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Manaus
DESORDEM

Motoristas advertidos no 'Zona Azul' relatam dificuldades para pagar taxa

Usuários relatam ausência de fiscais e demora para pagar taxa de R$ 2,45 após extrapolarem tempo em vagas. Empresa afirma que população pode procurar créditos na internet ou app 23/10/2018 às 01:26
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Foto: Raine Luiz
Oswaldo Neto Manaus (AM)

Desde a implantação do “Zona Azul”em ruas do Centro de Manaus, o embate entre motoristas com o novo sistema de estacionamento rotativo só tem aumentado. Reclamações como a ausência de fiscais para registrar os veículos e dificuldades para pagar as advertências são alguns dos obstáculos citados pelos usuários. No local para o pagamento, situado na avenida Leonardo Malcher, a espera para pagar a taxa de R$ 2,45 ultrapassa uma hora. A empresa responsável nega os problemas.

O sistema de estacionamento rotativo foi implementado em Manaus em janeiro deste ano de forma educativa, ou seja, sem a cobrança da taxa. Em julho o sistema passou a exigir o pagamento da taxa para usuários utilizarem a vaga até três horas, e depois trocar o veículo de local sob pena de multa de R$ 299 e perda de cinco pontos na carteira de habilitação. As pessoas podem solicitar créditos em pontos de vendas ou obter no site www.zamanaus.com.br ou pelo aplicativo “Zona Azul”.

Muitos ainda desconhecem essas possibilidades, e é num prédio sem ar-condicionado, água e com poucas cadeiras que Epitácio Cabral, de 48 anos, aguardava há mais de uma hora para regularizar o veículo depois de ser advertido pela empresa Consórcio Amazônia, vencedora da licitação para cuidar do sistema.

Ele conta que estacionou na rua Lobo D’Almada para cortar o cabelo em uma barbearia e não encontrou qualquer fiscal nas proximidades. Ao retornar, só encontrou a advertência deixada no carro. “Perguntei o que era aquilo, e ele só disse que era para vir aqui. Estou esperando há uma hora para pagar. Eu sei que estou errado, mas preferia pagar no local do que esperar esse absurdo de tempo nesse calor”, disse ele.  

As críticas de outros motoristas são similares e sempre envolvem o fato dos fiscais não estarem em seus postos. Ítalo Leandro, 26, relata que esperou por cerca de 15 minutos algum deles para estacionar o veículo na avenida Eduardo Ribeiro.

“Eles não aparecem, e eu estacionei meu carro e saí. Além de tudo, é um constrangimento porque na advertência não tem o valor. Se eu não tiver dinheiro na hora, vou fazer o que?”, questionou.

Estrutura

Além do calor, o prédio da Consórcio Amazônia, não tem acessibilidade, dispõe de poucas cadeiras e somente uma atendente para receber o pagamento de dezenas de pessoas que não param de chegar. Várias delas pedem que o local seja fotografado, pois não há banheiros, bebedouros ou estacionamento para os pagantes.

Os usuários recebem fichas de um homem para que exista ordem no atendimento, mas o que se vê é desorganização. “É uma vergonha, pois tem mães que ficam esperando horas aqui. Não tem sistema preferencial. Cheguei aqui 9h30 e só saí 11h da manhã”, disse uma mulher que não quis ser identificada.

A mesma mulher afirma que a empresa teria tentado cobrar R$ 7 reais de taxa, enquanto pelas normas do sistema, o correto seria apenas R$ 2,45. “Complicado porque em cima disso há outros custos como o nosso IPVA. Queremos cumprir a lei, mas precisamos de condições porque nesse caso só quem se prejudica somos nós”.

Consórcio rebate críticas

O Consórcio Amazônia negou que exista problemas em relação ao número de fiscais no Centro de Manaus. A empresa afirma há um monitor para cada 40 vagas, enquanto o contrato prevê um para cada 100 vagas. Eles teriam o papel de se dividir com o atendimento ao público para cadastro de usuários e esclarecimento de dúvidas.

“A falta de localização de um monitor não deve servir como motivo de reclamação, pois os monitores nem sempre estarão à frente da vaga, já que sua atividade exige constante circulação, e porque o sistema fornece acesso para compra de crédito/tarifa através de pontos de venda e da plataforma online”, disse em nota.

A empresa diz ainda que os motoristas têm 53 pontos de venda no Centro (lojas e sites) e pela internet ou aplicativo para comprar créditos. “Existe toda uma rede preparada para o cidadão que quer cumprir a legislação”, disse em nota.

A empresa explica ainda que o sistema coloca o veículo no chamado “período de tolerância” de 15 minutos após a ocupação. “Somente após esse tempo de 15 minutos e a partir do segundo registro pelo monitor é que o sistema expede a advertência; normalmente, o que se verifica é um tempo excessivo de estacionamento sem o pagamento regular, descumprindo a legislação municipal”, rebateu.

Sobre o valor da advertência, o Consórcio Amazônia afirma que “não tem competência para promover aviso sobre infrações de trânsito”. Segundo o órgão, essa atividade somente pode ser exercida pelo Denatran.

“Dessa forma, o aviso de advertência emitido pelo Consórcio Amazônia serve apenas de alerta sobre a irregularidade do estacionamento, segundo as regras do Sistema Zona Azul Manaus, sujeitando a receber o auto de infração por infração. A autuação, com enquadramento da infração ao Código de Trânsito, sanção aplicável e valor da multa representam informações de competência exclusiva da Manaustrans”, explicou.

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