Publicidade
Manaus
Manaus

Motorista que atropelou e matou triatleta que treinava na AM-070 é liberado após pagar fiança

Preso em flagrante, o motorista Ronaldo Rodrigues da Costa pagou a fiança de R$ 4,4 mil e responderá em liberdade. A vítima treinava na rodovia com mais 7 amigos  02/02/2016 às 11:27
Show 1
Familiares velaram o triatleta Eldes Eyres, 35, ontem
Marcela Moraes Manaus

Ronaldo Rodrigues da Costa, motorista que causou o acidente que vitimou o triatleta Eldes Ayres de Oliveira Júnior, de 35 anos, na manhã do último domingo (31), na rodovia AM-070 (Manaus-Manacapuru), foi liberado ontem, após pagar a fiança de cinco salários mínimos (R$ 4,4 mil). As informações foram confirmadas pelo delegado titular do 31º Distrito Integrado de Polícia (DIP), Paulo Magviner.

O motorista foi preso em flagrante logo após prestar depoimento no 31º DIP, em Iranduba (a 25 quilômetros de Manaus), no entanto como pagou a fiança ele responderá ao processo em liberdade. Por conta da fatalidade, Donarde César, 29, triatleta e um dos amigos da vítima, afirma que o medo de treinar naquela área aumentou  após a tragédia.

Segundo César, não há  respeito por parte dos motoristas e da ausência de fiscalização na rodovia; além disso ele conta que vários caminhões transitam pela via em péssimas condições, carregados de tijolos e trafegam em alta velocidade. “O fato é que além dos motoristas não respeitarem, não há uma fiscalização dessa precariedade. O nosso amigo morreu fazendo o que ele ama e isso porque o Eldes era uma pessoa experiente, no entanto foi pego de surpresa por imprudência do motorista”, lamentou.

Na opinião de Donarde César, deveria existir mais fiscalização, pois é enorme a quantidade de carros que passam em alta velocidade, de caminhões que sempre passam muito próximo dos ciclistas. “Outra coisa é quantas pessoas terão que morrer até que se construam ciclovias que ofereçam o mínimo de segurança para nós ciclistas?”, desabafou.

Como em Manaus não há um local apropriado para que os ciclistas possam realizar os treinamentos, a rodovia estadual AM-070, que liga Manaus aos municípios de Iranduba e Manacapuru, é o lugar onde todos os domingos pela manhã os grupos de ciclistas se reuniam para treinar.

Rodovia

O presidente da Federação Amazonense de Triathlon (Fetriam) explica que a rodovia é muito utilizada para treinamentos. Ele relata que falta consciência por parte dos motoristas em relação aos pedestres e ciclistas. “A via onde aconteceu o acidente está muito boa para praticarmos o esporte. Não há a consciência do motorista com o ciclista e com o pedestre. Nos próximos dias, a Fetriam vai procurar se reunir com os órgãos competentes para verificar uma forma de conseguir uma segurança melhor para o ciclista naquela área, bastante utilizada para os treinamentos”, disse.

Com amigos

No momento do acidente, Eldes, atleta que há pouco tempo havia migrado para o triathlon, estava pedalando na companhia de mais 7 amigos. Ele, porém, estava na liderança e afastado dos outros ciclistas. Foi quando a picape modelo Nissan Frontier, de cor branca e placas JXR-5647, conduzida por Ronaldo, o atingiu.

O atleta foi arrastado e morreu no local. Enquanto que, o motorista, perdeu o controle da picape e parou numa área verde, com a carroceria do veículo quebrada. Conforme relatos do ciclista Adílio Marques, que presenciou o acidente, Eldes estava mais à frente dos demais e que o condutor da picape, que trafegava sentido Manaus, o atingiu por trás e o arrastou, por pelo menos, 20 metros sobre o parabrisa até ser jogado no chão.

Homenagem

Na manhã de ontem, familiares e amigos prestaram as últimas homenagens ao triatleta no velório realizado na Igreja Evangélica Assembleia de Deus, bairro Zumbi 2, Zona Leste de Manaus.

Visivelmente angustiada com a perda, a irmã da vítima, a empresária Naiana da Rocha, 31, disse que sempre que podia acompanhava o irmão nas competições. “Meu irmão morreu fazendo o que ele gostava. Infelizmente ele já se foi, a única coisa que eu peço é mais segurança para quem participa deste esporte, ali naquela área eles ficam muito vulneráveis”, lamentou Naiana.

Eudes Ayres da Rocha, pai do atleta, contou que o filho sempre foi muito dedicado ao esporte, toda manhã ele saía como de costume para treinar. Mesmo com a dor, “Agora eu serei o pai e o avô para os meus netos”, disse. O atleta deixa esposa e dois filhos.

Publicidade
Publicidade