Segunda-feira, 14 de Outubro de 2019
Manaus

Motociclistas transformam canteiro central de avenida em retorno, no Lírio do Vale

Manobras dos condutores de motocicletas na Avenida Coronel Teixeira colocam a vida de motoristas e passageiros em risco



1.jpg O prejuízo aos cofres públicos é grande: para inibir a prática, a prefeitura precisa fazer reparos
01/05/2015 às 11:39

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Carros, ônibus, caminhões, motociclistas e pedestres movimentam  a avenida Coronel Teixeira, próximo à saída do bairro Lírio do Vale, na Zona Oeste, onde o perigo está no canteiro central: não é preciso muito para flagrar motociclistas fazendo um “retorno  improvisado”, colocando em risco quem passa por ali.

Além de proibida, a prática gera prejuízo aos cofres públicos, uma vez que os meio-fios são frequentemente quebrados para facilitar a passagem das motocicletas.

Morador do bairro, o estudante Elisson Lopes, 17, conta que os próprios motociclistas quebram o canteiro central na calada da noite e, durante o dia, os moradores arrastam novamente as pedras para o canteiro, para evitar acidentes.

Além do risco, há o prejuízo: ontem, mais uma vez, a prefeitura precisou mobilizar trabalhadores e recursos para recuperar trechos danificados do canteiro.

Acidentes

Também morador do bairro há mais de dez anos, o aposentado Antonio Paz, 71,  afirmou que já presenciou vários acidentes nesse trecho. De acordo com o aposentado, para não ter que dirigir por mais um quilômetro até o próximo retorno, os motociclistas “cortam caminho” pelo canteiro central, colocando em risco não apenas a própria vida mas também a de quem passa pela avenida, seja em carros, ônibus, outras motos e até a pé.

‘Chovendo no molhado’

Indignada com a situação, que por quatro vezes se repetiu frente ao estabelecimento onde mora e trabalha há 11 anos, a cabeleireira Tereza Campos, por conta própria, pagou um pedreiro para “consertar” uma parte  do canteiro. Mas o esforço -  e o investimento -  foram em vão.

“Por quatro vezes já vi corpo estirado aqui na minha calçada, eu mesma já fotografei, mas esses motociclistas são violentos e eles nos conhecem, então parei de insistir em consertar esse canteiro. Não quero abrir a porta e me deparar com uma arma no rosto por estar fazendo uma denúncia”, desabafou.

Sem poder fazer nada para evitar o problema, Tereza quesiona o funcionamento das câmeras do Centro Integrado de Operação de Segurança (Ciops) instalada nos postes, que poderiam identificar os infratores.

Mas, a julgar pela ousadia desses motociclistas, nem mesmo a presença de fiscalização parece inibir a prática irregular, uma vez que o trecho em questão fica situado a pouco mais de 200 metros do 19° Distrito Integrado de Polícia (DIP).

Condutores aproveitam deterioração

Para quem está do outro lado do problema, falta tudo: fiscalização dos órgãos de trânsito, consciência dos condutores e zelo pela cidade por parte dos órgãos públicos, que demoram a consertar os canteiros quebrados, “criando oportunidades” para os infratores. É o que afirma o mototaxista Valmir Dinelly, 62.

Ele, que é licenciado, conta que os canteiros centrais se deterioraram por conta do tempo, da chuva e da falta de manutenção, “abrindo uma brecha” para a prática irregular dos motociclistas. “Os irresponsáveis aproveitam essas falhas  para quebrar mais e transfomar o canteiro em passagem”.

Para ele, uma fiscalização mais rigorosa poderia inibir essa prática, que coloca em risco a vida de condutores e passageiros, inclusive de mototáxis. “Eu vi um motoqueiro sofrer um acidente num retorno desses improvisado. Desde então fiquei com medo de fazer  esse tipo de travessia, até quando o cliente insiste. Seria bom ter uma fiscalização mais rígida, tanto para o nosso bem quanto para o bom fluxo do trânsito”.

Saiba mais

*Flagrantes

Enquanto a reportagem de A CRÍTICA esteve na avenida Coronel Teixeira para a produção desta reportagem, pelo menos oito motociclistas fizeram o retorno em local proibido, sobre o canteiro central.

*Reparos

A Secretaria Municipal de Infra Estrutura (Seminf) informou  que o problema que ocorre ao longo da avenida Coronel Teixeira foi repassado para o chefe do distrito de obras responsável pela área, que enviou uma equipe ao local para averiguar a situação. Ainda na manhã de ontem, parte do problema foi resolvido, com o reparo do trecho do canteiro central que havia sido destruído. Uma equipe da prefeitura trabalhava no local.

*Detran

A reportagem entrou em contato com o Departamento  Estadual de Trânsito do Amazonas (Detran-AM), para saber sobre punições ao motorista, mas até o fechamento desta edição não obteve resposta.


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