzido por Izane.

Segundo testemunhas e a polícia, Izane trafegava em marcha ré na avenida porque errou a entrada do retorno para seguir em direção à Bola das Letras. Ela passou aproximadamente dez metros à frente do retorno e só tinha como opção correta fazer a conversão no próximo retorno, localizado na avenida Coronel Teixeira. No entanto, decidiu dirigir de ré, à direita da via, por dez metros, até entrar à esquerda no retorno, enquanto o motociclista descia a avenida em alta velocidade. Fernando não teve tempo de desviar do veículo e se chocou contra o Astra, atingindo parte da porta traseira do carro.

SocorroEle ficou inconsciente e teve hemorragia interna ainda no local do acidente. O cirurgião-geral Rui Silva Rodrigues passava pela avenida, parou e prestou os primeiros socorros. Foram os procedimentos dele que deram sobrevida a Fernando até a chegada do Serviço de Atendimento Móvel de Urgência (Samu). Duas equipes de socorristas tentaram, durante 30 minutos, reanimar o motociclista com massagem cardíaca. Os socorristas ainda tiveram que fazer uma abertura na altura do pulmão de Fernando para drenar a hemorragia.

Dezenas de pessoas que observavam o socorro comemoraram com gritos e aplausos quando os agentes do Samu conseguiram recuperar os batimentos cardíacos de Fernando. Ele foi levado ao Hospital e Pronto-Socorro 28 de Agosto, mas apesar dos esforços médicos, chegou morto à unidade de saúde.

Manobra proibida na contramão

O agente de portaria Leandro Brasil testemunhou o acidente e confirmou que Izane realizou a manobra imprudente, ao atravessar a avenida para acessar o retorno. Segundo ele, o motociclista pilotava em alta velocidade, o que agravou o impacto da colisão. “Como é uma descida, a moto dele pegou mais embalo e estava em alta velocidade. É comum ver carros e motos em alta velocidade nesse trecho. Só que ele (Fernando) estava na mão certa. Se a motorista do carro (Izane) não tivesse errado o retorno e feito a manobra de ré, ele não teria batido nela”, contou.

O mototaxista Rodrigo Oliveira, 28, seguia atrás de Fernando e também viu o acidente. Ele foi um dos primeiros a parar no local do acidente. “Do jeito que ele vinha não dava pra desviar porque ela dobrou para esquerda quando ele já estava muito próximo do carro. Ele ainda tentou jogar a moto pro lado, mas saiu deslizando no asfalto”, disse.

O médico Rui Silva Rodrigues passou pelo local, minutos depois da colisão e foi o primeiro a prestar ajuda médica. “Só pensei em ajudar. É dever do médico ajudar, não importa a quem”, disse.

Motociclistas são 40% dos mortos

Os motociclistas que morreram no trânsito este ano correspondem a 40,45% das 114 mortes registradas na capital. A maior parte das mortes ocorreu em colisões. Para o diretor-presidente do Departamento Estadual de Trânsito do Amazonas (Detran-AM), Leonel Feitosa, não são todos os casos, mas infelizmente, os dados indicam uma postura incorreta de motociclistas. Para ele, a maioria das mortes está ligada a velocidade acima do limite permitido, ultrapassagens perigosas, embriaguez na direção, falta de equipamentos de segurança e tráfego na contramão.

Segundo Leonel, dos quase 800 mil veículos que compõem a frota da cidade, 175 mil são motocicletas. “Isso (imprudência no trânsito) é gravíssimo. Infelizmente muitos motociclistas não cumprem a legislação. Fazem ultrapassagens onde não devem, andam sobre a calçada e em zigue-zague no meio dos carros. A moto deve ocupar o mesmo espaço que um carro na rua. Comprovadamente, 90% dos acidentes com motos é por imprudência do condutor ou pela falta segurança, sinalização, retrovisor, e equipamentos de uso obrigatório da moto e do motociclista”, disse. O diretor completou: “No último sábado, paramos um cidadão na Operação da Lei Seca, às 23h, numa moto. Ele estava alcoolizado, transportava a mulher dele grávida de oito meses, na garupa, junto com a filha de 5 anos. É falta de consciência”, disse.

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